À conversa com o medo

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Não me canso de escrever sobre o assunto. Passei por momentos difíceis nestas duas semanas de quarentena. Vamos para a terceira semana e desde ontem que não me sentia tão em paz desde não sei quando. Aquela paz boa, não é uma paz distraída de quando estamos bem e ocupados com algo que gostamos. É uma paz sentida, é uma paz silenciosa, em que só existe o momento presente e o lá fora acontece independentemente da nossa vontade, e tudo encaixa nos sítios certos.

Oiço a chuva lá fora e isso dá-me conforto, não ter de sair de casa para ir trabalhar amanhã. Não estar no corre corre dos dias que se assemelham todos iguais. A mesma rotina, o mesmo cansaço, o mesmo desejar que seja fim-de-semana e possamos ter algo com que ansiar, nem que seja dormir até mais tarde ou poder descontrair e estar com amigos ou ir fazer aquele almoço fora que dura horas, onde não há horários para nada.

Mas o medo, ah o medo… Sempre à espreita, tal monstro no armário

Estava a ser tão cruel comigo mesma, a exigir produtividade, a exigir respostas, soluções, acções, movimento… Paula, por favor, relaxa! É necessário parar. Não tens de seguir ninguém, não tens de andar a correr atrás do que te dizem para fazer, de todas as sugestões dadas, com a maior das boas intenções… Não tens de andar a correr atrás do que é suposto fazer, e ter de criar a todo o momento. O tempo é de pausa. Aceita. Deixa acontecer. Já fizeste o que tinhas para fazer. Já desesperaste, já esperneaste, já te queixaste, já te vitimizaste, já fizeste de tudo.

E aí caí, caí do pedestal. Deixei de me inscrever compulsivamente em cursos, aulas, lives, directos, e sei lá mais o quê. O meu email é bombardeado de calendários, de prazos para inscrição em cursos, de meditações pela paz, de grupos de mulheres empreendedoras, de coaches e marketers que nos ensinam a fórmula mágica para atingir o tão almejado sucesso em 90 dias, e o diabo a mil (que é o mesmo que dizer “trinta por uma linha”).

Quando pude parar o que estava a fazer, quando me pude observar, quando pude silenciar a mente empresária, fiquei só comigo. Fiquei só com o agora, com o que existe e com o que é possível neste momento. Não, sinceramente (e infelizmente) não me identifico com o formato vídeo, com o formato live, com o formato curso online ou presencial. Identifico-me sim, e muito, com a escrita, com o blog, com o contacto de um para um. Pode ser agora, pode ser sempre, não sei.

O que é certo é que sempre que me sento com o medo, olho para ele, falo com ele, ele fica bem mais calmo. A minha criança deixa de esbracejar e gritar e acalma-se. Às vezes ainda o deixo assim, solto, desesperado. Esqueço-me de que tenho tantas estratégias aperfeiçoadas ao longo destes largos anos em que trabalho em mim. E às vezes é isso mesmo, somos tão preguiçosos que nem usamos o que temos. Isso vale para aqueles ingredientes que costumamos ter no fundo das prateleiras da cozinha para um dia fazermos a receita X ou Y, como para as nossas próprias ferramentas, de cursos que tiramos, de livros que lemos, etc.

Então é isso. Quando podemos sentar, dar vazão às nossas emoções, contê-las, tranquilizá-las, podemos encontrar paz interior. E a paz não é um patamar ao qual chegamos e de lá nunca mais saímos. Não. É algo que vamos criando e que se vai mantendo mais ou menos tempo. A nossa função é lembrarmo-nos de voltar a ela, as vezes que forem precisas.

Carta aberta ao coronavirus

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Viste deixar-nos a vida do avesso, é verdade. Ninguém estava à espera disto. 2020 vinha com grandes promessas, de recomeço, de estabilidade, de fixar e reestruturar a nossa energia, a nossa evolução, o resultado do nosso trabalho individual e enquanto espécie de desenvolvimento pessoal e autoconhecimento, bem como de expansão da consciência.

