Fazer as pazes com o medo

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Há várias imagens destas a circular nas redes sociais, a falar em como devemos sentar-nos com os nossos medos, fazendo as pazes com eles. Acho essas imagens deliciosas, porque é isso mesmo. No fundo, é olhar de frente para eles, identificá-los, dar-lhes forma e nome, simbolizarmos esse medo.

Ao olharmos de frente e reconhecermos o verdadeiro “bicho papão”, esse medo redimensiona-se, torna-se mais pequeno, e isto porque se torna visível, porque o estamos a enfrentar ou confrontar. E quando é assim, ele deixa de ser tão assustador.

Gosto imenso desse trabalho simbólico nas minhas consultas, uma vez que a carga associada a um medo imaginário reduz drasticamente quando fazemos esse exercício. A pessoa pensa: “Mas era disto que tinha medo??”. E ao percebermos de onde veio esse monstrinho, figura ou ideia, podemos descondicioná-lo ou reduzi-lo. Destraumatizar, no fundo. Ou ressignificar.

Quando racionalizamos os medos desta forma, eles tornam-se conscientes e não “fantasmas no armário” ou monstros debaixo da cama que vêm para nos apanhar desprevenidos. No fundo o medo o que é? É uma ideia ou preocupação, expectativa de algo acontecer de determinada forma, relacionado com experiências que vamos tendo ao longo da vida, crenças e condicionamentos sociais.

O que quero dizer com condicionamentos sociais? Muitas vezes os medos são causados ou adquiridos por aquilo que outras pessoas à nossa volta também receiam, e não só, há também os medos relacionados com os outros, com as outras pessoas. Há um inconsciente colectivo e toda uma panóplia de situações indesejadas, como o caso de falar em público, enfrentar um chefe ou outra figura de autoridade, medo de falhar ou errar, etc.

Quanto aos medos, podem ser enfrentados sim. Redimensionar, reduzir, diminuir, dissipar ou até eliminar. O medo é uma emoção ancestral com valor evolutivo, protege-nos do perigo e faz parte de nós, do nosso sistema de alerta que nos prepara para a resposta de luta ou de fuga. Quando o medo começa a ser intenso, constante e generalizado a uma série de situações injustificáveis, é altura de procurar ajuda.

 

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