Responsabilidade emocional

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Já falei sobre este assunto por aqui? Não? Então é urgente. Falo muito deste conceito e acho-o fundamental nos relacionamentos e em relação a nós mesmos. Somos responsáveis pelo quê mesmo? Por nós. Pelos nossos sentimentos, pelas nossas emoções, acções, palavras, comportamentos e decisões. Como isso afecta o outro é outra história.

Se formos muito impulsivos ou agressivos, ou inactivos em situações que é necessária a nossa participação, podemos estar a interferir negativamente com o espaço e a liberdade do outro. Se formos assertivos, amorosos, compreensivos, benevolentes e gentis, e tudo o que fizermos for em prol de um bem maior, ainda que esse bem seja relativo a nós e ao nosso direito de sermos livres, autónomos e felizes, as nossas acções são justificadas mesmo que em contrário do que a outra pessoa possa desejar.

Nem sempre vamos poder agradar toda a gente, nem sempre vão concordar connosco ou aceitar as nossas decisões. Mas pense: é fundamental para mim eu tomar esta decisão? É importante para mim? Fará com que eu cresça e tenha a possibilidade de ser feliz? Então, contra tudo e contra todos, se for preciso, vá e conquiste o seu lugar ao sol.

Há quem vá acusar isso de egoísmo, mas fazer o que é bom para os outros pode ser considerado, no máximo, altruísmo. Uma pessoa ter a obrigação ou o dever em manter-se numa situação que não deseja e que consome os seus recursos naturais de energia, saúde e bem estar para fazer outra pessoa feliz? É egoísmo da parte de quem?

Altruísmo, ou solidariedade, é quando decidimos ajudar o próximo, fazer o bem. Manter-se numa situação indesejada pelo bem dos outros ou conforto dos outros é tortura e violência psicológica. Não vivemos mais na idade média, não precisamos fazer o “que é certo” por convenção social, cultural ou familiar. Temos o dom do livre arbítrio, somos todos livres até ao momento em que podemos decidir por nós ou por outros a nosso cargo. Tudo o resto são opiniões, desejos, projecções e expectativas dos outros.

Você é responsável, sim, pela sua felicidade. Por fazer o que pode e que consegue em cada situação. É responsável por outros a partir do momento em que tem filhos ou pessoas a seu cargo, e mesmo assim, foi ou deveria ser sua responsabilidade escolher se quer, pode, consegue ou não ter outros a seu cargo (familiares em situações de dependência ou velhice, por exemplo).

Como tal, decida o que a sua alma grita por fazer, viver e sentir. Há sempre aquela voz dentro de nós que nos diz o que que deveríamos estar a fazer, por onde deveríamos seguir, o que é importante que façamos. E isso pode envolver, de facto, afastar-se de pessoas, locais, relacionamentos e trabalhos que tenha mantido até então. Boa sorte. Se não consegue fazê-lo sozinho/a, procure ajuda.

O medo da perda e a co-dependência

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Falo hoje de um medo comum a todos nós: medo da perda de controlo, medo da perda de um ente querido (separação, afastamento ou morte), medo da perda de trabalho, medo da perda de poder, medo da perda de status, medo da perda de aprovação/carinho/amor, medo da perda material ou financeira, medo da perda de saúde, e todas as perdas que possam ser humanamente possíveis de ter.

A perda dá-nos medo, sem dúvida. Há a sensação do desconhecido que fica para além dessa perda, do que pode acontecer, de como nos podemos sentir, e, por causa disso, muitas vezes ficamos em situações de dependência relativamente a outros, a situações de emprego e relacionamentos pouco satisfatórios.

Por termos medo de perder, ligamo-nos ou queremos ligar-nos a outros. Queremos manter aquilo que nos é possível. O nosso mecanismo de sobrevivência activa-se e diz-nos que a segurança está onde é conhecido, independentemente do quão infeliz isso nos faça. Muitas vezes há a escolha, muitas vezes inconsciente, de preferir o ser infeliz ao habitar no desconhecido das águas da vida – do que há para lá daquilo que conhecemos.

