O que todos queremos

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O que todos queremos não é fama, riqueza, aparecer na TV, ser famoso. O que nós na realidade queremos é reconhecimento. Merecimento, aceitação e pertença. Queremos que nos vejam pelo que na realidade somos, pela nossa verdade, capacidades e características. Queremos ser aceites por isso, nas nossas falhas e limitações também.

Não importa se temos todo o dinheiro do mundo, carros, casas, negócios e pessoas à nossa volta, se tudo o que nos falta é o amor de outro ser humano, o amor desinteressado, sincero e abnegado. Todos queremos ser vistos, ouvidos, reconhecidos e compreendidos. Todos queremos fazer parte de algo, de um grupo de pertença, de uma família. Queremos fazer o que gostamos, queremos ser felizes, amar e ser amados.

Queremos ser alguém também, sim, mas quem só vive de aparências, tem todo um vazio que não consegue preencher com bens. Tudo o que se acumula e alcança pode não ser mais do que algo para ocultar, substituir ou distrair da dor, da falta de amor, de reconhecimento, seja de si para si como dos outros por si.

A dor e o sofrimento fazem-nos procurar várias formas de escapismo e fuga dessas mesmas sensações e sentimentos. Pode fugir-se através do fundo de um copo ou garrafa, através de fumo, jogo, sucessivos relacionamentos, através do trabalho, ou do que seja. Para não sentir dor somos capazes de tudo. A nossa maior arma é o nosso instinto de sobrevivência. Tanto nos mata a nós, submetendo-nos a situações desagradáveis para nos mantermos vivos ou salvos, como mata a outros e a possibilidade de sermos felizes nos nossos relacionamentos, para nos protegermos.

Na sobrevivência não vivemos, existimos. Fazemos o que nos pedem ou o que achamos que temos de fazer para ganhar o nosso ou mantermo-nos seguros, mantendo-nos, muitas vezes, em sistemas de escravatura emocional, seja no trabalho ou em um relacionamento. Temos medo de ficar sozinhos, desvalidos, desprotegidos. E nesse medo, somos capazes de nos manterem situações inimagináveis.

O que queremos, na realidade, só pode ser encontrado dentro, em nós. Na nossa força pessoal, poder interior, na nossa essência e através dela. O que todos queremos, no fundo, é estima, amor próprio, porque com ele, podemos ser e fazer o que quisermos. Quando, profundamente, nos amamos e aceitamos, não há uma necessidade de agradar e ser agradado (apesar de poder acontecer e isso também ser desejado), não há uma necessidade de impressionar ou mostrar.

O reconhecimento e o merecimento são uma e a mesma coisa, apesar de poderem ser vivenciados e recebidos de variadas formas. O reconhecimento vem de fora, é o que esperamos que os outros vejam em nós e diz respeito à nossa expectativa sobre os outros: que eles reconheçam o nosso valor. O merecimento diz respeito àquilo que achamos que merecemos, consoante o valor que achamos que temos. Também ele pode ser reconhecido ou decidido por outra pessoa.

Para mim, o reconhecimento só é necessário quando achamos que merecemos esse reconhecimento. Se, por nós mesmos, já nos sentirmos merecedores, ou valiosos, pelo que somos ou fazemos, merecedores de sucesso, amor, carinho, felicidade, não precisamos que ninguém reconheça o valor que, no fundo, já sabemos que temos. Agora, se esse valor for condicional ao que os outros reconhecem ou deixam de reconhecer, temos um problema.

Todos queremos ser reconhecidos pelo que somos ou fazemos, certo? Mas se as outras pessoas não o fizerem? O pai, a mãe, o professor ou professora, chefe, patrão ou patroa… Ficaremos para sempre à margem de um desgosto e expectativas defraudadas. Então eu digo; mais que dizer, eu afirmo: você é suficiente, você é merecedor. Não interessa o que dizem/fazem ou deixam de dizer/fazer. Você é digno e você tem valor. Reconheça-o em si. Encontre-o, descubra-o. Tudo o resto deixa de ter importância quando o encontra.

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