Perguntas mais frequentes sobre a consulta de Hipnoterapia

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Vou ficar inconsciente?

Não. Vai estar sempre consciente de todo o processo, vai poder ouvir-me e responder-me, vai apenas estar num estado relaxado e atento ao exercício. O máximo que pode acontecer é deixar-se dormir, mas isso e raro de acontecer.

Vou conseguir relaxar o suficiente para conseguir fazer os exercícios?

Um simples e breve relaxamento é tudo o que é preciso para permitir-se imaginar e ir seguindo as sugestões dadas. Todos nós conseguimos imaginar, sentir e fantasiar sobre um dado assunto, como tal as práticas sugeridas em sessão são exactamente isso: ir imaginado e seguindo um exercício guiado.

Vou ficar em transe? O que é isso do transe? Vou perder a minha vontade própria?

O ”transe” significa um estado alterado de consciência ou estado de relaxamento em que o nosso cérebro funciona com uma amplitude eléctrica diferente do estado de vigília (estado desperto e consciente). O “transe” em hipnoterapia significa um estado de atenção focada às sugestões dadas pelo terapeuta e no estado interior que se vai desenvolvendo com o exercício.

E se eu não conseguir…? A minha mente não pára nunca… Não consigo relaxar.

Pode ficar mais ou menos à vontade, ter mais ou menos dúvidas ou resistências ao “deixar-se” ir num exercício de relaxamento, mas como qualquer prática ou novidade, ao experimentar alguns exercícios e permitindo-se relaxar e confiar no processo, pode ir conseguindo um estado cada vez maior e mais duradouro de relaxamento e atenção ao exercício. Por isso vão sendo dadas sugestões para que a sua mente se possa ir ocupando dos estímulos interiores propostos no exercício.

Como é que a hipnose me pode ajudar?

Através de um processo chamado “ressignificação”. Vão ser revisitados episódios da sua vida, que podem estar mais ou menos conscientes, que podem estar na origem do sofrimento ou problema actual. Vão ser trabalhadas emoções, contestadas crenças e pensamentos que sempre fizeram parte da sua vida mas que não servem mais nenhum propósito actual. Vai ser lançado um foco de consciência àquilo que estava inconsciente para que se possa libertar de aspectos e padrões de funcionamento menos positivos. É um trabalho de autoconhecimento e autodesenvolvimento.

Vou ver coisas assustadoras que não vou gostar?

A sua mente vai estar a trabalhar a todos os níveis para que possa atingir o resultado mais benéfico possível com a terapia, havendo uma lógica subjacente a todas as visualizações que vai tendo, pois os exercícios propostos vão desbloquear informações guardadas no inconsciente, informações que vão aparecendo na sua tela mental de forma simbólica para que possam ser manipuladas/trabalhadas de forma metafórica. E na terapia, está a fazer uma viagem consciente, em conjunto com uma outra pessoa qualificada em guiar todo o processo, por isso estará sempre em segurança. Experimente e verá que não há nada com o que se preocupar!

Trabalho com a criança interior

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Já se começa a falar muito no trabalho com a criança interior como um recurso terapêutico, principalmente quando se fala em “curar” o passado, em traumas ou situações que parecem bloqueadas na vida de uma pessoa. Vem sempre aquele amigo ou amiga mais “dentro” e diz: lá está, tens de trabalhar a tua criança interior. Se em hipnose trabalhamos a criança interior? Claro que sim! É um dos recursos e ferramentas mais valiosos a utilizar na terapia. E o que é a criança interior afinal? São partes nossas carentes, feridas, magoadas, revoltadas, assustadas, etc. E o que nos toca a nós fazer por ela (por essas partes)? Ir ao encontro delas, acolher, perceber, sentir, receber a mensagem, o insight, e devolver aquilo que está em falta, acarinhar, compreender, aceitar perdoar e perdoar-se por uma séria de situações que possam estar cristalizadas no corpo de dor que cada um carrega como uma identidade própria. E esse corpo de dor é exactamente a mistura de todas essas partes, que foram feridas em variadas idades, alturas e situações. Através da regressão “viajamos” a esses momentos para descondicionar, libertar e ultrapassar os condicionamentos aí criados e incorporados na nossa psique.

