De onde vem a ansiedade?

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O problema que mais leva as pessoas às consultas, para além da depressão, é a ansiedade. Nomeadamente o pânico e os “medos”. A maior parte dos casos que me chegam são pessoas com ansiedade generalizada. Posso até dizer que parece que vivemos numa sociedade ansiosa, com pressa, impaciente, com medo, assustada. Com medo do erro, do insucesso, do fracasso, dos sentimentos, das emoções.

O que é a ansiedade generalizada? É sentirmo-nos ansiosos a maior parte do tempo. Constantemente, se for preciso. É não sabermos o que é viver sem ansiedade, ou desde quando a sentimos, e estarmos sempre tensos ou alerta. É sermos hipervigilantes, sempre com atenção a tudo e a todos. É, muitas vezes, só nos recordarmos de nós assim, ansiosos, angustiados, com medo ou assustados.

Medo dos outros, de não ser suficientes ou capazes. Medo do que os outros pensam ou dizem, medo do que os outros acham. Medo de expressar-se, medo das respostas, das consequências se o fizermos. Medo de tanta coisa. Medo de sermos atacados, medo de defender-nos, medo de falar ou calar. Não sei de onde surgiu essa necessidade de sermos perfeitos, mas sei que o perfeccionismo e a ansiedade andam de mãos dadas.

O não poder falhar é um dos piores castigos que nos podemos atribuir a nós mesmos. O termos que provar algo a alguém também. Às vezes nem sabemos a quem temos de provar algo, mas talvez aos nossos pais, professores, ex colegas, ex amigos, ex namorados ou namoradas e sabe-se lá a quem mais. Talvez provar-nos a nós que somos capazes, que somos suficientes.

Então vivemos esta crença absoluta de que não somos suficientes. Seja inteligentes, belos, atraentes, elegantes, competentes, ou o que seja. E na verdade nunca seremos tudo isso em comparação com o mundo lá fora, pois ninguém tem tudo. Há sempre alguém mais bonito ou mais inteligente. Todos temos uma mistura de atributos e todos somos mais do que suficientes, dentro da normalidade.

Então de onde vem a ansiedade? Do nosso sistema límbico, da nossa programação ancestral, do nosso sistema de luta ou de fuga, dos medos existentes no inconsciente colectivo, na memória celular. Isso é o que recebemos ao sermos concebidos. Depois recebemos educação, fazemos parte de uma cultura, de um meio social, de uma comunidade familiar, escolar e social, de uma cultura global ou mundial. Aprendemos, recebemos informação, comparamo-nos e somos comparados. O sistema de ensino atribui notas e classificações, a família impõe crenças e convicções, impõe expectativas e ideais.

Há crianças perfeccionistas e exigentes consigo mesmas, há pais autoritários, críticos ou rígidos. Há uma educação, por vezes, inflexível, pouco amorosa ou carinhosa, pouco afectuosa. Há pais ansiosos, há pais distantes, coléricos, agressivos. Há crianças assustadas… Colegas que gozam, humilham e perseguem nos recreios. Crianças que aprendem a estar constantemente em alerta, amedrontadas, assustadas.

A ansiedade é o nosso sistema de alerta, despoletada pelo medo de alguma coisa. Com a terapia conseguimos perceber de onde vem o medo e ao quê. E todas as emoções que o acompanham. Com a terapia consegue-se também trabalhar esses medos e, muitas vezes, extingui-los ou diminuí-los, fazendo as pazes com eles. Ao reconhecer esses medos  conseguimos fazer com que eles fiquem mais pequenos, pois cumpriram o seu papel de nos alertar ou avisar que perigos enfrentamos, ainda que sejam perigos imaginários.

Quantas vezes aconteceu aquilo que previa? Como previu? Nunca acontece como imaginamos, mesmo em todos os cenários que elaboramos na tentativa de prever o futuro. Então, a ansiedade é evolutiva, faz parte de nós, de um complexo sistema de alerta que está sempre activo. O que é certo é que essa ansiedade não tem de ser constantemente alta, intensa ou disruptiva. Pode accionar-se, sim, em caso de necessidade. Mas tal como um cão protector, zeloso do seu lar, também ele pode dormitar serenamente, pois ao menor sinal de perigo ou alarme, os seus sentidos voltarão a activar-se em pleno, mas só em caso de necessidade.

No caso da terapia, aprendemos a identificar os medos, organizá-los por importância, pacificá-los e desactivá-los, se for preciso. Aprendem-se técnicas de gestão e contenção emocional, aprendemos a estar mais presentes nas nossas respostas emocionais, na origem delas e aprendemos a contê-las, para nosso benefício. A terapia não é uma coisa estranha, é irmos olhar para todas estas coisas, compreendendo e tomando decisões acerca das nossas respostas bio-psico-fisiológicas.

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