As pessoas que ajudamos

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São elas que nos fazem crescer, enquanto terapeutas. Aliás, o terapeuta só pode existir através dos seus pacientes/clientes. Sem pessoas para cuidar ou tratar não há terapeuta, não poderia existir. As pessoas que procuram terapia são aquelas que estão na vanguarda, querem cuidar de si, fazer de si uma pessoa melhor, resolver os seus problemas e, com isso, melhorar o mundo. Melhorar as relações, melhorar a perspectiva, melhorar os sentimentos e emoções, melhorar a mente.

As pessoas que nós, terapeutas, ajudamos, ajudam-nos a nós também. Fazem-nos amadurecer, dão-nos lições, ensinam-nos, fazem-nos rebuscar nas entranhas da mente e do coração todas as soluções possíveis e necessárias. Fazem-nos sondar a nossa própria mente e emoções também, os nossos limites e as nossas capacidades. Treinamos as nossas competências com essas pessoas que chegam até nós que, num desabafo profundo, aliviam o seu sofrimento e vêem os seus sentimentos, medos, preocupações, anseios e ideias ouvidas e reconhecidas. Não conheço trabalho mais bonito, o de tocar e ser tocado por outra alma humana.

Essas pessoas que nos procuram estão numa missão, numa senda, e com o objectivo único de superar, melhorar, recuperar, compreender e aceitar os seus processos internos e externos, as suas relações com os outros e consigo mesmas. Essas pessoas têm coragem, têm consciência crítica do que as habita e perturba, ou não procurariam ajuda. Têm vontade de mudar, de se sentir diferentes e de controlarem a sua mente saltitona. Essas pessoas têm mérito, é através delas que podemos ser melhores pessoas, que podemos compreender o comportamento e a mente humana.

A meu ver, é através da terapia que nos reconciliamos com a nossa história, com o que nos aconteceu e damos nova forma a quem somos, ao que pensamos e ao que queremos, como queremos e de que forma isso pode ser posto em prática. Na terapia, principalmente com a hipnose, podemos mergulhar mais fundo em nós. E, enquanto terapeuta da mente e das emoções, viajamos ao centro da pessoa com ela. É um caminho profundo, doloroso por vezes, surpreendente também, com algumas resistências iniciais ao princípio muitas vezes, mas que se faz, que se explora e se conhece.

Nesse mergulho conjunto, porque o terapeuta “viaja” com a pessoa ao centro das questões apresentadas, são encontradas as respostas, os motivos, os porquês e são criadas novas respostas, novas crenças, novas emoções, que substituem as velhinhas crenças limitantes que fomos alimentando sem saber como nem porquê. Nessa jornada, limpa-se o porão da mente, as condutas do coração, pavimenta-se o futuro e reforçam-se os alicerces. E, no fundo, todos somos terapeutas uns dos outros, cada um da sua forma.

Na terapia, o terapeuta também é curado, relembrado de quem é e porque é, e também ele percebe aquilo que o faz ser como é, como quer ser e como pode vir a ser. Nessa dança conjunta, terapeuta e paciente encontram-se com a própria história, dando-lhe sentido e significado, alterando o que precisa de ser alterado, numa narrativa muito própria. Organizamos a biblioteca interior, numa constante apropriação e organização das pastas que lá habitam.

Que todos possamos encontrar a nossa forma de terapia, nas várias que existem, para além de todas as actividades terapêuticas que podemos fazer. Vá, vá sem medo ao centro de si. Não há lá nada que não possa ver ou que lhe vá fazer mal. Dói mas não precisa doer mais. Para que curar primeiro há que olhar, perceber, acarinhar e acolher, para depois libertar e integrar.

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