Sabotagens da mente

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A nossa mente é errante, é refilona e a nossa maior inimiga, por vezes. Foi criada com o intuito de resolver problemas e a sua função devia ser a de, apenas, ser vigilante, observadora e atenta, deixando a vida fluir e acontecer. Mas introduziu-se o neuroticismo, não sei quando nem porquê.

Podemos culpar as sociedades, a cultura, a competição dos dias modernos, o que quiserem, mas eu cá acho que mesmo que se vivêssemos sozinhos numa ilha, arranjaríamos forma de ter a cabeça ocupada com preocupações e ruminações, para além daquelas relacionadas com a nossa sobrevivência.

Que é para isso que a mente foi, originalmente, concebida. Resolver problemas, alertar para perigos. Mas, actualmente, os perigos são vários, demasiados, diários e o medo instala-se em todos os recantos do nosso ser. Medo de quê? Não sei! Medo, medo de acontecer isto ou aquilo, falhar (o que é isso de falhar?), errar (idem), ser apanhado em falta, etc. Calma, respiremos fundo. Analisemos o “medo”, os pensamentos negativos ou as ruminações.

A nossa mente pode ser um Velho do Restelo (pessimista e negativista), queixando-se, recriminando tudo e todos, acusando, apontando o dedo, lançando blasfémias e ditando sentenças. A nossa mente é medricas, protege-se no meio desses impropérios, ocupando-se e alimentando-se deles. A nossa mente precisa, urgentemente, ser contestada. Precisa ser colocada no lugar, rebatida, ser submissa à nossa vontade.

Tal regime ditatorial, a nossa mente manda e desmanda. Põe tudo numa fona dentro de nós, descontrolada por vezes. Manda na felicidade, na alegria, na tristeza, e em todas as emoções que se querem expressar. O seu primeiro pensamento é: isto é seguro?? Se não, bloqueia qualquer possibilidade de êxito, ainda assim não nos magoemos.

Mal comparado, a mente é como o pai rezingão e autoritário que não deixa os filhos sair para que nada lhes aconteça. É a mãe, crítica, castradora e inflexível que dá raspanetes e castigos, mesmo que a criança esteja a fazer birra por algo que quer muito ou em sofrimento por alguma coisa, dizendo: tens de me obedecer e fazer como digo!

À nossa mente temos de a pôr em linha, colocá-la numa posição mais obediente e humilde. Ouvir o coração, sentir o sentimento, a emoção. Validá-los, esses componentes do nosso ser emotivo e sentimental. Ouvir as várias partes, criar um regime democrático, com a razão superior, ou mente integrada de razão e emoção no comando. Uma mente saudável, inteira, apropriada de todas as partes que nos habitam. Nós, consciência superior, sabedoria intuitiva ou mente unificada, no volante, para uma travessia mais suave e agradável nos mares da vida.

Qual é o meu propósito?

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Um assunto por vezes abordado nas consultas: qual é o meu propósito? Muitas vezes, as pessoas pensam, e sentem-se culpadas por isso, de que deveriam saber qual é o seu “propósito”, como se isso pudesse ser “descoberto” de repente, como uma ideia de génio, ou “encontrado” acidentalmente numa curva da vida.De repente “encontra-se”, ou descobre-se, e plim, felizes para sempre.
 
Na verdade, o propósito conquista-se, descobre-se por tentativa e erro, a partir daquilo que são os nossos gostos e interesses, competências, experiência e conhecimentos que vamos adquirindo. O propósito é uma mistura daquilo em que somos bons (talento), aquilo que gostamos de fazer (paixão), sermos reconhecidos por sermos bons nessa determinada área (reconhecimento) e a possibilidade de tornar melhor a vida de outras pessoas (facilitando, ajudando, encontrando soluções…), fazendo algo necessário e ganhando dinheiro com isso (recompensa).
 
