Aos porquês

question-mark-2930474_960_720

Às pessoas que se questionam, que perdem tempo e energia vital a questionarem-se obsessivamente sobre as vicissitudes da vida: porque é que me aconteceu isto? Porque eu fui fazer aquilo? Porque dei ouvidos àquela pessoa? Porque tomei esta decisão?  Porque é que aquela pessoa me fez aquilo? Porque é que me acontece sempre isto? Porque é que não consigo sair desta situação? Porque é que atraio sempre o mesmo tipo de pessoas? Porque é que não tenho amigos? Porque é que não consigo arranjar namorado? Porque isto, porque aquilo…

Compreendo a preocupação, o sofrimento e a angústia deste questionamento e de todas as situações subjacentes, mas um questionamento vazio de respostas pode levar à loucura e estados depressivos e ansiogénicos persistentes.

O porquês, de facto, podem vir a nunca ter respostas. E há porquês que até têm respostas, mas, por vezes, não são as desejadas, não queremos acreditar nelas, aceitá-las ou mesmo compreendê-las porque são dolorosas demais. Até podemos não ter consciência, seja por autoproteção seja por autosabotagem (fenómenos inconscientes e automatismos psíquicos), das respostas por detrás de todos esses porquês. Mas uma coisa sei, quando o pensamento é circular, ruminativo, altamente racionalista, não conduz a soluções. Conduz a sofrimento, ódio, raiva, irritabilidade, acidez e corrosão orgânica.

A ruminação mental, termo que nós psicólogos utilizamos, dirige o foco do pensamento para a crítica de uma situação problema, gerando pensamentos negativos e emoções associadas, como culpa, remorso, vergonha ou raiva. É a melhor forma de mantermos a memória do problema activa e presente constantemente. Focar-se no passado, e principalmente numa situação que já passou e que não tem volta a dar, é a melhor forma de ficarmos deprimidos e de nos bloquearmos para viver no agora, permitindo novas situações, pensamentos e sentimentos virem ao nosso encontro.

A essas pessoas, um despertar faz-se necessário. De viverem no aqui-agora, de que tudo o que foi é apenas uma memória e reflexo da pessoa que eram naquela altura, com as capacidades, nível de entendimento, compreensão e consciência para actuar de uma determinada forma, agir, pensar, sentir e decidir.

Uma actualização constante é necessária. Actualização no sentido de ser capaz de se manter no presente, e imaginar a linha de tempo do momento presente para o futuro, fazendo um reset ao passado, integrando-o, compreendendo-o e aceitando-o incondicionalmente. Se não for possível, terapia pode ser necessária para se encaixarem esses factos e memórias, organizando e arrumando os processos internos relativos a esses factos ou memórias sem dor ou mágoa.

Não só, trabalharem-se os aspectos dissonantes, os bloqueios de base, as histórias que contamos a nós mesmos sobre quem somos ou deveríamos ser, sobre os outros, a vida e o mundo. Muitas vezes são essas as crenças que nos limitam a viver aquilo que realmente queremos. Precisamos de ir ao encontro desses esquemas mentais, ressignificá-los, desprendermo-nos deles, e seguirmos na direcção de um novo potencial, repleto de novas escolhas, decisões, pensamentos, sentimentos e emoções, e, dessa forma, novas e diferente vivências do que aquelas que vivemos até então.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s