Vieste e lixaste-nos os planos, de convívio e celebração da amizade e da vida. Em Portugal vieste mesmo na virada da primavera e das férias da Páscoa, arrasando com planos de férias e de viagens. Vieste e suspendeste tudo, carregaste no botão de pausa e decidiste fazer um reset, como quem diz:

“Fica tudo em casa! Já chega! Andaram a brincar estes anos todos, e o que aprenderam até aqui, hã? Julgam-se superiores à natureza, julgam-se superiores a Deus? Brincam com a vossa liberdade, brincam ao despertar da consciência e à espiritualidade, às energias do bem e da gratidão. Falam como se soubessem tudo, contradizem-se ao não fazerem o que pregam. Seres evoluídos e conscientes julgam-se vocês… Coitados, nada são. São um joguete de forças que nem têm capacidade para compreender. Forças humanas, jogadas políticas e económicas. Quem manda em vocês e quem dita tendências são aqueles que estão acima de tudo, de qualquer moral e senso de justiça. Peões, é o que são. Vão despertar agora? Vão parar de consumir tal parasitas? Vão deixar de produzir tanto lixo? Vão continuar alheios à Vida? Ao planeta? Às vossas responsabilidades e deveres para com Ele? Estão a ver os resultados da vossa existência na Terra? Percebem agora? Vão despertar, finalmente, ou vão continuar a dormir? Pensam que só os vossos trabalhos importam? Que sem eles não (sobre)vivem? Pois vejam, reparem. Estão a trabalhar agora? O mundo parou? Não, o Mundo continua a girar. A Vida continua a acontecer lá fora e dentro de casa, dentro de vocês. Continuam a respirar. A Vida continua, apesar de vocês. A vossa experiência é só trabalhar e, nos tempos livres, anestesiarem-se? Não. Agora parem. Sintam. Pensem. Reflictam. Percebam. O que vão fazer com este Tempo que vos dei? Não o pediram? Não o rogaram, imploraram por ele? Esse tempo está aqui. Esse tempo chegou. O que vão fazer com ele? O que vão aprender com ele?”

Sim, eu oiço-te. Eu sinto a tua raiva, a tua revolta, a tua força arrasadora. Se tenho medo? Não. Aceito-te, tal como és, tal como vens, de onde vieres. Não me importa se foste feito por humanos, por Deus, por aliens ou por uma mutação da natureza. Não interessa. Sabes porquê? Porque aceito o plano da Vida. O plano da Alma, o plano Divino. Seja ele qual for. Aceito o que vem. Desprendo-me disso, de qualquer resultado, de qualquer processo. E sabes como consigo fazer isso? Desligando-me do que está fora. Ligando-me só ao que está dentro.

Vens para instigar medo, para impor ordem e respeito. Vens como uma lei da natureza: viver, morrer ou sobreviver. Muitos de nós têm de se reinventar, sim eu sei, mas sempre assim foi. Crises vêm e vão. Quantas existiram nestes últimos tempos? Em décadas, séculos e milénios? Eu só vivi pouco mais de três décadas e já assisti e conheci tantas crises. Fora e dentro. Nós somos feitos de crises. De ciclos. Nós é que, constantemente (e propositadamente), nos esquecemos disso. Parece que não queremos ver.

Mas eu agora vejo. Na crise é onde vivemos. Nas nossas crises diárias, nas nossas crises comezinhas, mesquinhas, se escolho o branco ou o amarelo. Se ganho mais ou menos. Se tenho de fazer isto e aquilo que não gosto. Se tenho de fazer isto ou aquilo, ponto. Se começo ou termino um relacionamento. Se tenho um relacionamento e ele ou ela é assim ou assado. Estúpido, completamente. Estúpida a forma como usamos o nosso tempo, com preocupações e produções mentais. A vida é tão mais que isso.