Às mulheres que pensam demais

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Aos eternos porquês, ao tentar perceber tudo ao mais ínfimo detalhe, ao não parar de pensar em tudo o que lhes é dito e feito, interpretar tudo sobre uma série de prismas, os “serás que”, os “ses”, o tentar dar conta de tudo e de todos e perder a cabeça pelo meio, sempre achar que é de menos, que devia fazer mais, ser mais, ser aquilo que não é sei-lá-porquê; procurar sempre ter as escolhas mais elevadas possíveis, ser correta em todos os momentos, não passar por cima de ninguém, sempre respeitar tudo e todos, menos a vontade própria muitas vezes; viajar fundo no seu mundo interior, viajar fora do seu mundo e dos seus pensamentos e emoções, procurar muito e sempre por aquele algo constantemente inalcançável, aquele sonho e aquela perfeição construída no mundo dos seus sonhos, mente e imaginário; aquele cenário perfeito de coisas perfeitas e sentimentos queridos, que sempre buscam para condizer com o seu olhar de menina quase ingénua e inocente, que sempre faz por acreditar, à espera do mundo lhe trazer aquelas coisas doces e amorosas, a condizer também com o seu coração valente, que todos os dias diz para si mesma: só mais um dia, hoje vai ser bom, hoje vou fazer acontecer, hoje vou ser capaz! A essas mulheres, um beijo e abraço no coração. Que saibam sempre manter-se fortes. São elas que colorem o nosso mundo de beleza, delicadeza e pureza. 

Acerca do Vazio

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O caminho para a liberdade não se dá sem medo nem sofrimento, porque para o fazermos, temos de dar passos de fé no vazio, no desconhecido, num espaço isento de retóricas, ideias, ideais, padrões conhecidos, vozes e definições conhecidas, pré-conceitos, culpa, vergonha ou herança. Esse espaço é longe mas bem fundo em nós, fora de todas as rotas conhecidas.

No meu trabalho deparo-me com muita gente a cair nesse tal “vazio” ou ausência de tudo, um espaço escuro, um buraco negro, um tremendo nada… É aterrorizador, não haver nada à volta. Nada a nos suportar. Mas eu digo, e confio: “Entra, entra nesse vazio. Mergulha nele e vê onde ele te leva… Faz as pazes com os teus medos. O medo nada mais é que isto – estar sem referências”.

Podemos encontrar a paz nesse nada. É aí que a alma imortal reside, no espaço de todas as coisas possíveis. No Nada que também é Tudo.

A Pequena Alma e o Sol

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Conto de Neale Donald Walsch que toda a gente devia conhecer:

Era uma vez, em tempo nenhum, uma Pequena Alma que disse a Deus:
– Eu sei quem sou!
E Deus disse:
– Que bom! Quem és tu?
E a Pequena Alma gritou: – Eu sou Luz
E Deus sorriu.
– É isso mesmo! – exclamou Deus – Tu és Luz!
A Pequena Alma ficou muito contente, porque tinha descoberto aquilo que todas as almas do Reino deveriam descobrir. – Uauu, isto é mesmo bom! – disse a Pequena Alma.
Mas, passado pouco tempo, saber quem era já não lhe chegava. A pequena Alma sentia-se agitada por dentro, e agora queria ser quem era. Então foi ter com Deus (o que não é má ideia para qualquer alma que queira ser Quem Realmente É) e disse:
– Olá Deus! Agora que sei Quem Sou, posso sê-lo?
E Deus disse:
– Quer dizer que queres ser Quem já És?
– Bem, uma coisa é saber Quem Sou, e outra coisa é sê-lo mesmo. Quero sentir como é ser a Luz! – respondeu a pequena Alma.