Não sabe qual o seu propósito? Leia mais do que lhe interessa, siga pessoas que são exemplos para si, tire cursos, formações; pesquise o que o faz vibrar, estude, aprenda. SONHE, pense o que gostaria de estar a fazer, de que forma o poderia fazer, o que pode fazer para chegar lá. OUSE fazer mudanças, dar o salto no desconhecido, criando uma ponte até esse lugar que gostaria de ocupar.
Para viver o propósito, há que arriscar, fazer sacrifícios, trabalhá-lo e sair da zona de conforto. Não se descobre ou vive o propósito fazendo as mesmas coisas todos os dias, sujeitando-se ao mesmo trabalho de sempre, ou fazendo aquilo que os outros esperam que faça. Mete uma grande dose de coragem e determinação.
O propósito vejo-o como um cavalo selvagem. Está ali na pradaria à nossa vista, parecendo majestoso e imponente, lustroso e apetecível mas, aparentemente, inalcançável. Quando nos aproximamos, o cavalo vai dar luta antes de o podermos montar e conduzir, é algo em bruto, mas quando o conquistamos, ou domamos, ele torna-se dócil, gentil, maleável e subserviente à nossa vontade.
Quantas coisas perdem de ser vividas se não tentarmos? Pode permanecer o resto da vida na posição ou lugar que ocupa, é uma escolha. Mas se quer viver o seu propósito, garanto que vai ter de lutar por ele, ir atrás, desafiar-se e romper com limites autoimpostos, insegurança, opinião alheia, contradições, o medo e a dúvida se estará a fazer a coisa certa ou não. Mas garanto-lhe, o que está do outro lado, é infinitamente melhor. Faça a travessia, ou ficará à margem de quem poderia ser e o que poderia dar ao mundo.
Leia este artigo sobre o tema.

Somos almas em crescimento

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Todos, sem excepção, estamos aqui para aprender, crescer e evoluir enquanto seres humanos viventes neste planeta Terra. Todos temos lições para superar, todos ao seu ritmo e todos com as suas características e capacidades. Todos fazemos o melhor que podemos, se não fazemos, não temos consciência ou capacidade para mais.

Há quem diga que antes de virmos para este planeta (quem acredita nas ideologias da reencarnação), seleccionamos a nossa missão e as lições que temos de aprender. Como tal, escolhemos também a nossa família e o nosso grupo de pares com quem podemos aprender essas lições.

Independentemente das crenças de cada um, todos estamos cá com o propósito de crescer, relacionar-se com outros, aprender na escola da vida e tentar ser o melhor ser humano que se pode ser (melhor profissional, pai, mãe, amigo, vizinho, colega, o que seja). Como tal, também cada pessoa está no seu processo e caminho de evolução. Cada um no seu patamar, no seu nível e ritmo de consciência e aprendizagem.

Sempre que se sinta com raiva ou magoada com alguém, com expectativas ou ilusões defraudadas, questione-se se a pessoa pode ser como você gostaria, corresponder aos seus desejos. Se essa pessoa tem condições ou capacidade de ser como gostaria. E porquê, porque gostaria que a pessoa fosse de acordo com os seus critérios ou desejos. Porque na realidade tomos representamos papéis, todos exercemos o nosso direito à liberdade ou livre arbítrio. Todos somos exactamente como temos de ser. Todos agimos como podemos e sabemos.

Porquê esperar mais? Diferente? De nós ou dos outros. É a melhor forma de nos sentirmos desiludidos. E a melhor forma de nos magoarmos e afastarmos os outros. Tanta gente que acompanho que duvida de si mesma, do seu valor. Quando aprendeu a desvalorizar-se? Quem o ensinou a tal? Mudar de perspectiva ou de crenças (ideias sobre nós, neste caso) custa, não se faz da noite para o dia. Mas da mesma forma que podemos respeitar o ritmo e o processo do outro, também devemos respeitar o nosso. Aceitar o nosso ritmo e processo também.

