Destino vs livre arbítrio

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Sou eu que comando o meu navio ou ele é comandado pelas águas da vida? Sou eu que decido o meu destino, o meu caminho e vivências, ou ele está traçado à nascença?

Há quem acredite que temos um plano, ou uma missão nesta terra. E eu acredito que sim: crescer, aprender, evoluir, amadurecer, amar o próximo (pais, mães, companheiros e companheiras, irmãos e irmãs). Há quem diga que temos a missão de limpar karmas, que é o mesmo do que amar o próximo… Praticar o perdão, a aceitação, a superação de obstáculos e mágoas.

O que prefere acreditar? Que é você que decide ou que é decidido por si? Este jogo da vida, as lições que nos passam pelo caminho, tudo aquilo que temos de aprender.

Mais do que uma discussão filosófica, eu acredito que a liberdade é um mito. Que o livre arbítrio é uma falácia. Nós, na verdade, vivemos na ilusão de que somos livres, mas se pensarmos bem, temos a liberdade de fazer isto ou aquilo, ir aqui ou ali, mas mesmo em um supermercado só podemos escolher por um limitado número de iogurtes de morango, por exemplo. Ou um número limitado de caminhos ou estradas, quando vamos para algum lado.

Mesmo a roupa que vestimos, o estilo que usamos, os penteados, maquilhagem, até os sapatos, os sítios onde vamos, o que comemos, é altamente determinado por tendências que são decididas por alguém que não nós, pela cultura, pela sociedade, pelas figuras públicas, pela tradição, pelo nível de consciência, etc. Os nossos comportamentos e escolhas, são influenciados 90% das vezes por motivos inconscientes.

O que é que isto quer dizer? Que nos são dadas ou apresentadas determinadas opções, tendências, possibilidades, e aí entra a nossa escolha, do que aceitar ou não, mesmo das crenças sobre a vida, sobre a morte, sobre a vida noutros planetas, reencarnação ou outros temas. Tanta coisa nos foi dada já “mastigada” que no fundo nós muitas das vezes apenas repetimos padrões, crenças, pensamentos e comportamentos.

Tudo o que fomos aprendendo ao longo das nossas vidas, em conjunto com a nossa personalidade e temperamento, predetermina aquilo que temos tendência a escolher, a preferir, a nos atrair. Cores, profissões, religião, estilo de música, companheiros, amigos, etc.

Portanto, até que ponto somos assim tão livres? Até que ponto as coisas não estão já, de certa forma, encaminhadas para nós? Ou nós nos encaminharmos para elas, no sentido de sermos um software altamente complexo e condicionado por uma série de factores e nos dirigirmos numa determinada direção de acordo com as componentes e programação pré instalada e também a que vai sendo instalada (por nós, pelo que encaixamos sobre as nossas vivências e pelo que observamos e aprendemos) na nossa psique sobre a forma de crenças, esquemas mentais, hábitos e comportamentos adquiridos.

Temos a capacidade e o poder, sim, de tomar consciência do nosso rumo, das nossas decisões, dos nossos padrões, hábitos, comportamentos, tipos de pensamentos e emoções que vamos tendo diariamente e a cada momento. E com essa consciência, “moldar”, alterar ou melhorar o nosso rumo, o nosso caminho, ou “destino”, porque o que é que significa destino mesmo? Um local onde chegamos. E esse local é determinado pelas nossas escolhas de cada dia, pelos sentimentos, pelos pensamentos que temos sobre nós, o mundo e os outros (perspectiva cognitivista) e pelo que decidimos fazer acerca desses pensamentos e acerca do que a vida nos vai dando a cada momento em termos de possibilidades, caminhos e potenciais de futuro. Temos o livre arbítrio de moldar o nosso destino. Mas ele encerra em si todas as lições que temos de aprender e ultrapassar para que possamos velejar sem empecilhos e dificuldades.

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