Ser mãe e pai das emoções

children-1879907_960_720

Sim eu sei, elas são chatinhas, corrosivas, impertinentes, birrentas, perturbam a nossa paz, aparecem sem serem convidadas, permanecem mais tempo do que é necessário e, quando estamos descansados, voltam uma e outra vez, até ao infinito. Engane-se quem julgue que um dia isso acaba ou acalma, não é verdade. Por mais trabalho de autodesenvolvimento que faça, as emoções fazem parte da nossa malha e serão eternas companheiras.

As emoções fazem parte de nós, da nossa humanidade. Algumas emoções já foram estudadas/comprovadas nalguns animais, mas é o que nos faz ser humanos e é o que nos faz sentir. Servem de alarme, de aviso, de lembrete e servem para nos mostrar o mundo, sentirmos o mundo, as situações e as pessoas. Servem para antecipar e para apreciar os momentos. Vêm de um sistema ancestral, um sistema límbico.

Nós não gostamos de estar tristes, revoltados, com raiva, ou frustrados. Chamamos-lhes emoções negativas: ficamos tristes por nos sentirmos tristes, frustrados porque estamos frustrados, e revoltados porque nos sentimos desanimados. Costumo dizer que podemos criar um espaço entre o que sentimos e o que pensamos, entre a emoção e a racionalização dessa emoção, que é o que costumamos fazer. Como tal, mantemos por mais tempo do que o necessário esta mesma emoção, e a isso, podemos dar o nome de sofrimento (quando é uma emoção dita “negativa”).

Mas mais que criar esse espaço, bastante útil e necessário, a meu ver, é acolhermos essas emoções, tal como um pai ou mãe amorosos acolheriam os seus filhos apoquentados com alguma coisa. E esta é a beleza da autoestima e autoaceitação também: não criarmos resistências ou defesas em relação às emoções, ou então elas acumulam-se que nem lixo emocional ou bichinhos papões debaixo da cama, povoando os nossos sonhos e provocando os nossos medos.

Quando nos permitimos sentir sem julgamento, criando o tal espaço, podemos, de seguida, acolher essas emoções, deixando-as ser exactamente como elas são. Ruidosas, desesperadas e espaçosas. Quando lhes sorrimos e dizemos: “está tudo bem, conta lá, o que se passa?”, elas choramingam em nós, libertando-se do peso e transformando-se em algo leve, até que se dissipam, não deixando quase memória.

As emoções deviam ser assim, aceites, acolhidas e reverenciadas, sendo ouvidas e compreendidas, que é, no fundo, o que elas pedem: compreensão e acolhimento. Ao fazermos isso, permitimos que a tempestade passe, não nos levando com ela. Se racionalizarmos, estamos a criar mais e mais do mesmo, indo rebuscar no baú das memórias, porque é isso que o cérebro faz, pesquisa por associações semelhantes e traz mais do mesmo. Se pararmos o circuito, as emoções não se detêm em nós, et voilá! De bem com a vida novamente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s