A cada momento só podemos ser ou funcionar de certa forma. Temos um “chip” ou programação que assim nos obriga. A boa notícia é que podemos mudar esse chip, substituí-lo ou reprogramá-lo. Leva tempo, precisa paciência, determinação, e acima de tudo, convicção. Não podemos transformar-nos de repente em seres calmos, pacientes, confiantes e resolutos. Precisamos de ter calma connosco, calma com o tempo das coisas acontecerem e se desenrolarem.

Somos também almas em crescimento. A mesma dose de compreensão que consegue ter pelos outros seres à sua volta, precisa ter para consigo. Pelo seu próprio processo, pelo seu próprio ritmo e pela forma como tudo pode ser para si, a cada momento. Se tem raiva, força, sinta toda essa raiva. Ou outra emoção. Sinta tudo, tudo a que tem direito, e depois decida, o que quer manter em si e o que não. Sentimentos, emoções, crenças.

Conteste tudo. Reescreva o seu próprio guião. Por ter sido de determinada forma até aqui, não precisa continuar a sê-lo. Não espere demais dos outros, ou não espere aquilo que eles não podem dar ou ser. Liberte os outros desse fardo, libertando-se a si de esperar a mudança ou o comportamento desejado.

Se eu pudesse descrever “karma”, ou o que seria a sua resolução, diria que é o processo pelo qual deixamos de querer que determinada pessoa seja ou faça determinada coisa que nós achamos justo. Que ela peça desculpas, perdoe, compreenda, seja mais gentil, presente, ou o que seja. Somos nós que temos a capacidade de decidir por nós, e nós apenas. Ninguém, na realidade, nos deve algo. Somos nós que colocamos na balança o que é justo ou injusto, o que os outros devem ser para nós ou não. Já pensou a carga de que se libertava se pudesse deixar os outros serem imperfeitamente como são, incluindo você? Experimente…

Verticalidade

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Um tema que gosto de treinar e trabalhar nas minhas consultas é a noção de “verticalidade”. Uma sensação ou ideia que posso descrever como a conexão a um estado ou alinhamento vertical que nos reequilibra e recentra. Que nos traz ao presente e até nós, numa ligação com o todo ou tudo o que é.  Um alinhamento entre nós, o universo e a terra. Nós como uma partícula ou elemento, tal árvore cósmica e individual. O nosso próprio espectro de existência.

Tal como uma linha, que alinha a nossa coluna vertebral, puxa pelo topo da cabeça, como quem toca no tecto, e puxa para baixo, pela base da coluna até ao centro da terra, um centro cristalino ou magma líquido. Do nosso centro para baixo ligamo-nos à terra, energia ancestral, energia terrena, ao nosso propósito ou missão, aceitando-o, seja ele qual for. Do nosso centro para cima ligamo-nos ao universo, plano espiritual ou sabedoria superior, intuitiva, plano da alma e hierarquia espiritual.

Passando pelo nosso corpo, essa linha liga todos os nossos chacras ou centros de energia. Alinha-os, e nós podemos ser um todo inteiro, organizado, no aqui-agora. A horizontalidade é tudo aquilo que nos distrai: os outros, o tempo, as rotinas, as preocupações, o jogo mental e emocional. Na verticalidade somos apenas percorridos por energia, sem pensamento ou emoção. Somos o que somos sem querer ser mais do que aquilo que somos naquele momento. É um estado de presença (e de graça).

Quando nos conseguimos concentrar ou focar, ficando nesse alinhamento, conseguimos recentrar a nossa vida e estado emocional. Ser o olho do furacão, mesmo se tudo estiver a desabar lá fora. O que quer dizer que, independentemente do que esteja a viver ou acontecer na sua vida, naquele momento pode simplesmente ser e simplesmente estar. Ser simplesmente. Estar simplesmente. Nesse raio mental ou alinhamento, pode ver tudo com maior clareza, discernimento ou distanciamento. Não é as situações, as dúvidas, os medos ou as preocupações. Ocupa um lugar único na criação, no palco da sua existência.