Sim, obrigaste-me a parar. Eu que ia a um ritmo frenético, eu que ia tão bem, tão organizada, tão cheia de planos e objectivos. E sabes que mais? Ainda assim continuei depois de surgires. Porque não sabemos parar. Porque pensei que sabia parar, mas afinal não. Aprendi a continuar, sempre. Ainda hoje, percebo que tenho de o fazer e, mesmo assim, algo em mim, como um dínamo, me impele a agir, a ficar ocupada, a produzir. Bolas! Como cheguei a este ponto? Eu que apregoo o saber parar. Ah, como o feitiço se vira contra o feiticeiro…

E esta carta, que já vai longa, poderia bem ser um livro, de tanto que tenho para te dizer. De tanto que tenho para perceber, para tirar de dentro de mim. E sim, por mais que me custe, vou submeter-me à tua vontade, à força da tua lição: estou aqui, sobreviverei se assim tiver de ser, e aprenderei, aprenderei, por fim, a Parar. A Silenciar. A Ouvir. E sim, a Submeter-me à vontade do Espírito, ou Alma, ou o que seja que sempre me guia, mesmo quando não estou atenta. E aprendo também, a submeter-me ao Plano, ao Serviço ao qual me entreguei e que agora sirvo também, mesmo quando não sei o que fazer.

Mas continuo. Paro. Escuto. E entendo finalmente. E sempre esteve lá, a resposta que sempre procurei. Que vai ficar (sempre) tudo bem. Eu sei… Só tinha de aprender a confiar (novamente) nisso.

Como organizar o trabalho a partir de casa

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Quando se trabalha a partir de casa (e dadas as circunstâncias o número de pessoas que trabalha a partir de casa aumentou consideravelmente), as dificuldades mais comuns são:

  1. As distracções: filhos, tarefas domésticas, a televisão, as redes sociais, jogos, etc.
  2. Demasiado tempo livre: demasiado espaço de manobra.
  3. Procrastinação: “Se não fizer agora, faço daqui a bocado. Se não fizer daqui a bocado, faço amanhã e não há problema!”
  4. Falta de um plano: desorganização e falta de prioridades.

Sem ninguém a controlar o nosso trabalho e sem um horário fixo, fica muito fácil dispersar. Uma coisa é quando temos um horário, um prazo para cumprir determinadas tarefas e trabalhamos com outras pessoas e cujo tempo de trabalho é, de facto, para fazer determinadas tarefas naquele tempo (trabalho por objectivos ou por lista de tarefas/prioridades), outra coisa é quando somos nós a gerir o nosso tempo, a nos motivarmos e incentivarmos para trabalhar e para nos monitorizarmos.

Considerando que em casa há sempre aquela loiça para lavar, aquela roupa para arrumar, camas para fazer, roupa para passar, almoço e jantar para fazer, filhos aos saltos e aos gritos pela casa, fica difícil concentrar, mesmo para quem vive sozinho ou não tem filhos, visto que há sempre as redes sociais e a televisão que é uma verdadeira distracção (há sempre filmes, séries, documentários, notícias e programas interessantes para ver, a todas as horas do dia). Mas não temam! Aqui vão algumas soluções/estratégias para rentabilizar o tempo e organizar-se da melhor forma:

1. Organize a sua agenda. 

Fundamental. Mesmo que não use agenda, crie um plano de trabalho semanal ou mensal e uma lista de tarefas diárias. Convém sentar-se um pouco e planificar a agenda, pensando nas tarefas que tem para fazer. Crie uma lista com prioridades e espalhe essas tarefas pela sua semana ou mês de trabalho.

2. Gira bem o seu tempo.

Com a lista de tarefas em mão, e colocando essas tarefas nos vários dias da semana em que pensa trabalhar, dedique um horário para trabalhar em cada dia da semana. Pode pensar em que horários é mais produtivo/a, se é mais produtivo de manhã, dedique as manhãs para trabalhar; se pelo contrário é mais produtivo/a à tarde ou noite, reserve algumas horas desse período para trabalhar. Há uma fórmula para isto: 8h de descanso, 8h de trabalho, 8h de lazer.

3. Trabalhe por blocos.

Como todos os trabalhos, há vários tipos de tarefas que temos de fazer. Um dia ou uma manhã pode dedicar-se a responder ou enviar emails, uma tarde pode ser para fazer telefonemas, outro dia pode ser para escrever ou publicar nas redes sociais, etc. Ou seja, dividir as tarefas por género e ter um momento para cada uma delas. Ajuda a estruturar o trabalho e saber sempre o que tem de fazer a cada dia ou a cada período do dia.