Como tal, podemos levar anos a enganarmo-nos e a iludirmo-nos em relações que não nos podem trazer o que procuramos (normalmente harmonia, bem estar, felicidade, comunicação, diálogo, partilha, interesses comuns, etc.) mas, antes a monotonia, a apatia, o conveniente, ao corpo presente, do que nada.

Para a mente há duas opções: ficar ou morrer. Literalmente. Morrer é partir rumo ao desconhecido. Uma relação, por pior que possa ser, é território conhecido. Não estar na relação é a morte da pessoa que esteve naquela relação, a morte da própria relação e também do que se esperou dessa relação. São três mortes, ou três processos de luto.

Então co-dependência. Duas pessoas tornam-se dependentes uma da outra, de retro alimentarem dessa relação. Alimentarem esse vazio existencial com a presença uma da outra, ainda que seja desconfortável ou pouco satisfatório. Co-dependência é quando um não pode passar sem o outro (“não estou bem contigo nem sem ti”), e é também uma estagnação, um botão de pausa, um manter-se porque é demasiado ameaçador passar sem aquela pessoa.

Qualquer processo de perda ou separação é, no mínimo, desconfortável (para não dizer doloroso). E, a maior parte das vezes, as pessoas não querem passar por ele, fazer essa travessia do que é cómodo ou confortável, para a zona do medo (do desconhecido). Como tal, mantém-se. É uma escolha, até a não acção. E está certo também. Mas se quer crescer, ser independente, livre, há que questionar essas escolhas.

Vá, faça. Ouse, desafie-se. Pense, reflicta. Tire tempo para si, escolha por si, para o seu bem estar, saúde mental e emocional. Se filhos houver, precisam de ver em si um exemplo, de quem luta por valores elevados, como liberdade, felicidade, autonomia e independência. Se a família está contra, vá na mesma. Um dia eles vão aceitar e compreender. Faça o que é importante para si, de forma coerente, organizada e prudente, mas faça. Não é responsável por fazer os outros felizes.

Eu terapeuta (eu profissional)

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Não cheguei até aqui facilmente. Não foi só tirar o curso e pronto, somos profissionais da área. Precisamos percorrer um caminho enquanto estudantes, da matéria e da vida, de experiências pessoais e com as pessoas que nos procuram. Precisamos aprender, ler, reflectir, ouvir outros, pedir opinião, fazer trabalho pessoal de autodescoberta e auto aperfeiçoamento.

O ser terapeuta, ou ser profissional de uma área que escolhemos como o nosso propósito ou a nossa missão, quando esse papel é responsabilidade apenas nossa, e temos de dar a cara por ele – seja ser terapeuta, músico, escritor, cantor, decorador, consultor, ou o que seja – requer de nós confiança, segurança, disponibilidade, aceitação e trabalho contínuo.

Há coisas que não vão fazer por nós. Somos os nossos gestores, os nossos patrocinadores, os nossos agentes publicitários, somos assistentes e administrativos, somos consultores de autoimagem, decoradores, e todas as funções relativas a um negócio de uma pessoa só.

Somos também um ser humano com dúvidas, incertezas e inseguranças que têm de ser trabalhadas, bem como uma vida própria com os seus desafios, tal como qualquer outra pessoa. Como tal, temos de ser terapeutas de nós próprios também, conselheiros e amigos.

O meu eu terapeuta tem vindo a crescer. Ao princípio tinha receio e vergonha de emergir, de se assumir como tal. Tinha dúvidas como: será que vou ser bom? Será que as pessoas vão gostar do meu trabalho? Será que vou conseguir ajudar as pessoas? Será que o que eu sei é suficiente? Será que saberei o que fazer em todos os casos? E tantas outras questões.

Nem sempre vamos poder ajudar toda a gente. Nem todas as pessoas se vão identificar connosco, com o nosso trabalho ou a nossa forma de trabalhar. Temos de ser, também, gestores de expectativas – nossas e dos outros. Muitas vezes a nossa melhor vontade não é suficiente. Muitas vezes temos desafios, temos becos sem saída e temos de gerir as nossas frustrações, as nossas emoções reactivas ao que nos dizem, ao que nos fazem sentir.

Somos também vulnerabilidade, crítica e julgamento, e temos de trabalhar isso em nós continuamente. Temos de ser imparciais e neutros, é essa a nossa responsabilidade. Silenciar vozes críticas em nós, que personificam as nossas próprias experiências e opiniões pessoais.