Nesse estado podemos ver em todas as direcções, de cima. É um estado que se treina através de actividades meditativas, auto hipnose, reiki, mindfulness ou outras práticas de enraizamento, relaxamento, etc. Quando nos sobre identificamos com a matéria, somos horizontalidade. Dispersamo-nos, descentramo-nos e damos energia a tudo o que, por vezes, é desnecessário. Ruminamos mentalmente sobre demasiada informação, lixo mental e subprodutos da mente. Emoções em massa são produzidas, tal consumismo da era moderna.

O treino do alinhamento é pessoal, único e devia ser instalado, utilizado e praticado, para sociedades mais alinhadas, indivíduos mais presentes e coerentes, pacificados com a própria essência. O alinhamento desta forma é curativo, indutor de paz, harmonizador e complacente. Sejamos inteiros, plenos e equilibrados. Sejamos verticais, com o que a verticalidade obriga. Na própria evolução passamos de caminhar sobre quatro apoios para caminhar verticalmente. A evolução faz-se para cima, verticalmente.

Diálogo de sombras

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Nós temos em nós todas as cores do mundo, todas as emoções e sentimentos. Para as personalidades mais rígidas ou inflexíveis, talvez esses espectro se reduza para metade, pois estas pessoas não se permitem viver ou sentir tudo aquilo que pode ser sentido ou vivido. Mas eu quero falar de cores hoje, de emoções, sentidos e sensações. Tudo o que podemos sentir.

Todos temos em nós também um jogo de luz e sobra, dualidade, bom e mau, positivismo e negativismo, dia e noite, tristeza e alegria. Sabem quantas emoções produzimos por dia? Muitas. Imensas. Muitas pessoas chegam até mim e dizem-me (as mulheres principalmente): “eu devo ser bipolar…”. Bipolaridade é uma doença severa e incapacitante, mas todos temos polaridades, claro. Dualidade. Lado luz e lado sombra.

A teorias espiritualistas falam disso, dessas duas polaridades que carregamos em nós. Expressas pelo consciente e pelo inconsciente, a meu ver. Claro e escuro. O consciente é tudo o que é reconhecido, aceite, conhecido. Inconsciente é algo dúbio, escondido e rejeitado, muitas das vezes. O consciente é luz, superfície, jovial ou leve. O inconsciente é sombra, escuro, profundo e denso.

Muitas emoções derivam do inconsciente, de memórias e situações arquivadas. Muitas emoções derivam também do consciente, dos pensamentos produzidos a cada momento. Mas os pensamentos derivam de crenças maioritariamente inconscientes. As crenças são os grandes blocos que devemos desconstruir e questionar. Podem até ser substituídas ou alteradas, e esse é o grande trabalho da psicologia cognitivo-comportamental.

O diálogo de sombras ocorre, ou pode ocorrer, quando nos cruzamos com pessoas ou situações que mexem connosco, nos desafiam, põem à prova. Esse diálogo pode ser feito conscientemente, questionando-nos, questionando as nossas sombras, limitações, bloqueios, dificuldades ou toda e qualquer tensão ou desconforto que surge. Esse desconforto é master em mostrar-nos um caminho ou uma entrada até nós.

Porque é que essa pessoa o afecta tanto? Porque é que essa situação é tão difícil para si? Porque é que não é capaz disto ou daquilo? O que o prende ou limita? De onde vem? Medo de quê? De quem? Onde aprendeu o que pode ou não pode fazer? Deve ou não fazer, ser ou não ser?

Tantas dúvidas nos atormentam. Devemos entrar nessa sombra, nesse escuro existencial, que contém todas as respostas que precisamos. Precisamos parir-nos a nós próprios, de dentro para fora. Iniciar uma revolução interior, abrir todas as portas e janelas, com tempo, calma e segurança, com alguém que o possa fazer connosco para não irmos sozinhos. Redescobrir-nos, maravilharmo-nos com a contemplação da nossa própria existência.