4. Tire tempo para descansar.

Mas um descanso produtivo. Vão haver dias que o marasmo, o cansaço e a apatia vão tomar conta de si. Se estiver em desespero, em exaustão ou com um grande nível de ansiedade, e não estiver a conseguir ser produtivo/a, pare. Descanse. Distraia a mente, mas não fique a pensar no trabalho. Veja ou leia qualquer coisa que absorva completamente a sua atenção. Durma as horas necessárias à noite, descanse em períodos regulares ao longo do dia, quando pára para se alimentar, por exemplo.

5. Faça actividades de bem-estar.

Não pode ser só trabalho e descanso. Intercale com alguma actividade física, seja dança, jardinar, fazer uma aula online de yoga, pilates, alongamentos ou outra que goste. Tire 10 ou 15 minutos do seu dia para fazer meditação ou alguns exercícios de relaxamento, brinque com o seu animal de estimação ou com o(s) filho(s), se tiver. Pinte mandalas, leia um livro que goste, tome um banho de imersão, qualquer coisa. Não se esqueça, 8h descanso, 8h trabalho, 8h de lazer. Essa é a fórmula.

6. Procure ajuda.

Se não se consegue organizar, se é difícil planificar o seu dia de trabalho, se tem demasiada ansiedade, pode ser benéfico procurar ajuda especializada, seja da área do coaching (como para definir objectivos e encontrar soluções, por exemplo), seja da área da psicologia, para aprender a gerir emoções e o seu tempo também.

Os tempos que correm

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Tem sido difícil. Tem sido duro. A primavera a chegar e a vida a acontecer a um ritmo mais lento e inusitado. As ruas mostram uma realidade só vista em filmes de ficção. Aposto que nunca ninguém pensou que, dia menos dia, iria ter de usar máscaras e luvas para sair de casa e que o acesso a todas as superfícies comerciais teriam de ser condicionados. Nós que nos habituámos às certezas, ao consumo a qualquer hora do dia, à liberdade de movimentos, de afectos, de contactos humanos, agora vemo-nos assim, numa redoma, numa ilha onde não sabemos se é seguro sair.

Estes tempos instigam medo, instigam incerteza, insegurança. Também eu a sinto. Até quando irá durar tudo isto? Quais serão as consequências sociais, económicas e profissionais que este desafio colectivo irá trazer? Será que tudo regressará à normalidade? Eu não sei. O que sei é que todos estamos muito esperançosos, há bastantes discursos e movimentos optimistas nas redes sociais, bem como notícias sobre o estado do mundo e do país. Há bastantes críticas e revolta também, mas acima de tudo, esperança e fé de que “vai ficar tudo bem”.

Somos um povo de fé, de esperança, de acreditar sempre que o melhor ainda está por vir. Somos um país de descobridores, de gentes alegres, cultura de rua e de café, de afectos e de socialização, de toque, abraço e beijo na cara. Somos assim, queremos mais, sempre mais, estar com amigos e família, almoçaradas, jantaradas e convívio animado. Ansiamos por isso. Actualmente esperamos, aguardamos em compasso de espera, como quem carrega no “pause” e esperamos que tudo passe.

E sim, há de passar. Sempre tudo passa. Enquanto isso, lá fora, as andorinhas regressam, o sol sorri, as flores e os pássaros passam distraídos a tudo o que acontece dentro de nós, e a vida acontece. O mundo respira, rejuvenesce, a chuva cai e o vento sopra. Nada mais há a fazer a não ser esperar, aguardar o momento do movimento novamente, cair e reerguer-nos novamente; desesperar, respirar fundo e arranjar alternativas a tudo: ao tédio, à ansiedade, ao não saber, à incerteza, ao medo e à tristeza.

Estamos juntos nisto, e nunca o nosso coração esteve tão próximo de outros. Vizinhos que nem se falavam agora têm tempo para se conhecer, ainda que à varanda. Nas ruas, sozinhos, sorrimos a estranhos, como quem diz “Que situação esta, não é? Pois o que é que havemos de fazer… Há de passar!”. Usamos janelas como nunca pensámos usar, janelas da mente e da alma para nos libertarmos e voarmos mais do que as autoridades nos permitem; janelas virtuais para tocar outros no coração e sermos tocados de volta.

