Síndrome do Pensamento Acelerado

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A nossa mente é um turbilhão de coisas e pensamentos, preocupações, idas e voltas ao futuro e ao passado, um misto de fantasias, desejos, irritabilidades e acertos de contas mentais. Costumo dizer que a nossa mente é como uma selva cheia de macacos a pular de galho em galho e que os nossos pensamentos são como crianças indisciplinadas e birrentas a pedir constantemente a nossa atenção.

A juntar-se a isto, a nossa mente tem a capacidade de gerar triliões de pensamentos em questão de segundos. Um pensamento leva ao outro, como um rastilho com caminho incerto e errático, que incendeia uma série de áreas cerebrais, numa explosão de memórias, emoções e mais pensamentos. Como um cão sempre a farejar mais e mais à frente, sem, na verdade, ver o caminho.

Vivemos num mundo caótico, com excesso de estimulação em termos de informações, sons, imagens, cheiros, movimento, exigências, expectativas, produtos e dispositivos. Apreensão constante, a sensação de estar a ser esmagado pela rotina, com a sensação de que 24 horas não são suficientes para cumprir tudo o que tem planeado, falta de memória, défice de atenção, irritabilidade, alterações no sono e no humor. Tudo sintomas deste síndrome que se relaciona com um quadro de perturbação da ansiedade.

O excesso de informações satura o córtex cerebral, produzindo uma mente hiper pensante, agitada, com baixo nível de tolerância, impaciente e com pouca criatividade. O esgotamento mental converte-se em cansaço físico, visto que o processo de pensamento utiliza energia vital que deveria estar a ser utilizada em músculos e outros órgãos.

Quem identificou este síndrome foi Augusto Cury, famoso psiquiatra e escritor. Vivemos mesmo num mundo caótico e frenético, com tanta actividade, entretenimento e uma quantidade enorme de micro tarefas diárias, que enchem o nosso cérebro de entulho, por vezes. Se juntarmos a isso todas as confabulações que a mente gosta de produzir para se precaver de situações futuras que podem nunca vir a acontecer e uau, temos uma mente esgotada. Insónia ou dificuldade em descansar são dos sintomas mais graves que este síndrome pode produzir.

O que é necessário aqui? Desacelerar.

Difícil, não é? Criar o hábito de desacelerar aos poucos, não dá para tirar a ficha da tomada repentinamente. Criar hábitos de higiene emocional, como reduzir a actividade mental à noite, de preferência afastando-se de dispositivos electrónicos e tudo o que envolva raciocínio. Ter uma agenda ou caderninho onde apontar tudo o que não se pode esquecer de fazer no dia a seguir, mesmo as tais micro tarefas (mandar mensagem ou ligar a esta ou aquela pessoa, responder a este ou aquele email, pagar esta ou aquela conta, etc.) e, fundamental: desenvolver práticas de relaxamento. Acho que não podemos passar sem elas.

Experimente um programa de mindfulness, exercícios respiratórios, meditação guiada, sons da natureza, yoga ou exercícios de treino autógeno ou relaxamento progressivo, basta pesquisar. Há imensos livros, vídeos, aplicações, aulas e workshops ou cursos de todas estas coisas. Experimente treinar a sua mente, discipliná-la. Desacelerá-la, até que se habitue a um novo ritmo, mais saudável para si e para o seu corpo.

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