Isto tudo para dizer, que todas as barreiras que possa ter relativas principalmente à questão do “será que serei capaz?”, medo da crítica dos outros e da opinião de terceiros, eu digo: vá, com ou sem medo, mas vá. A couraça da certeza de que faz o melhor que sabe e isso tem de bastar, e que tudo o resto pode ir trabalhando, em si, nas suas competências, forças e fraquezas, vai criando raízes que a irão suportar em todos os momentos.

A alma e o ego

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A consciência fala connosco suavemente, como uma voz doce, benevolente, gentil e paciente. A paciência é calma, procura apaziguar, harmonizar, levar a entendimento e procura viver no presente. O ego é intempestivo, caprichoso, amuadiço, infantil, birrento e impaciente. O ego quer já, quer agora e quer à sua maneira. O ego não quer sair da zona de conforto e quer ter sempre razão. É crítico, dita julgamentos a torto e a direito, é exigente e puramente mental. A consciência é a energia sábia do sentimento e da emoção, é mente superior. Quando ela fala, tudo se tranquiliza.

A alma e o ego encontraram-se um dia numa conversa. A alma começa a conversar e o ego dispara em acusações, críticas e dita as suas condições. A alma é conciliadora, chama o ego à razão de uma forma compreensiva. Ele choraminga, activado pelos seus medos, pela insegurança e incerteza. O ego tem medo da mudança, esperneia, resiste. A consciência, alimentada pela alma, dá a mão, pode levar o ego na encruzilhada da mente. E quando o ego pode desabafar tudo então, gritar, manifestar-se e expressar-se, a alma pode guiá-lo, levá-lo até ao seu destino, que é a evolução e a integração.

No fundo temos estas duas forças antagónicas em nós, que por vezes estão em conflito. Ego é mente, é resistência à mudança, é medo de perder o controlo, é alerta de tudo o que ameaça a nossa sobrevivência (ainda que emocional). A consciência é Verdade, é cristalina, é momento Presente, é intemporal, a tudo assiste, sabe esperar e sabe respeitar o tempo das coisas acontecerem, bem como os seus processos.

Se queremos funcionar em harmonia, não podemos banir o ego, assassiná-lo, desacreditá-lo a duras penas, sermos castigadores, críticos ou severos com ele. Não, o ego precisa ser aceite, compreendido, ser trazido à luz da consciência, olharmos para ele. Ouvirmos o que ele tem para dizer, deixarmos ele se manifestar integralmente, com toda a sua força e pujança. Este é um exercício da Consciência, permitir que ela assista, que ela contenha o ego, que ela abrace o ego.

Só assim estes dois podem coexistir em pacifica convivência. Um suporta o outro. Neste caso, a consciência concilia os receios do ego, sempre medroso mas disfarçado sob uma capa de arrogância, impertinência, astúcia e autosabotagem. O ego é criador de profecias de autorealização, sabota tudo aquilo que é importante, só pelo medo de poder não dar certo, porque ameaça a sua integridade, a sua independência, e a imutabilidade das coisas, onde ele é rei e senhor.

O seu caminho de evolução, autodescoberta e autodesenvolvimento não se faz sem a resistência do ego. Ele tem medo de perder o lugar, tem medo do desconhecido e da mudança. Como qualquer parte nossa, não quer deixar de existir. Mas a consciência é paciente, leva-o com ela. Amacia, conversa, dialoga, deixa-o Ser, deixa-o existir. Reconhece e sabe que ele faz parte da jornada humana. E só assim pode ser. Só assim conseguimos ser humanos e trabalhar em nós, acolhendo todas as partes envolvidas naquilo que somos e fazer com elas o melhor que sabemos.

A culpa que aprisiona

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Tenho assistido a muitos casos em que a culpa se torna um cárcere. Pessoas que se mantém em relações ou situações menos felizes, por culpa, por dever, por remorso. Situações menos felizes em que essas pessoas não se sentem livres para fazer o que gostariam de fazer, terminar relações que gostariam de terminar, viver outras relações que seriam boas ou gostariam de viver plenamente, mas não conseguem.

