Não consigo dormir! E agora?

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Tenho atendido algumas pessoas com problemas graves do sono, nomeadamente insónias, ou quem me diz que passa a noite em claro e, quando dorme, tem pesadelos ou é um sono agitado ou pouco reparador.

Normalmente, estas pessoas podem ter passado por períodos de sono interrompido, como no caso do trabalho por turnos, maternidade, cuidar de um idoso, pessoa acamada ou dependente. Nestes casos, anos podem passar-se sem um sono reparador de uma noite seguida ou as horas necessárias para um verdadeiro descanso.

Outras situações que podem provocar a dificuldade em dormir toda a noite, levando à privação do sono em casos mais graves, podem envolver violência doméstica, bullying, preocupações constantes, pesadelos, stress crónico, ansiedade generalizada, medo ou pânico.

O que mais tenho visto são problemas de ansiedade generalizada, com dificuldade em “parar a mente”, “desacelerar” ou abrandar o ritmo. Estas pessoas, podendo ter passado pelas situações acima mencionadas ou não, sofrem de uma dificuldade em parar a sua actividade quotidiana de trabalho e tarefas domésticas. Sentem-se extremamente responsáveis por tudo o que fazem, como tal, não podem “baixar a guarda” ou ficar desatentas.

Este estado de alerta e vigília constante, leva o organismo a estar constantemente preparado para uma situação de luta ou de fuga, libertando quantidades enormes de cortisol e adrenalina na corrente sanguínea. O corpo, ao estar constantemente tenso e a mente atenta a todos os estímulos e mais alguns, faz com que, inevitavelmente, haja um grande desgaste físico e psicológico.

Este é um ciclo que, se a pessoa não tomar medidas, leva ao esgotamento, burn out ou a uma depressão, causada por excesso de activação cerebral. Ora, o nosso cérebro só consegue tolerar uma certa quantidade de estímulos, por um determinado período de tempo. Ultrapassado esse limite, há uma diminuição das funções cognitivas, como o caso da atenção, raciocínio e outras funções executivas, bem como da memória. Para além do mais, outros sintomas psicológicos se fazem sentir, como irritabilidade, labilidade, mudanças de humor, etc. Quando este quadro se verifica, deve procurar-se ajuda médica e psicológica.

Volto a frisar, não é uma coisa ou outra, é uma coisa e outra. Médico e psicólogo. Uma abordagem conjunta é necessária, pois estes casos, muitas das vezes, requerem ajuda farmacológica numa fase inicial. Com a psicologia, nomeadamente a hipnoterapia, consegue fazer-se uma reeducação dos hábitos de sono e de vida, bem como o treino do abrandamento de ritmo, necessário para se entrar na fase de sono.

Nestas consultas, e em quaisquer consultas que tratem este distúrbio, deve ser feita uma psicoeducação acerca do sono, os seus mecanismos e ciclos, bem como uma educação para a higiene do sono e relaxamento, com técnicas simples e concisas, que vão fazer com que o cérebro se possa ajustar a uma nova realidade e um novo funcionamento, mais eficiente e tranquilo na hora de adormecer.

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