“As relações servem para nos fazer felizes”

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Este pensamento leva à expectativa (e à ilusão) de que a outra pessoa deve ser responsável pela forma como nos sentimos e que tem a obrigação de nos dar o que queremos ou achamos que precisamos. Ninguém deve ter o propósito de nos fazer felizes, satisfazer todos os nossos critérios e caprichos. Podem querer fazê-lo e isso não está errado, se for mútuo, se ambas as pessoas se quiserem bem uma à outra e gostarem de agradar. Actos de carinho e de apreço são desejáveis.

Em primeiro lugar, NÓS somos responsáveis pelas nossas emoções e em como nos sentimos. As outras pessoas, com os seus comportamentos, atitudes e acções podem contribuir para um menor ou maior estado de felicidade é verdade, mas as relações servem o seu propósito quando nos ensinam, nos fazem crescer, amadurecer. O objectivo único de nos fazer felizes é um objectivo muito pobre e mal estruturado. Pedir só felicidade é algo ingénuo e pueril (e quase infantil também).

Quando somos crianças recebemos todo o apoio, carinho e amor possível da nossa família (ou assim deveria ser em todos os casos), sem sequer o pedirmos ou expressarmos, e muitas vezes, mesmo antes de acharmos que precisamos. Simplesmente temos todas as nossas necessidades básicas satisfeitas sem ter de pedir ou de pensar nelas. As figuras de cuidado “adivinham” as nossas necessidades, aturam-nos as birras, dão-nos o que precisamos e tudo o que fazemos é perdoado mais ou menos facilmente.

Falo de casos ideais. Quando crescemos depositamos essas expectativas no companheiro ou companheira. Há uma fase inicial em que tudo é belo e expressam-se as melhores qualidades de ambos os lados. Quando as pessoas se juntam, ou os anos de relação se acumulam, cai-se na rotina e no automatismo. Muitas vezes há uma perda gradual na comunicação. O tal automatismo pressupõe aquela pessoa já nos conhecer e, como tal, é suposto saber o que precisamos e quais as nossas necessidades sem ter de dizer.

Mas as relações são uma via de mão dupla. “Não dou porque também deixaste de me dar, dizer, mostrar”. “Não fazes o que preciso, fico à espera, desiludo-me, olho para ti de forma diferente, respondo mal, ou deixo de falar, amuo, o que seja, na esperança de que percebas que preciso algo”. “Porque não me perguntas? Porque não olhas para mim e adivinhas o que é?”. E aí, infelicidade, desilusão. Porque depositamos as esperanças de um amor compreensivo, tolerante, aceitante, harmonioso, simples, fácil, descomplicado… Tudo o que tivemos enquanto crianças.

Quando digo que as relações são uma via de mão dupla é que, enquanto adultos numa relação, nunca (mas mesmo nunca) se deve deixar de comunicar, dialogar, expressar o que se sente, olhar para a outra pessoa nos olhos, olhar e ver o que lá está, o que essa pessoa também precisa, perguntar, afinar, esclarecer, clarificar, etc. Dos maiores pilares nas relações: a comunicação. Temos responsabilidade pela nossa felicidade mas também pela felicidade do casal. De se encontrarem interesses comuns, de se encontrarem numa boa conversa, de terem objectivos comuns, sonhos comuns, de construírem esse caminho, trilhado lado a lado e não de costas voltadas.

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