O palco das emoções

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Há emoções encarceradas, numa parte poeirenta e escura da nossa mente. Emoções amontoadas às quais não queremos (ou não podemos) dar voz. Esse porão, cave ou sótão da mente, como preferirem, alberga das mais variadas espécies de emoções. Tem a culpa, o arrependimento, a velhinha tristeza que ninguém gosta e ninguém quer ter ao pé, o rancor, o ressentimento, o desespero, a angústia, a raiva, e muitas outras.

Os psicólogos usam o termo “recalcamento” para expressar o encarceramento de todas as emoções ou sentimentos que não se querem ter ou sentir. Aquele amor que não pode ser expresso ou vivido, o desejo não correspondido por alguém, a inveja ou o ciúme desta ou daquela pessoa, o orgulho de pedir ajuda, a insegurança que não pode ser mostrada e que se reveste de arrogância, agressividade ou superioridade, etc.

De todas as coisas que fugimos, as emoções são as que se podem tornar maiores. Avolumam-se e agregam-se umas às outras para formarem uma massa compacta e espessa, densa, que, mais cedo ou mais tarde, vai acabar por gritar, explodir, rebentar de dentro para fora. Chega a um ponto que é intolerável manter essas emoções trancadas. Elas minam toda a felicidade. Transformam em dúvida, dor e incerteza toda a alegria e bem-estar, que se tornam ilusórios, autênticas fachadas, tal máscaras de teatro.

Carregamos essas emoções connosco. A vida toda se for preciso. São como vírus ou um cancro a propagar-se no nosso corpo emocional, as emoções não expressas ou reconhecidas. E o que é que elas precisam, perguntam vocês? Serem ouvidas, reconhecidas. E esta? Dar-lhes espaço, reconhecimento, acolhimento. O trabalho com a regressão, com a criança interior, com o passado, diz respeito exactamente a isso: permitir a expressão e reconhecimento das emoções recalcadas, que entretanto se transformaram em crenças limitantes e pensamentos automáticos negativos.

Tal como um escudo de protecção, uma malha pesada, que envolve o nosso corpo emocional e psíquico. Têm vida própria essas emoções. Movimentam-se dentro de nós. Parecem ameaçadoras, mas quando as ouvimos, lhes prestamos atenção por uns momentos, de forma consciente e benevolente, essas emoções sentem alívio. Tal fantasmas com assuntos inacabados que assombram os seus proprietários, desvanecem-se ou transformam-se em libertação, liberdade, leveza e tranquilidade. Que bom é ouvir essas emoções… Façamos esse favor a essas partes que nos compõem. Demos-lhes espaço e expressão. Elas prometem não ocupar muito mais espaço a partir daí.

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