Somos seres belos e grandiosos, escondidos por capas, camadas e máscaras de convenções sociais e culturais, camadas de dor e densidade, ocultas de todos, até de si. Comecemos por remover essas máscaras, camadas e capas de defesa e protecção que fomos acumulando, mais uma vez, com calma e segurança. Espantar os demónios, medos ou fantasmas que nos habitam, dançarmos com a luz que nos habita, iluminando os recantos escuros da nossa mente e coração.

Potenciais futuros

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Existe sempre algo que nos falta viver. A vida é um bilhete que recebemos ao nascer, um bilhete para participar de um jogo ou de umas férias, com tudo a que temos direito. Momentos felizes, diversão, convívio, amor, paixão, conquistas, mas também infortúnios, perdas, dificuldades, desafios, etc.

Eu acredito sempre que o melhor está por vir. Tudo são fases e ciclos, tudo são acontecimentos e tudo se transforma em memória, e para além de tudo isso, tudo é potencial. Para quem pensa em desistir do jogo da vida: não tem curiosidade para ver o que vem a seguir? Aquilo que é possível conseguir, mudar? Merece a reflexão…

Muitas vidas não são nada fáceis, estão repletas de desafios, limitações e contrariedades. Muitas pessoas têm traços ou características como negativismo, pessimismo, crítica interior, comparação, insegurança ou medo que as limitam de ver em perspectiva, de idealizar ou contemplar outras possibilidades.

A nossa mente é limitada, tem vícios, é orgulhosa e venenosa por vezes, tóxica. Alimenta-se de pensamentos negativos, julgamento, orgulho e estereótipos. É crítica contra si mesma mas não contra os pensamentos que produz. São válidos? São verdadeiros? São actuais? E deixa-se levar por uma correnteza de ruminações e divagações autodepreciativas.

A nossa mente mantém-nos à mercê de nós mesmos, reféns de nós mesmos, às margens de quem podemos ser. Mas existe mais, existe um potencial oculto, ou vários, de acordo com os nossos sonhos e ambições, os nossos dons e potenciais. Todos temos em nós mundos por descobrir e desafiar. Mas com os tais “medos”, traumas ou limitações autoimpostas, os tais pensamentos negativos de “eu não sou capaz/suficiente”, barramos completamente o caminho da concretização dos nossos sonhos e potenciais.

O que entendo como potenciais são todas as possibilidades que existem para uma determinada pessoa num dado momento. “Se o conseguirmos imaginar, conseguimos sê-lo”, é o que costumo dizer sempre. As pessoas mais bem sucedidas são aquelas que criaram imagens bem claras de onde queriam chegar, quem queriam ser e como, como se querem sentir e o que querem ter. Sem isso não há objectivos de vida. Há que ter clareza no que se quer, discernimento.

Todos querem ser ricos, bonitos, elegantes e felizes. Mas há que traçar o caminho, delinear metas e objectivos, realistas e progressivos. Ir decidindo a cada momento aquilo que se pode ser. Não podemos pular etapas, tem de ser conquistado. Há vários caminhos possíveis para nós, de acordo com o nosso potencial, nível de inteligência, competências, temperamento, etc. E com esse conjunto de características, há várias possibilidades. Há que explorá-las e conquistá-las.

Todos podemos ir muito longe com o que nos foi dado, temos é de “escavar”, por vezes, que património é esse que temos e de que forma o podemos potenciar e transformar em um caminho de conquistas e felicidade. Daí o trabalho de autoconhecimento e autodesenvolvimento ser de extrema importância. Conhecendo os limites e os potenciais, pode esculpir-se uma bonita vida que vamos gostar de viver, com tudo aquilo a que temos direito.

Perfeccionismo e tolerância

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O perfeccionismo é uma coisa muito comum. A necessidade de controlo e a baixa tolerância ao erro também. O sermos muito críticos e duros connosco também e deriva tudo do mesmo lugar: cultura e educação ou repetição de padrões.

Os nossos pais tiveram educações muito severas, não esquecer que os nossos ancestrais são de uma época pré 25 de abril, e os nossos pais têm as influencias ditatoriais que experimentaram na primeira mão ou através dos próprios pais, neste caso nossos avós. Principalmente para quem tem actualmente cerca de 30 anos ou mais, vem como prole de uma geração sofrida, trabalhadora, humilde e submissa à lei ou autoridade vigente.

