Voz crítica vs Voz benevolente

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A nossa mente é dicotómica. Tem bom e mau, presta ou não presta. A educação, por vezes, não é  a mais amorosa, gentil ou benevolente. Nas minhas consultas falo sempre nisto, na voz benevolente que precisamos de introduzir no nosso discurso mental para connosco. Se em casa só ouvíamos dizer que não prestávamos, éramos inúteis e ficava a sensação que não éramos suficientemente bons, por este ou aquele motivo, aprendemos, certamente, a sermos duros para nós mesmos. Críticos, julgadores, perfeccionistas, algozes e ditadores com os nossos erros e falhas.

Independentemente da educação, nós somos assim. Há uma certa programação implícita para sermos hipervigilantes acerca das nossas respostas e comportamentos, bem como autocríticos. Na verdade, o insight ou consciência crítica de quem somos, o que fazemos e como fazemos, é extremamente necessário e é através dessa capacidade que crescemos, nos adaptamos, moldamos e amadurecemos. Através de tentativa e erro, reconsideração e modelação do nosso comportamento.

O nosso cérebro é dual, tem dois hemisférios, a parte lógica ou racional e a parte emocional. Nós levamos demasiado tempo e gastamos demasiada energia em processos mentais e emocionais. Há quem seja emoção pura e há quem seja razão dura. Os dois extremos não são funcionais nem harmoniosos. A mente deve funcionar com os dois pólos, um não suprimindo ou abafando o outro. Entre esses dois pólos deve haver ainda um terceiro elemento, a voz fria da consciência. Não uma voz de julgamento de “bom ou mau”, mas a tal voz benevolente. A parte sábia e gentil.

Se não tivemos bons pais ou uma educação calorosa, sem dúvida devemos cultivar essa relação em nós, dentro, no nosso discurso interior, no controlo dos nossos pensamentos autosabotadores. Falar connosco mesmos de uma forma carinhosa, compreensiva, aceitante. Não se cria autoestima sem essa conversa interior, reconhecendo aquilo que são as nossas limitações e capacidades sim, fazendo o melhor que podemos com elas, mas permitindo crescer, evoluir, termos uma ideia dinâmica sobre nós, e não uma ideia estática ou irredutível de: sou assim e sempre serei. Não tem de ser assim.

A cada momento podemos mudar, melhorar, conseguir o que até então não conseguimos, só precisamos confiar e acreditar que sim, é possível e podemos fazê-lo. Aí radica todo o potencial de mudança e aprendizagem. Aí existe toda a nossa força pessoal: sim, posso fazê-lo; sim, posso sê-lo. O que é o pensamento positivo se não isso mesmo?Não duvide de si, nem deixe a mente sabotar esta crença.

A mente serve para alertar dos perigos, tal firewall ou sistema de protecção. E a mudança representa um perigo, porque é algo desconhecido. A nossa mente foi programada para nos dizer para não irmos por onde não conhecemos, desde a infância. Fomos ensinados a temer o desconhecido para não nos magoarmos, perdermos ou sermos apanhados. E desde então, a mente tornou-se exímia nisso mesmo: proteger a todo o custo, impedir uma catástrofe iminente. Mas crescemos e podemos ampliar essa zona de conforto e do que é conhecido. Porque é lá fora, para além dessa barreira limitadora, que existe o potencial de crescimento.

Sejamos conscientes na nossa mudança e da nossa capacidade para tal. Sejamos plenos e inteiros, sejamos a luz que encaminha saudavelmente a mente num caminho de segurança, conforto e aprendizagem, crescimento e evolução pessoal. Sejamos benevolentes para connosco e para com o nosso caminho, tempo de fazer acontecer e capacidade de acção a cada momento.

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