Nuvem negra da depressão

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A depressão por vezes surge sem se fazer anunciar, de repente e devastadora. Há perturbações com o nome Depressão Major, quando se refere a um episódio depressivo, a Distimia, quando a pessoa se sempre deprimida por um período prolongado de tempo, a Bipolaridade, em que existem depressões cíclicas, alternadas com períodos de Mania, a Ciclotimia, um pouco mais ligeira do que a Bipolaridade, com ciclos recorrentes de Depressão e Mania.

As depressões podem ser reactivas a um acontecimento ou endógenas, refletindo um aspecto mais interior, uma crise existencial, motivos fisiológicos ou hormonais. Pode surgir relacionada com uma perda, seja ela relacional ou de trabalho, um falecimento, uma separação, etc. Pode surgir devido a negativismo, ruminação, falta de autoestima e pensamentos negativos constantes sobre si mesmo, a vida, o mundo, o futuro e os outros. Tudo é olhado com uma lente cinzenta e negativa.

Nós hipnoterapeutas usamos metáforas, ou simbolismos, para se referir aos aspectos interiores, emocionais e processos de pensamento. A nuvem negra surge, muitas vezes, associada à depressão. Um monstro ou figura escura, uma pedra, um novelo, um aperto ou punho fechado. A depressão diz-nos que algo não está bem, que nós não estamos bem, e só nos apetece rastejar para um buraco escuro onde não raie o sol. A depressão pede isso mesmo, isolamento, falta de luz, introspecção, virar para dentro.

De facto, faz-se necessário virar-se para dentro, mas à procura de razões, motivos, porquês. Tentar compreendê-los e o porquê de estarmos assim, se o estamos há demasiado tempo e sem razão aparente, principalmente. Muitas pessoas dizem-me: “mas eu não tenho motivos para estar assim! Tenho saúde, família, amigos, trabalho, faço o que gosto…” Mas quando se começa a explorar mais a fundo, há um conjunto de situações e circunstâncias que minam o bem-estar, a harmonia e a felicidade dessa pessoa.

Ficar em situações prejudiciais, como relações tóxicas ou maus ambientes de trabalho. Cuidar-se de forma insuficiente, trabalhando demais, não descansado, comendo de forma pouco saudável, maltratando-se com críticas e autojulgamento negativo, tendo amigos e familiares críticos, enfim. Todos nos podemos relacionar com alguns destes exemplos.

Esta nuvem negra vem, adensa-se sobre nós, mas nós podemos ser maiores que ela. A depressão serve para reequacionarmos o nosso caminho e a nossa posição na e perante a vida. Serve para nos avisar de que algo não vai bem e precisa ser mudado. Que precisamos de uma nova direcção ou perspectiva.

Nesse momento, uma avaliação profunda faz-se necessária. Tal mudança é como olharmos para um armário com todas as peças que o compõem e decidirmos, conscientemente, o que vai e o que fica, o que estamos em dúvida colocamos de parte para mais tarde decidir. O que se joga fora (eliminar de vez), o que se recicla e ao que se dá outra função (ressignificar).

O que mais tarde podemos alterar, fica como um ponto de interrogação. Mas importa fazer este processo: o que é meu e quero manter, o que não é e foi herdado e é bom para mim, e aquilo que não é bom e não quero manter. Falo de crenças, pensamentos, padrões, comportamentos, atitudes. Herdadas da família, convicções que fomos registando e mantendo e agora já não servem mais o seu propósito, antes pelo contrário. Que possamos fazer essa selecção, apercebermo-nos da necessidade dela, e termos a coragem de a fazer.

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