– Mas tu já és Luz – repetiu Deus, sorrindo outra vez.
– Sim, mas quero senti-lo! – gritou a Pequena Alma.
– Bem, acho que já era de esperar. Tu sempre foste aventureira – disse Deus com uma risada. Depois a sua expressão mudou.
– Há só uma coisa…
O quê? – perguntou a Pequena Alma.
– Bem, não há nada para além da Luz. Porque eu não criei nada para além daquilo que tu és; por isso, não vai ser fácil experimentares-te como Quem És, porque não há nada que tu não sejas.
– Hã? – disse a Pequena Alma, que já estava um pouco confusa.
– Pensa assim: tu és como uma vela ao Sol. Estás lá sem dúvida. Tu e mais milhões, ziliões de outras velas que constituem o Sol. E o Sol não seria o Sol sem vocês. “Não seria um sol sem uma das suas velas… e isso não seria de todo o Sol, pois não brilharia tanto. E no entanto, como podes conhecer-te como a Luz quando estás no meio da Luz – eis a questão”.
– Bem, tu és Deus. Pensa em alguma coisa! – disse a Pequena Alma mais animada.

Deus sorriu novamente.
– Já pensei. Já que não podes ver-te como a Luz quando estás na Luz, vamos rodear-te de escuridão – disse Deus. – O que é a escuridão? perguntou a Pequena Alma.
– É aquilo que tu não és – replicou Deus.
– Eu vou ter medo do escuro? – choramingou a Pequena Alma.
– Só se o escolheres. Na verdade não há nada de que devas ter medo, a não ser que assim o decidas. Porque estamos a inventar tudo. Estamos a fingir.
– Ah! – disse a Pequena Alma, sentindo-se logo melhor.

Depois Deus explicou que, para se experimentar o que quer que seja, tem de aparecer exactamente o oposto.
– É uma grande dádiva, porque sem ela não poderíamos saber como nada é – disse Deus – Não poderíamos conhecer o Quente sem o Frio, o Alto sem o Baixo, o Rápido sem o Lento. Não poderíamos conhecer a Esquerda sem a Direita, o Aqui sem o Ali, o Agora sem o Depois. E por isso, – continuou Deus -quando estiveres rodeada de escuridão, não levantes o punho nem a voz para amaldiçoar a escuridão.

“Sê antes uma Luz na escuridão, e não fiques furiosa com ela. Então saberás Quem Realmente És, e os outros também o saberão. Deixa que a tua Luz brilhe tanto que todos saibam como és especial!”
– Então posso deixar que os outros vejam que sou especial? – perguntou a Pequena Alma.
– Claro! – Deus riu-se. – Claro que podes! Mas lembra-te de que “especial” não quer dizer “melhor”! Todos são especiais, cada qual à sua maneira! Só que muitos esqueceram-se disso. Esses apenas vão ver que podem ser especiais quando tu vires que podes ser especial!

– Uau – disse a Pequena Alma, dançando e saltando e rindo e pulando. – Posso ser tão especial quanto quiser! – Sim, e podes começar agora mesmo – disse Deus, também dançando e saltando e rindo e pulando juntamente com a Pequena Alma – Que parte de especial é que queres ser?
– Que parte de especial? – repetiu a Pequena Alma. – Não estou a perceber.

– Bem, – explicou Deus – ser a Luz é ser especial, e ser especial tem muitas partes. É especial ser bondoso. É especial ser delicado. É especial ser criativo. É especial ser paciente. Conheces alguma outra maneira de ser especial?
A Pequena Alma ficou em silêncio por um momento.
– Conheço imensas maneiras de ser especial! – exclamou a Pequena Alma – É especial ser prestável. É especial ser generoso. É especial ser simpático. É especial ser atencioso com os outros.

– Sim! – concordou Deus – E tu podes ser todas essas coisas, ou qualquer parte de especial que queiras ser, em qualquer momento. É isso que significa ser a Luz.
– Eu sei o que quero ser, eu sei o que quero ser! – proclamou a Pequena Alma com grande entusiasmo. – Quero ser a parte de especial chamada “perdão”. Não é ser especial alguém que perdoa?
– Ah, sim, isso é muito especial, assegurou Deus à Pequena Alma.
– Está bem. É isso que eu quero ser. Quero ser alguém que perdoa. Quero experimentar-me assim – disse a Pequena Alma. – Bom, mas há uma coisa que devias saber – disse Deus.