Como funcionam as consultas online

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Tempos estes em que vivemos… Neste momento muitos profissionais estão em regime de teletrabalho, e os psicólogos não são excepção. Muitas pessoas estão a evitar esse serviço porque julgam que não tem o mesmo efeito, que não resulta, que não tem graça, mas também porque não têm privacidade em casa actualmente, considerando que há marido/mulher, companheiro/companheira, e filhos sempre à espreita, a fazer barulho ou a pedir a sua atenção.

Quando há mais pessoas em casa, há que tentar arranjar forma, ficar num dos quartos, ir para o terraço ou para o jardim, e pedir à família que respeite essa hora. Se está sozinho/a, com os filhos, aproveitar a hora da folga ou mesmo quando eles estão a ver um filme ou a jogar, já se sabe que podem ficar horas distraídos dessa forma. Mesmo que haja alguma interrupção, está tudo certo, desde que seja breve.

Como tal, mesmo hipnose é possível fazer via videochamada sim, com os mesmos resultados do que em gabinete. Mesmo antes desta pandemia, já realizava estas consultas com clientes de várias partes da Europa, inclusivamente de outras partes do nosso país, como da zona de Lisboa, Alentejo ou mesmo Algarve. Nada como experimentar. É preferível fazer consultas online do que ficar a deprimir ou com ataques de pânico constantes, dadas as circunstâncias.

O que é preciso para estas consultas virtuais: um telemóvel ou um computador, uma boa ligação à internet, seja ela qual for, uns phones se preferir, e um sítio onde esteja confortável e a sós, sem muito ruído externo e, preferencialmente, onde possa ficar pelo menos uma hora sem interrupções, apesar de, por vezes, elas poderem vir a acontecer.

Se quer experimentar essa modalidade e quer marcar consultas comigo, é só entrar em contacto através de mensagem privada seja no Facebook, telemóvel ou Instagram, ou mesmo através do formulário disponível na secção “Contactar” aqui no blog, e eu responderei assim que possível. Vamos a isso? Os tempos pedem reajustes, este é um deles.

O reino do Ego

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O reino do Ego tem um trono, e o Ego se não está lá sentado, enlouquece, grita e estrebucha, assim que sente que deixa de pertencer (comandar/controlar) ou que lhe é retirado esse trono. Somos nós que temos de lá estar sentados, nós Consciência, ele deve submeter-se à função de conselheiro, tal como o medo, que é um missionário do Ego.

O Ego serve a Personalidade, a Consciência deve servir a Alma. Ou seja, há três forças a funcionar em nós: Eu Ego, Eu Consciência e Eu Alma. O Ego serve a personalidade, o medo, os problemas, as preocupações e a sua função é controlar. A Consciência serve a clareza, o discernimento, a intuição e a sua função é observar e decidir. A Alma serve o propósito superior, serve a conexão, o alinhamento e a actualização e a sua função é guiar e aconselhar.

A Alma testemunha, manifesta-se calidamente, sabiamente, como um sussurro. A Alma está acima da Consciência e da Personalidade, como numa hierarquia. A Personalidade é o ego criança, que se rebela, que gosta de ter sempre razão, que amua, que faz birra, que quer tudo à sua maneira. A Consciência é como se fosse o pai ou a mãe bondosos, maduros, ponderados, ou o ego adulto. A Alma o avô ou a avó sábia, experiente, que tudo sabe e que tudo já viu e experienciou e sorri perante a irreverência dos mais novos.

A Consciência Unificada é poder integrar estes três elementos, considerando que somos ego e personalidade também, a viver uma realidade espiritual no plano terreno. Podem até nem se identificar com esta teoria mas o que é certo é quem existem vários planos, vocês já experienciaram isso, quando estão em paz, quando estão seguros de algo que vos surge dentro, quando seguem um instinto, quando ouvem a intuição e se surpreendem com a sua exactidão.

Muitas vezes queremos ignorar essa realidade que nos põe à prova, de que não somos só isto, ideias, pensamentos, emoções e uma realidade banal. Todos se podem identificar com isto, com esta ideia, por isso olhamos para os céus, por isso contemplamos a natureza e todas as suas formas, por isso nos deslumbramos e maravilhamos com ela e com o espaço, o universo enigmático, que está ali em cima com os seus mistérios e segredos, a sorrir docemente para nós, num convite: “Olhem, olhem para vós. Também vós são pó das estrelas, também vós são Eu, este infinito espaço, matéria e energia primordial.”

