Portas da nossa infância

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Num dos exercício de encontro com o Autosabotador Interno eu perguntava: “Porque é que ele existe?”. Ao que a cliente respondia: “Existe porque ele está ligado a falsas crenças e raízes ancestrais”. “E o que é preciso fazer?”, continuava eu.  “Abrir as janelas da mente”, respondia ela.

E que janelas da mente eram essas? As que, mais do que abertas, precisavam ser substituídas. Perras, velhas, tal porta de entrada da casa de infância. Porta essa que não protegia o suficiente, não era segura, a pintura estava gasta. As raízes ancestrais estavam aqui representadas pelos medos da infância, pelas “verdades” adquiridas então.

As portas da nossa infância encerram em si muitos segredos, guardam os mistérios insondáveis da nossa mente. Por detrás dela está o pequeno ser em crescimento que aprendeu a criar leis sobre a vida, sobre si próprio e sobre os outros. Como as coisas têm de ser, o certo e o errado. Nesse crescimento, dentro e fora dessas portas, a vida vai existindo, as experiências e aprendizagens vão-se sucedendo. E o pequeno ser a aprender, a observar, a construir esquemas mentais e crenças associadas.

Um dia esse ser cresce, coloca em prática esses esquemas, crenças e leis, que, entretanto, se tornam rígidas e inflexíveis. Mais tarde, essas crenças tornam-se desactualizadas ou impraticáveis, trazendo muito sofrimento. Nesse sofrimento, o pequeno ser questiona-se: de onde vêm? Porquê? E aí entra o processo terapêutico de autoconhecimento. De facto, que leis existem em si? Que crenças limitadoras estão a exercer o seu poder?

Resta, então, questionar essas crenças. Olhar para elas sob uma nova luz, a luz da maturidade e nível de consciência actual. Mais do que questionar, contestar as crenças enraizadas, tal era daninha que se vai reproduzindo e criando novas crenças ao redor da crença base ou crença mãe. E assim funcionam os pensamentos, as associações que vamos criando e, com elas, os tais esquemas mentais ou formas-pensamento.

As crenças são como crianças malandras. Quando educadas com seriedade e sabedoria, serão crianças curiosas, exploradoras e com espírito crítico. Não irão deixar nada nem ninguém diminuí-las ou duvidar do seu valor. Podem questionar-se, mas, com uma reflexão breve e profunda, vão espantar as poeiras da dúvida e tomar decisões sobre os próprios pensamentos, e, com essas decisões conscientes, formar ou consolidar esquemas fortalecedores, inteligentes e eficazes, como uma mente feliz deve funcionar.

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