A Pequena Alma já começava a ficar um bocadinho impaciente. Parecia haver sempre alguma complicação.
– O que é? – suspirou a Pequena Alma.
– Não há ninguém a quem perdoar.
– Ninguém? A Pequena Alma nem queria acreditar no que tinha ouvido.
– Ninguém! – repetiu Deus. Tudo o que Eu fiz é perfeito. Não há uma única alma em toda a Criação menos perfeita do que tu. Olha à tua volta.

Foi então que a Pequena Alma reparou na multidão que se tinha aproximado. Outras almas tinham vindo de todos os lados – de todo o Reino – porque tinham ouvido dizer que a Pequena Alma estava a ter uma conversa extraordinária com Deus, e todas queriam ouvir o que eles estavam a dizer.
Olhando para todas as outras almas ali reunidas, a Pequena Alma teve de concordar. Nenhuma parecia menos maravilhosa, ou menos perfeita do que ela. Eram de tal forma maravilhosas, e a sua Luz brilhava tanto, que a Pequena Alma mal podia olhar para elas.

– Então, perdoar quem? – perguntou Deus.
– Bem, isto não vai ter piada nenhuma! – resmungou a Pequena Alma – Eu queria experimentar-me como Aquela que Perdoa. Queria saber como é ser essa parte de especial.
E a Pequena Alma aprendeu o que é sentir-se triste.
Mas, nesse instante, uma Alma Amiga destacou-se da multidão e disse:
– Não te preocupes, Pequena Alma, eu vou ajudar-te – disse a Alma Amiga.
– Vais? – a Pequena Alma animou-se. – Mas o que é que tu podes fazer?
– Ora, posso dar-te alguém a quem perdoares!
– Podes?

– Claro! – disse a Alma Amiga alegremente. – Posso entrar na tua próxima vida física e fazer qualquer coisa para tu perdoares.
– Mas porquê? Porque é que farias isso? – perguntou a Pequena Alma. – Tu, que és um ser tão absolutamente perfeito! Tu, que vibras a uma velocidade tão rápida a ponto de criar uma Luz de tal forma brilhante que mal posso olhar para ti! O que é que te levaria a abrandar a tua vibração para uma velocidade tal que tornasse a tua Luz brilhante numa luz escura e baça? O que é que te levaria a ti, que danças sobre as estrelas e te moves pelo Reino à velocidade do pensamento, a entrar na minha vida e a tornares-te tão pesada a ponto de fazeres algo de mal?

– É simples – disse a Alma Amiga. – Faço-o porque te amo.
A Pequena Alma pareceu surpreendida com a resposta.
– Não fiques tão espantada – disse a Alma Amiga – tu fizeste o mesmo por mim. Não te lembras? Ah, nós já dançámos juntas, tu e eu, muitas vezes. Dançámos ao longo das eternidades e através de todas as épocas. Brincámos juntas através de todo o tempo e em muitos sítios. Só que tu não te lembras. Já fomos ambas o Todo. Fomos o Alto e o Baixo, a Esquerda e a Direita. Fomos o Aqui e o Ali, o Agora e o Depois. Fomos o Masculino e o Feminino, o Bom e o Mau – fomos ambas a vítima e o vilão. Encontrámo-nos muitas vezes, tu e eu; cada uma trazendo à outra a oportunidade exacta e perfeita para Expressar e Experimentar Quem Realmente Somos.

– E assim, – a Alma Amiga explicou mais um bocadinho – eu vou entrar na tua próxima vida física e ser a “má” desta vez. Vou fazer alguma coisa terrível, e então tu podes experimentar-te como Aquela Que Perdoa.
– Mas o que é que vais fazer que seja assim tão terrível? – perguntou a Pequena Alma, um pouco nervosa. – Oh, havemos de pensar nalguma coisa – respondeu a Alma Amiga, piscando o olho.