Nós somos uma geração reivindicativa, que nasceu em liberdade e cujos pais já puderam dar outro tipo de condições, como pagar estudos superiores, dar brinquedos, etc. Somos uma geração digital, com cultura, formação, conhecimento e liberdade de expressão e de movimentos. Tivemos a vida facilitada, de certa forma. Não falo aqui de excepções, que sempre as há, mas nós somos a geração de transição.

Transição de quê? De hábitos, costumes e tradições. O que dantes não era permitido agora já o é. O que era proibido tornou-se banal. Podemos ser quem quisermos, fazermos o que quisermos (dentro das normas) e ir onde quisermos, com toda a liberdade possível. Mas somos fruto da geração pré 25 de abril… O que quer dizer que ainda carregamos em nós memórias, registos ou padrões recebidos culturalmente que são passados pela educação que temos em casa, mas também fora dela.

Essa educação ensinou-nos, de certa forma, a termos medo do sucesso, da atenção, da glória ou prosperidade. Ensinou-nos que temos de baixar a cabeça, ser obedientes, suportar a crítica ou autoridade. Temos de ser humildes e cumprir as regras, o que nos é dito. Não podemos ser vaidosos ou egoístas, devemos dar o corpo ao trabalho, trabalhar até nos ser possível trabalhar, receber o que nos pagam e contentarmo-nos com isso, vivendo uma vida mais ou menos remediada.

Devemos seguir o molde tradicional de estudar, arranjar um trabalho, constituir família e ir de férias ocasionalmente, ocupando-nos dos créditos habitação e automóvel. Isto é o modelo do passado, aquele modelo que ainda repetimos ou tentamos repetir. Porquê? Porque é que isso é o correcto e o universal? Está escrito na bíblia. Teve de se criar uma organização social de forma ao povo estar controlado e ter comportamentos previsíveis. E assim se estruturam culturas e sociedades.

Estou a ser muito redutora aqui mas é para fazer um enquadramento à coisa. Então onde encaixa aqui o tema do perfeccionismo e a tolerância? Somos perfeccionistas porque fomos educados para evitar o erro (e o castigo, consequentemente) a todo o custo. Para evitarmos o castigo (e o erro) controlamo-nos ou monitorizamo-nos constantemente, ainda assim não tenhamos um deslize irremediável para as nossas vidas.

Nós humanos fazemos de tudo para evitar a dor, o desconforto, então protegemo-nos. Que melhor forma de proteção arranja a nossa querida mente? Fazer tudo de forma a não errar: perfeccionismo. Com o perfeccionismo, carregamos todos um soldado interior hipervigilante, descontente, crítico, ríspido e empedernido que nos tem sempre debaixo de olho. É uma questão de vida ou de morte, falhar não é aceitável. Errar é motivo de uma grande repreensão.

Mas o que é a vida senão tentativa e erro? Fracasso, frustração e desilusão? Tem todas as coisas boas, mas não podemos passar sem o resto, toda a panóplia de emoções do branco ao preto. Errar é humano. As nossas mentes precisam aprender que já não vivemos numa ditadura. Que podemos viver livremente e não estamos sob o escrutínio de ninguém, nenhum governo, sem ser o nosso.

Precisamos aprender a tolerância. Exercitar a tolerância. Tolerância a nós, à nossa mente primitiva que aprendeu assim, tolerância ao erro e ao fracasso e tolerância à vida, a quem nos ensinou ou aprendeu que tinha de ser de determinada forma. Forma essa que já não cabe mais em quem somos ou podemos ser actualmente.

Eu voto na actualização do “governo mental” para um governo liberal, positivo, empoderador, tolerante e benevolente. Crítico sim, mas uma crítica que nos leva ao crescimento e evolução e não ao sofrimento ou à dúvida sobre o nosso valor e quem podemos ser.