Trabalho de luz e sombra

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Tempos estes que vivemos… Existe todo um jogo de interesses económicos e políticos relativos a este vírus e a esta pandemia. Há que diga que foi um vírus criado e libertado na população com o intuito de prejudicar a Europa, para que as superpotências possam ganhar (ainda) mais terreno e comprar acções, empresas ou sabe-se lá mais o quê. O meu intuito hoje não é falar nisso. Não só não sou especialista nesses temas, como prefiro não me envolver em pensamentos sobre o assunto, porque é, de facto, assustador.

No que eu quero mesmo falar é no jogo por cima de tudo isso, acima de tudo isto, de todos os interesses, da massa dos grandes governos mundiais, das grandes famílias e corporações que possam mandar nisto tudo e que nós podemos nem ter noção. Acima de tudo isto, eu acredito, que há um plano. Um plano superior, um plano de luz, um plano de sentido e de evolução humana e planetária, considerando que onde há o mal, também há o bem, um bem maior a zelar por nós, que trabalha contra esta cabala humana ou extra humana que quer controlar a população e induzir ao medo e ao controlo.

Prefiro, ou escolho, acreditar nessa força que nos conduz ao melhor resultado possível, independentemente do nosso sofrimento, das nossas dificuldades ou da dor das nossas condições actuais. Somos meros humanos, meros peões ou até marionetas que seguimos determinados ideais, determinados produtos, marcas, tendências, etc., que são completamente manipulados pelos media e pelas grandes empresas mundiais, e nem nos apercebemos disso.

As nossas escolhas, os nossos pensamentos, as nossas decisões, ao que aspiramos, muitas vezes é totalmente condicionado por uma série de factores e “braços invisíveis” que nos programam à distância. Falei em tempos de um documentário que exemplifica bem o que estou a dizer: O século do ego. E, nesse caso, somos um somatório de programações familiares, sociais, culturais e transgeracionais. Tantas as influências que nos moldam e quem nem temos noção.

O trabalho de luz e sombra, muito mais do que está a acontecer lá fora, e que é uma repetição constante, um ciclo que repetimos através dos séculos e dos milénios, é também aquilo que se passa dentro de nós, entre o nosso ego e a nossa alma. A nossa personalidade e algo que é muito maior do que ela. Eu escolho guiar-me por isso. Muitas vezes também mergulho no desespero, na raiva, na frustração, na impotência e na tristeza de tudo isto, mas a seguir, escolho, decido conscientemente não me ligar nisso, e ligar-me em algo: a minha calma, a minha sabedoria interior, a minha alma ou a minha intuição.

Nesses momentos, regresso a um espaço de segurança dentro de mim, um espaço seguro e calmo que sabe mais do que a minha mente e que simplesmente confia que o melhor está por vir, que o melhor está a ser feito, seja lá o que isso for. A minha mente não tem a capacidade de entender o grande plano e entender estas injustiças que acontecem diariamente no mundo, sejam elas quais forem. Simplesmente é maior do que eu, do que a minha capacidade de entendimento, é grande demais, pesado de mais para mim. Como tal, resumo-me à minha individualidade, regresso a mim, à humildade e à renúncia de tentar colocar-me numa posição que não pode ser a minha, que é saber afinal o que se passa e rebelar-me contra isso.

Fico em mim. Fico com o que sei o com o que não sei. Com o que concordo e com o que não concordo. Mais não posso, é grandioso demais. Sou uma peça a cumprir o plano, com o que me cabe, com o que posso e com o que me compete. A mais não sou obrigada. E isto tranquiliza-me. Fico no que é e no que pode ser a cada momento. E isso é tudo, isso é suficiente para mim, e aí consigo ficar em paz com tudo o que está a acontecer, tal e qual como está a acontecer. Sou simplesmente uma testemunha do processo e isso é ficar em mim, com todos os condicionamentos e limitações que possam existir, e apesar deles.