Então a Alma Amiga pareceu ficar séria, disse numa voz mais calma:
– Mas tens razão acerca de uma coisa, sabes?
– Sobre o quê? – perguntou a Pequena Alma.
– Eu vou ter de abrandar a minha vibração e tornar-me muito pesada para fazer esta coisa não-muito-boa. Vou ter de fingir ser uma coisa muito diferente de mim. E por isso, só te peço um favor em troca.
– Oh, qualquer coisa, o que tu quiseres! – exclamou a Pequena Alma, e começou a dançar e a cantar: – Eu vou poder perdoar, eu vou poder perdoar!
Então a Pequena Alma viu que a Alma Amiga estava muito quieta.
– O que é? – perguntou a Pequena Alma. – O que é que eu posso fazer por ti? És um anjo por estares disposta a fazer isto por mim!
– Claro que esta Alma Amiga é um anjo! – interrompeu Deus, – são todas! Lembra-te sempre: Não te enviei senão anjos. E então a Pequena Alma quis mais do que nunca satisfazer o pedido da Alma Amiga.
– O que é que posso fazer por ti? – perguntou novamente a Pequena Alma.
– No momento em que eu te atacar e atingir, – respondeu a Alma Amiga – no momento em que eu te fizer a pior coisa que possas imaginar, nesse preciso momento…
– Sim? – interrompeu a Pequena Alma – Sim?
A Alma Amiga ficou ainda mais quieta.
– Lembra-te de Quem Realmente Sou.
– Oh, não me hei-de esquecer! – gritou a Pequena Alma – Prometo! Lembrar-me-ei sempre de ti tal como te vejo aqui e agora.

– Que bom, – disse a Alma Amiga – porque, sabes, eu vou estar a fingir tanto, que eu própria me vou esquecer. E se tu não te lembrares de mim tal como eu sou realmente, eu posso também não me lembrar durante muito tempo. E se eu me esquecer de Quem Sou, tu podes esquecer-te de Quem És, e ficaremos as duas perdidas. Então, vamos precisar que venha outra alma para nos lembrar às duas Quem Somos.
– Não vamos, não! – prometeu outra vez a Pequena Alma. – Eu vou lembrar-me de ti! E vou agradecer-te por esta dádiva – a oportunidade que me dás de me experimentar como Quem Eu Sou.

E assim o acordo foi feito. E a Pequena Alma avançou para uma nova vida, entusiasmada por ser a Luz, que era muito especial, e entusiasmada por ser aquela parte especial a que se chama Perdão. E a Pequena Alma esperou ansiosamente pela oportunidade de se experimentar como Perdão, e por agradecer a qualquer outra alma que o tornasse possível.

E, em todos os momentos dessa nova vida, sempre que uma nova alma aparecia em cena, quer essa nova alma trouxesse alegria ou tristeza – principalmente se trouxesse tristeza – a Pequena Alma pensava no que Deus lhe tinha dito.
– Lembra-te sempre – Deus aqui tinha sorrido – não te enviei senão anjos.

A Regressão na Hipnoterapia

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O que é?

A regressão é uma das várias técnicas que podem ser utilizadas pela hipnoterapia. Nesta técnica a pessoa tem a possibilidade de rememorar ou evocar algo que estava esquecido ou que não estaria tão claro ou presente na sua mente consciente, considerando que há situações que tiveram um impacto profundo sem que a pessoa disso se aperceba, situações que produziram um trauma ou transtorno, numa altura da sua vida quando ainda não tinha condições ou maturidade para lidar com o sucedido, em termos emocionais e psicológicos. Podem também ser trabalhadas experiências de vidas passadas, se isso fizer parte do sistema de crenças da pessoa.

Como se faz?

Num estado de relaxamento físico e mental, recorrendo-se a técnicas de imaginação e visualização, é permitido ao indivíduo aceder às suas memórias, conscientes ou inconscientes, de diferentes alturas da sua vida, ou até de uma altura muito atrás do tempo, que poderá representar aquilo que serão as vidas passadas, trabalhar essas memórias, situações ou momentos e resolver os conflitos aí originados, conseguindo-se assim mudanças significativas no funcionamento actual da pessoa ou até mesmo a resolução de um ou vários problemas que tenha apresentado até então.

Essas memórias são reais?

Estas experiências podem ter acontecido realmente ou podem ser histórias ou metáforas que a mente produziu como defesa, para não observar ou contactar directamente com o momento do trauma por este ser demasiado doloroso. Mas mesmo que seja uma realidade criada pelo inconsciente da pessoa, isso não é importante para o curso e resultado da terapia, pois no fundo são recursos valiosos que a mente traz para serem trabalhados de forma simbólica, ajudando a pessoa a ultrapassar determinados sentimentos ou sensações que a tenham acompanhado até então.

