O ciclo de vida depois dos 60

10.25.15-Happy-Older-Woman

Erik Erickson, na sua teoria dos estádios de desenvolvimento psicossocial, defende que existem 8 estádios ou 8 idades da vida. Vale a pena conhecer essas várias “idades” e as suas crises subjacentes. Na idade adulta serão dois os estádios, o da Generatividade versus Estagnação, dos 30 aos 60 anos (relativo a constituição de família e carreira) e o da Integridade versus Desespero, a partir dos 60 e é deste último que gostaria de falar.

Depois da família constituída, do término da carreira (ou vias de), as pessoas nesta idade deparam-se com algumas questões como: Quem sou eu agora? Qual o meu propósito e utilidade daqui para a frente? O que fazer nos anos que me restam? Qual a minha missão? Usei bem o meu tempo de vida? O que gostaria de ter feito e não fiz? Dentro dos caminhos que tinha disponíveis, será que escolhi os melhores?

Depois dos filhos estarem crescidos e eles próprios casados e com filhos, quando o marido ou companheiro já faleceu ou houve um divórcio ou separação, quando a carreira chegou ao fim e se entrou na reforma, o que fazer com o tempo livre? Quando agora sou só eu? Não existem muitas mais décadas pela frente ou pelo menos não uma vida inteira, não como aos 20 ou aos 30 em que nos julgamos quase imortais, a morte ou o fim de vida não está nas nossas ideias recorrentes, mas sim como conseguir subir na carreira ou ganhar mais dinheiro, mudar de profissão, seguir os sonhos, criar um projeto pessoal ou profissional, viajar, melhorar o nosso estilo de vida, ter filhos , casar, atingir o corpo de sonho, etc.

Nos 60+ utilizam-se todos os travões e a constatação de que o fim da existência poderá estar ao virar da esquina traz uma série de anseios, dúvidas existenciais e um balanço de tudo o que aconteceu até então. O Desespero surge de se achar que não se fez tudo o que se podia, ou não se fez o melhor possível, ou que se deixou muito que fazer ou dizer, que não se aproveitaram oportunidades ou que se perderam muitas possibilidades. Essas consequências podem derivar de excesso de orgulho, zelo, autocontrolo, ambição, falta de discernimento, falta de perdão, e toda uma miríade de motivos relacionados com a nossa complexidade.

Por outro lado, a Integridade surge do sentimento de autorealização pessoal, familiar, relacional ou profissional. Quando a existência em si faz sentido e se pode encontrar satisfação nas concretizações e realizações alcançadas até então;  um sentimento de apreço sobre a sua história de vida, os vários marcos importantes que a constituem, e a sensação que fica é de orgulho, estima e aceitação.

Ainda que não se tenha vivido tudo, ainda que não tenham sido possíveis todas as coisas desejadas, ou algo tenha ficado por dizer ou fazer, o que muda é o enquadramento que a pessoa faz dessas situações, o sentido dado à sua história de vida: que se fez o melhor em todas as situações, que se decidiu sempre no limite da compreensão e consciência, dados os conhecimentos, circunstâncias, experiência e conhecimentos que se tinha na altura.

Penso que se poderia introduzir esta qualidade em todas as fases de vida, principalmente a partir da fase adulta, dos 30 para a frente, quando se começam a questionar as escolhas de vida: Aceitação. Aceitação do que foi e Aceitação do que é e há de vir. Aceitação não é resignação ou conformismo. É aceitação de quem somos e conseguimos ser em cada momento, mais uma vez, dados os conhecimentos, experiência, consciência e possibilidades que temos disponíveis nesse dado momento.

O que fazer daqui para a frente? Dar sentido à sua história de vida. Reescrevê-la ou reenquadrá-la o melhor que pode, apreciando o que tem atualmente, aceitando o que foi, perdoando as ofensas dos outros ou os castigos que se deu a si própria, a culpa de não ter sido melhor, feito melhor ou diferente; aceitação, amor incondicional por quem é agora e por quem foi capaz de ser. Encontrar e sentir esta estima e apreço por si e pela sua vida deve ser tarefa para o resto da vida.

Encontrar o propósito atual também, principalmente se já não trabalha: cuidar de si, com atividades que possa fazer que lhe tragam prazer, em casa ou fora, sozinha ou acompanhada; ir àquele sítio onde sempre quis ir, tratar bem de si e do seu corpo; ter um animal de estimação ou plantas que possa cuidar; começar um curso, fazer um retiro, aprender algo novo, ler aqueles livros que deixou em pausa por não ter tempo, encontrar uma ocupação, um trabalho de voluntariado, conectar-se com outras pessoas através de grupos de caminhadas, religião… A vida continua. Você continua, e os seus interesses, desejos e aspirações também.

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