Falo do caso do homem que acha que tem de ficar com a sua mulher porque ela sempre o perdoou situações de traição ou sempre teve presente em situações difíceis e o ajudou, de alguma forma; ou do homem que fica com a sua esposa porque nunca teve uma família unida e não suporta a ideia de abandonar a filha que têm em comum; ou mesmo do homem que até deixa a mulher mas não consegue assumir uma relação com outra pessoa integralmente porque ainda está preso a sentimentos de culpa por ter “deixado” a mulher.

Quando falo em “deixar”, falo em separações. Ninguém deixa ninguém. Esse verbo assim aplicado parece que alguém deixou outra pessoa para morrer, desprotegida, desvalida, sem apoio e sem protecção. Falamos aqui de pessoas adultas. Também vejo muitas mulheres a usarem esses sentimentos de culpa a seu favor, como ganhos secundários (ele sente-se culpado, volta para mim/mantém-se presente) e sentindo-se poderosas, de alguma forma, considerando que o sentimento de culpa pode ser utilizado como moeda de troca para ter por perto esse homem que não se quer deixar ir, seja por conforto, seja por orgulho.

Falo de homens presos a sentimento de culpa, como pode ser o inverso, mas estas são as histórias a que tenho assistido, normalmente de mulheres que mantêm relações com estes homens que acabam por ser terra de ninguém e de outras mulheres em simultâneo também. Homens que estão num limbo e não se conseguem afirmar perante nenhuma das relações. Por um lado estão seguros e confortáveis numa relação assumida com as suas companheiras formais, perante a família e perante a sociedade. Por outro, estão confortáveis no colo doce e gentil, sempre aceitante destas outras mulheres, que servem como escape da vida doméstica.

Todos, os homens e mulheres nestas situações, em quaisquer dos prismas, estão em sofrimento e permitem que esta situação se mantenha. A mulher que não aceita a separação, o homem que não se consegue separar efectivamente, a amante que se mantém por perto. Como deslindar esta situação? Alguém tem de tomar a coragem ou a iniciativa de terminar a situação em que se encontra. Alguém tem de dar o primeiro passo para fora deste enredo romântico. Seja quem for, cabe-lhe o penoso caminho de superar as suas próprias frustrações, orgulho, feridas, mágoas e expectativas defraudadas.

A mulher que esperava ter encontrado a pessoa “para sempre”, o homem que não se consegue posicionar, a amante que ainda acredita que o homem vai acabar por ficar com ela e serem felizes para sempre. Há esta ideia de príncipe e princesa incutida no cérebro de cada mulher e de cada homem. De histórias com um final feliz. E por não se conseguir resistir a um penoso fim, vai-se mantendo em situações menos felizes mas que não têm o merecido desfecho.

A todas estas pessoas é devida uma profunda reflexão e contemplação de para onde se está a ir e como se quer ir. Questões de autoestima e merecimento podem ser revistas, bem como padrões de relacionamento que se mantêm presos nestes moldes de dor, sofrimento, falta e carência. O medo da perda e o medo da solidão assolam a mente humana. Mas a perda é necessária para que outras coisas possam ser vividas e outras relações construídas. A solidão/solitude e necessária para se reconstruir de novo e reerguer novas fundações e estruturas mentais e emocionais para que nada disto se tenha de repetir. Trabalho interior é necessário, seja para partir, seja para ficar.

O amor não dói, o medo da perda sim.

O transe na hipnose – o que é e como funciona?

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O “transe” que acontece nas consultas em que são utilizados exercícios de hipnose, não é como se vê nos programas de televisão em que são utilizados truques de hipnotismo de palco, ou como nos filmes em que se vê o terapeuta de pêndulo na mão a adormecer o paciente. Técnicas semelhantes podem ser utilizadas em consulta para induzir ao “transe”, que, no fundo, nada mais é do que um estado de relaxamento ou de realidade interior aumentada, onde acontece uma expansão da consciência.

Como tal, e para resumir, o transe que acontece naturalmente, ou que é esperado numa consulta de hipnoterapia, é um estado de relaxamento, que pode ser maior ou menor, consoante a pessoa e o estado em que ela se encontra. A hipnoterapia moderna, ou naturalista (Eriksoniana), é feita num estado de relaxamento suave, ou ligeiro, que pode até ser moderado ou profundo consoante o estado em que o paciente se encontra, de maior ou menor resistência ao relaxamento.

