“Não escolhemos por quem nos apaixonamos”

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Devo discordar. Há um pensamento geral de que não podemos escolher de quem gostamos, que ou gostamos ou não gostamos, e o mesmo se diz relativamente à paixão. Como se a paixão fosse algo inevitável, não controlável, algo irracional, instantâneo e automático. De facto há a atração, a química que duas pessoas podem sentir uma pela outra de forma quase imediata. Quanto a isso não há muito a fazer, mas quanto à paixão há uma escolha a fazer: decidir (ênfase na palavra decidir) passar mais tempo com essa pessoa, falar com essa pessoa, procurar essa pessoa, envolver-se com essa pessoa ou não.

Por isso, também a paixão é uma questão de escolha de certa forma. Não é possível, contudo, escolhermos apaixonarmo-nos por determinado alguém só porque seria conveniente para nós, ou porque essa pessoa gosta de nós ou seria um bom parceiro ou uma boa parceira. Pode aprender-se a gostar de alguém através da convivência e da vontade ou disponibilidade para tal, mas nunca se consegue forçar a química, atração ou desejo irresistível que algumas pessoas podem provocar em nós.

E qual o propósito deste texto? Discutir as tais atrações fatais, paixões violentas, tóxicas ou que levam a relações (e sentimentos) disfuncionais, difíceis ou angustiantes. Considerando que podemos introduzir a variável “decisão”, importa, a partir de qualquer atração, mais ou menos irresistível, procurar características, valores, traços de personalidade e temperamento da outra pessoa. Perceber, antecipadamente, se é uma boa escolha (ênfase na palavra escolha) envolver-se com essa pessoa, sabendo que a partir daí será mais difícil controlar o que sente.

Todos nós temos uma característica que se chama intuição, “feeling”, instinto, alarme intelectual, ou o que lhe queiram chamar. E nós sabemos, à partida, no que nos estamos a meter porque todo o nosso interior dispara vários alarmes de aviso, seja nas questões de relacionamento ou outras quaisquer. Neste assunto é importante “ouvir” esses alarmes e fazer uma escolha: viver isto intensamente com tudo a que tem direito ou retirar-se estrategicamente para evitar acidentes de percurso e, por vezes, um sofrimento que poderia ser evitável, porque essas paixões podem levar a anos desse sofrimento e quanto mais longo for o envolvimento, mais difícil sair dele.

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