Porquê utilizar regressão?

A regressão terapêutica é utilizada com o objectivo de resolver situações que, por terem tido um impacto negativo no sistema emocional do indivíduo, não conseguem ser lembradas, parcialmente ou completamente, de forma consciente. Como tal, num ambiente seguro e abordagem controlada, acedem-se a essas memórias ou situações, de forma a serem resolvidas e deixarem de produzir um efeito negativo na vida da pessoa.

A regressão terapêutica pode ajudar a resolver ou atenuar situações relacionadas com ansiedade, fobias, pânico, trauma, compulsões, luto, baixa auto-estima, timidez, perturbações do comportamento alimentar, disfunções sexuais, dores crónicas, etc.

É seguro?

Sim, a pessoa estará sempre no controlo de si e do seu corpo, apesar de poder ter sensações ou emoções intensas. O terapeuta estará sempre a garantir que o processo aconteça da forma mais suave possível, com o menor desconforto possível. Não esquecer que tudo o que está a acontecer é na mente/imaginário/interior da pessoa. O corpo dela estará a repousar seguramente na cadeira ou cadeirão e a qualquer momento pode ser interrompido o processo, se a pessoa não desejar continuar, sem prejuízo e regressando a um estado de calma no aqui e agora.

Qualquer pessoa pode fazer regressão?

Se fizer sentido no decorrer do trabalho terapêutico, e considerando que a regressão é tão simplesmente revisitar uma memória ou acontecimento passado, qualquer pessoa o pode fazer. Há pessoas que são mais visuais que outras, mas todos nós conseguimos relembrar pelo menos parte do nosso passado. Com técnicas específicas, vai expandido-se essa capacidade até que o que é importante possa ser trabalhado.

Perguntas frequentes sobre a hipnose

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Toda as pessoas conseguem ser hipnotizadas?

Em princípio, se não existir qualquer perturbação psíquica ou deficiência cognitiva, qualquer pessoa é capaz de relaxar física e mentalmente, podendo ser convidada a visualizar e a entrar
num estado mais profundo de relaxamento.

E todas podem ser hipnotizadas?

Desde que o terapeuta siga alguns procedimentos em função do estado emocional da pessoa que se dispõe à experiência, todos os indivíduos poderão ser hipnotizados. Por vezes, inicialmente, com propostas mais simples de focagem de atenção e ou de relaxamento, para gradualmente se poderem propor exercícios mais complexos. Será tão seguro como fazer meditação guiada ou uma oração. O terapeuta deverá ter também em conta alguma eventual medicação que o sujeito possa estar a tomar, bem como o estado geral de saúde física do mesmo.

Aquilo que vai acontecer é aquilo que costumo ver na televisão ou na internet? As pessoas parece que “apagam”…

Muito provavelmente isso não acontecerá. A maior parte dos exercícios é feita num estado de relaxamento leve, em que a pessoa apenas fecha os olhos, relaxa e visualiza. À medida que se vai sentindo mais confortável com a técnica e com o terapeuta, a experiência de “meditação” ou relaxamento tende a ser mais profunda e por vezes esse “desligar” ocorre. Mas esse será apenas indício de um mais profundo estado de relaxamento.

O facto de eu ser hipnotizável ou sugestionável é indício de que sou uma pessoa fraca?

Antes pelo contrário, quanto mais seguro de si se sentir melhor funcionará todo o processo. A hipnose não é um jogo de vontades ou de dominação, a pessoa aceita o terapeuta como seu co-piloto numa série de exercícios. Você estará sempre ao volante e em controlo.

Vejo na televisão aqueles casos em que o hipnotizador toca na pessoa ou estala os dedos e ela fica em transe. É assim tão rápido e imediato?

