Apoio e protecção

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– Devo apoiar ou dar protecção à criança? O que é melhor? São coisas diferentes ou é a mesma coisa?

– Deves apoiar… Protecção dá a entender que precisas proteger a criança a todo o custo de sofrer, de errar, e colocá-la, novamente, numa redoma, para que não se magoe…

– Mas ela precisa disso!

– Precisa? Ou és tu que precisas de te sentir segura e protegida?

– Talvez…

– Então eu sugiro que apoies essa criança no processo dela, no crescimento, estando presente só no que é necessário para que ela, daqui para a frente, possa crescer por ela própria, cometer os erros que tem de cometer, porque a vida, no fundo, é isso… Tentativa e erro. É assim que aprendemos. Se lhe retirarmos essa liberdade, e espaço, ela nunca vai aprender a subsistir por ela mesma e estará, para sempre, dependente de ti e da tua protecção…

Este diálogo surgiu no decorrer de um exercício de criança interior. Óbvio que se tivermos filhos devemos apoiá-los e protegê-los no que eles necessitarem. Mas a protecção não deve ser superprotecção. Todas as crianças precisam de uma forma de protecção, pois são seres indefesos que precisam, e são dependentes de nós até determinada idade. Precisam também de ter liberdade e espaço para cometer os seus erros e aprenderem com as consequências, mas perceberem, igualmente, que podem ir mais além. Que é possível e desejado.

Na sobreprotecção, ensinamos o medo, a dependência, a falta de confiança, a insegurança e a ansiedade, a expectativa temerosa. Se não dermos asas a uma criança, ou as cortarmos sucessivamente, teremos um adulto medroso, ansioso, com dificuldades de enfrentamento ou assertividade, com falta de firmeza pessoal ou autoconfiança, que duvida de si mesmo. Há sempre excepções e todas as pessoas podem ultrapassar os seus medos e as suas limitações, se assim o quiserem e treinarem para isso.

Todas as pessoas com quem trabalho sabem que sou apaixonada pelos exercícios da criança interior. Todos beneficiaríamos de os fazer, para contacto com todas as formas de vulnerabilidade e sentimentos sobre nós mesmos. Acolher todas as nossas partes com amor é o exercício mais curativo que conheço. O delicado equilíbrio entre o dar espaço e liberdade, e proteger ou defender é um movimento de dar e refrear. Também precisamos de nos desafiar, de nos exceder, por vezes. E isso não pode ser feito numa medida de protecção e contenção constantes.

Há mergulhos no vazio e em precipícios, que não sabemos onde vão dar ou no que vão resultar, mas que precisamos de dar. Ao nos expormos mais e mais, enfrentarmos o que é de enfrentar, criamos resistências, forças, capacidades, qualidades, e autoconfiança, autoestima, quando nos provamos a nós mesmos que é possível ser mais, fazer diferente e chegar onde sonhamos. Dar o salto é a melhor forma de crescer, para fora e para dentro. Atreva-se a fazê-lo e veja os resultados que pode trazer para a sua vida.

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