A ilusão da positividade

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Não se deixem enganar com raios de luz, optimismo, positividade, “gratidão”, arco íris, fadas e unicórnios constantes nas redes sociais. Ninguém consegue estar bem todo o tempo, ninguém consegue estar sempre feliz, ninguém consegue manter-se positivo e optimista constantemente. A vida acontece a todos.

Sei que nas redes sociais podemos ser quem quisermos, dar a imagem que quisermos, ter sempre fotografias de momentos felizes e divertidos, mostrarmos uma cara alegre, descontraída ou serena, mostrarmos uma vida perfeita, organizada e feliz, cheia de coisas boas, mas o outro lado também acontece.

Todos os perfis encerram em si histórias de infortúnios, dificuldades, traumas, lutos, angústias, dúvidas, dores variadas, momentos difíceis, insegurança, e todo um mundo de negatividade oculta. Mas isso, normalmente, não é visto, não é mostrado. E não é para ser mostrado mesmo, ou não precisa de ser.

Ninguém precisa de expor a vida pessoal nas redes sociais. Se a vida vai mal, pedidos de ajuda podem ser necessários, mas que se façam de forma privada e a quem de direito. As redes sociais também não precisam de ser um muro de lamentações, ao oposto de declarações de positividade e motivação constantes. Claro que todos somos livres de partilharmos o que quisermos, mas devemos ser inteligentes e, por vezes, recatados nessas partilhas.

Podemos utilizar as redes sociais para um sem fim de propósitos humanitários e altruístas, para além de partilhas da vida pessoal e quotidiana, mas já foi estudado o efeito das redes sociais na saúde mental das pessoas, e visto que somos seres dados à comparação e observação constantes do que se passa na vida alheia, essa comparação pode tornar-se prejudicial.

O que acontece a pessoas fragilizadas, deprimidas, inseguras, a passar por momentos difíceis, ao ver vidas aparentemente perfeitas? Para já cria a ilusão de que, de facto, toda a gente está feliz, realizada, viajada, passeada, bem alimentada, bem exercitada, etc. Comparativamente, se eu não levo esse tipo de vida que toda a gente parece estar a ter, significa que eu não estou a participar do que é suposto estar. Não estou a fazer o que é suposto fazer, não sou como deveria ser.

Há mesmo quem se afaste das redes sociais para não assistir a essa aparente felicidade alheia e toda essa positividade que, por vezes, em vez de ser contagiante, é excessiva. Há de tudo um pouco por aí, mas temos de pensar que tudo o que vemos é apenas uma fachada, não vemos o interior das casas quando passamos pelas ruas. Vemos as suas paredes, janelas, portas, a parte exterior, no fundo. E no exterior todos queremos parecer bonitos.

A mensagem aqui é parar a comparação, perceber que nem tudo é como parece, e podemos ser selectivos ao que assistir, ao que seguir, ao que valorizar ou não. Podem utilizar-se as redes sociais de forma muito construtiva. Há muitos sites e páginas ou perfis que trazem mensagens muito boas, que são uma inspiração. Há artigos interessantes para ler, vídeos engraçados, receitas, um sem número de material para explorar. Tal como uma televisão com vários canais, quero que saiba que está nas suas mãos o comando. Escolha sabiamente o que assistir a cada momento. Você decide.

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