Muitas vezes aquilo que vemos na televisão é apenas a parte editada de um processo mais completo. Antes disso as pessoas são normalmente preparadas ou instaladas sugestões para facilitar essas técnicas. No caso da hipnose de palco, os hipnotistas fazem testes de triagem à audiência, seleccionando com esses testes os indivíduos que por uma ou outra razão estão, naquele momento, mais sugestionáveis. Uma vez feita esse filtro, e tendo em conta o facto de esses voluntários serem o centro das atenções, fenómenos de elevada sugestionabilidade podem ocorrer. Em sessões terapêuticas, algumas dessas técnicas de indução rápida poderão ser usadas, sempre com o conhecimento e concordância da pessoa.

Já fiz meditação, reiki e algumas aula de yoga. É parecido?

Os estados de focagem de atenção e de relaxamento poderão ser muito semelhantes. A diferença é, acima de tudo, em como o exercício é realizado, com a personalização que o terapeuta é capaz de introduzir no exercício, uma vez que há a partilha verbal durante o exercício, para além de uma atenção permanente à linguagem corporal e de um respeito pelas crenças e criatividade da pessoa.

Não consigo “ver” nada quando fecho os olhos. Quando os fecho, está tudo escuro!

Não precisa ver para imaginar. Existem pessoas que poderão ser consideradas mais “visuais”, que mais facilmente colocam imagens na sua mente. Outras mais cinestésicas, que imaginam através de outros sentidos (olfacto, tacto, audição…) e outras ainda que se permitem ir partilhando ou responder a perguntas de certa forma, sem que haja um prévio pensamento mas sim apenas uma sensação. A sua imaginação poderá funcionar de muitas formas e dimensões.

Durante a sessão poderei mexer-me?

Não só poderá como deverá mexer-se sempre que tenha necessidade. O seu conforto é fundamental, podendo ajustar-se na cadeira ou sofá até encontrar a melhor posição, coçando o nariz, espirrando ou tossindo, se necessário. É importante não reprimir nada. As pessoas interrompem o exercício sempre que quiserem ou precisarem. O convite à partilha do que vai sendo sentido é permanente e a verbalização do sujeito é reforçada. Não deverá ser a pessoa a adaptar-se ao terapeuta, mas sim o terapeuta adaptar-se à pessoa e às suas necessidades.

Há o perigo de não acordar?

Não existe esse risco, mesmo que você adormeça em algumas partes do exercício, você irá continuar a ouvir a voz do operador que, de uma forma atenta, irá acompanhando o seu estado de relaxamento até ao final do exercício. Eventualmente, em função da profundidade e duração do exercício, o fim poderá ser mais ou menos energizante ou dinâmico para que a atenção seja novamente focada no momento presente e nas sensações normais de um estado de alerta.

As mudanças de comportamento que são feitas com recurso à hipnose são limitadas no tempo?

Dependendo do tipo de situação, algumas dessas mudanças terão de ser consolidadas ou reforçadas para se automatizarem e se tornarem inconscientes. Não sendo no entanto necessário o recurso a um hipnoterapeuta, uma vez que a pessoa o poderá fazer através da auto-hipnose, da auto-sugestão e da instalação e prática de novas rotinas.

Quando terminar a sessão posso realizar as minhas tarefas habituais, como ir trabalhar, guiar um carro, etc.?

Sairá da sessão como quem acorda de uma sesta tranquila, pelo que poderá sentir alguma letargia ou sonolência residual que se vai dissipando ao longo do tempo. Poderá fazer tudo o que se propõe fazer eventualmente até com mais energia, depois de caminhar um pouco, apanhar um pouco de ar ou de luz.

Deverei preparar-me de forma especial para a sessão?

Deverá trazer consigo apenas vontade de mudar e alguma abertura para experimentar, aprender e treinar as técnicas que lhe irão ser propostas. Fisicamente, ir com uma roupa confortável para a sessão, evitando cintos, roupas ou sapatos apertados, gravatas, etc. Evitar o consumo de estimulantes como a cafeína e o álcool previamente à sessão. Se estiver fisicamente menos bem com uma constipação ou algum outro mal-estar físico temporário, talvez seja preferível reagendar a sessão. Será também importante que, caso o assunto que queira abordar, tenha uma dimensão física (dor, mal-estar, dificuldades de mobilidade ou outros problemas físicos) tenha feito o despiste médico para um diagnóstico concreto.