O facto de a pessoa relaxar mais ou menos não invalida o sucesso da terapia. Ou seja, normalmente as pessoas que procuram este método, esperam que ele seja mais eficaz quanto maior o estado de relaxamento que conseguirem alcançar. Isso não é verdade, a terapia funciona sempre, basta a pessoa ir seguindo as instruções do terapeuta, que vai lançando sugestões visuais (de imaginação), simbólicas ou relativas a memórias.

O que é que isto quer dizer? Que a hipnose é um método de visualização e rememoração. São utilizadas sugestões de visualização, simbolização e recordação. É como uma meditação guiada, mas interactiva, em que se vai construindo o exercício com a pessoa. São dadas sugestões e vai-se questionando a pessoa acerca do que está a visualizar, a pensar, a sentir ou recordar-se. No fundo, é um exercício de conversação de olhos fechados, em que se vão propondo cenários ao paciente e ele os vai relatando.

Através destes cenários, vamos explorando o mundo emocional e mental da pessoa, que está sempre consciente do que está a acontecer, do que está a sentir e do que está a dizer. De facto, a pessoa está mais consciente que nunca. O simples facto de fechar os olhos e falar do que está a ver e a sentir, proporciona uma realidade aumentada em termos de consciência. Torna-se tudo mais claro e mais evidente. E é esta a “ciência” por detrás dos exercícios realizados.

Dá para toda a gente, de crianças a idosos, basta imaginar. Todos temos a capacidade de imaginar, de recordar e de sentir. E isso basta. Não precisa de preparação prévia, só precisa de ir disponível para experimentar, permitir-se fechar os olhos e seguir as sugestões dadas, que vão mudando consoante o que for surgindo na sua mente, e ir comunicando com o terapeuta o que vai sentindo. E assim se explora o seu interior, de uma forma orientada, consciente e terapêutica.

Técnicas utilizadas na consulta de hipnoterapia

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Para além de uma conversa inicial, em que se explora o problema, as situações ou as questões a serem trabalhadas, são realizados diversos exercícios utilizando-se a hipnose, de forma a corrigir, melhorar, explorar, descobrir, compreender, aceitar ou perdoar as situações que nos moldaram, nos limitaram ou condicionaram de determinada maneira. Trabalhamos quatro momentos em cada exercício relacionado com o passado:

  1. identificar o problema, localizando-o no tempo (regressão – ir à “ferida”)
  2. compreender o que causou o problema (ou a ferida), trazendo consciência e entendimento
  3. trabalhar sob a situação passada à luz de uma nova consciência, do entendimento e conhecimentos actuais (ressignificação)
  4. resgatar a lição ou aprendizagem (perdão, cura, libertação, compreensão, …)

Para além destas técnicas e manobras no nosso subconsciente, relacionadas com o passado, traumas, situações de perda, condicionamento e criação de esquemas mentais e crenças diversas sobre nós, os outros, o mundo e o futuro, fazemos também o seguinte:

Trabalho com as partes (a parte solução e a parte problema), em que se levantam os conflitos e dualidades interiores e uma dessas partes representa o nosso lado consciente do problema, e que não o quer manter mais, e o outro aquela parte que representa o problema em si, e que, obviamente não quer desaparecer (resistência à mudança/medo de mudar). O objectivo é harmonizar os dois.

Simbolização de emoções (medo, ansiedade, raiva ou agressividade, impulsividade, insegurança, etc.), de forma a podermos olhar para elas de frente e podermos “comunicar” com essas emoções, compreendendo, escutando, redimensionando e ajustando uma por uma. O objectivo é fazer as “pazes” com o nosso mundo emocional.

Como vêem, não é uma coisa complicada… É só deixar fluir, que toda a informação vem naturalmente, perante as sugestões dadas ao longo dos exercícios, que não são mais que exercícios de visualização e contacto com as suas sensações, emoções, pensamentos e sentimentos. Eles estão todos aí dentro, prontos para serem arrumados. É só encontrar o caminho até eles.