Da minha janela

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Da minha janela vê-se a rua
Onde passa gente
Pessoas a falar, pessoas pensativas, pessoas a discutir, pessoas distraídas
Da minha janela vejo animais a passear
Cães a farejar aqui e ali, a passar determinados
Pássaros a voar de árvore em árvore, uns em bandos, outros sozinhos
Gaivotas a sobrevoar o céu à espera da senhora que leva comida aos gatos.
Na minha janela passam conversas cruzadas e eu vejo o céu
Carros, árvores, os contentores do lixo e da reciclagem
Da minha janela contemplo o fora
O mundo exterior
O bulício das pessoas, do mundo
A azáfama e o corre-corre do dia-a-dia
Vejo as mentes a pensar
Vejo os olhos perdidos nas pedras da calçada ou a contemplar o nada
Vejo a agitação do mundo
A vida a acontecer e a fenecer a cada momento
As estações a acontecer como aqueles lapsos de tempo em que no céu passa o dia, a noite, o sol e a chuva.
A minha janela é aquilo que separa o dentro e o fora
A minha mente da rua
Nessa janela vejo o lá fora e sinto o dentro
Faço a comparação
E paro… sinto a mina respiração
Observo os meus pensamentos
Vejo o que sou eu e aquilo que não sou
A minha janela sou eu
Uma moldura de sensações, pensamentos e emoções
Por onde a vida passa, a vida acontece
A minha janela é o meu próprio limite
Que pode ser maior ou mais pequeno consoante o que observo e penso
Na minha janela cabe tudo, um pequeno grande mundo
Dentro dela sou o que sou
É a minha casa onde posso ser
Fora dela…
Há um mundo em eterna mutação onde explorar e participar

Identificar-se ou não.

Love, Simon (acerca do filme e da adolescência)

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A adolescência não é período fácil. Há todo um mundo a acontecer fora e dentro. Há uma necessidade tremenda de pertencer, de não se destacar para não ser notado, criticado ou ridicularizado. Os amigos são as coisas mais importantes do mundo, porque com eles temos um grupo de pertença, de partilha e de protecção. Sem eles falta uma estrutura, uma barreira em relação aos outros, e o adolescente fica sozinho.

A perspectiva dos pais, as limitações impostas, os castigos, as regras, a limitação de tempo de redes sociais/telemóvel ou computador, têm um impacto brutal, e o adolescente sente-se tremendamente injustiçado, desrespeitado, com um impacto imaginado de perda de alguma coisa. Perder uma novidade, ficar temporariamente excluído, perder a participação em algo onde “todos” estão, etc.

Impacto imaginado quer dizer que tudo é assunto de vida ou de morte na adolescência. Há segredos, confissões, sentimentos que se partilham e são o maior tesouro do mundo. Há graves traições também, de confiança, de inconfidências com terceiros, e terceiros que espalham a toda uma escola, e a partir daí, gozo, humilhação, vergonha, de coisas simples ou até pequenas mas que, para estes jovens, se revestem da maior importância.

A adolescência não é pêra doce. É uma fase de criação e experimentação de independência e de identidade. Começamos a perceber quem somos, quais os nossos gostos, interesses, expectativas, orientações, vontades e desejos. Há muita fantasia e ilusão também, há um acreditar em tudo o que os amigos dizem e querer seguir tendências, modas, trejeitos e formas de falar, lá está, para pertencer, para ser igual. É todo um movimento para o exterior, um desejo de participar e ser aceite, como tal, há que seguir as regras, normas e condutas desses mesmos grupos.

Engraçado como o movimento dos 20 para cima é exactamente o contrário, descobrir quem sou eu sem o grupo, sem os amigos. O que quero? O que gosto? O que quero criar? Qual o estilo pessoal que quero ter? O que quero parecer? Como o fazer? Nessa década já há mais experimentação com o “eu” individual, há o questionamento da máscara que se colocou na adolescência para parecer e pertencer ao grupo.

Na adolescência a identidade é criada por comparação e imitação. Treinamos as pessoas que queremos ser através dos nossos modelos de referência e de valoração, que são os nossos amigos ou os jovens de destaque na escola, e é exactamente na escola que é a nossa aprendizagem social mais marcante. É lá que tudo se passa. É lá que crenças são criadas sobre nós, sobre os outros, sobre o mundo e como o futuro deve de ser, desejado ou imaginado. Claro que em casa idem aspas. Mas na escola é o modelo real, é o palco onde tudo se assiste e se treina.

Quanto ao filme em si, de onde foi inspirado este texto, retrata a vida de um grupo de amigos, incidindo especificamente na experiência de um dos rapazes do grupo que descobre ser gay mas tem vergonha de dizer aos amigos, e, na tentativa de esconder para evitar as consequências temidas, acaba por participar num rol de mentiras que o prejudica gravemente junto dos amigos, que se chateiam com ele e se afastam (temporariamente).

O filme está muito giro e a família do rapaz é uma delícia, nomeadamente na reacção à confissão da orientação sexual. Os amigos perdoam, ele arranja namorado e fica tudo bem, mas o que me inspirou foi mesmo a lembrança do quanto é difícil viver esta etapa da vida com tanto peso que é dado aos outros, e o quanto os outros podem prejudicar, gravemente, a autoestima de quem poderá estar mais fragilizado, com consequências duradouras.

No reino das gaivotas

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No reino das gaivotas não há rei nem senhor, não há lei nem democracia, mas há a ordem das coisas vivas, que se regem pelo sol e pelo mar. Nesse reino eu parei, sentei e senti o que era o relaxamento. Primeiro, todos os passos dados, deixando mente para trás. Ser só sensação. Depois, parar e escutar o interior. Perceber como há quente dentro, como tudo funciona por si, sem necessidade de controlo da nossa parte e sem precisar de mais nada a não ser o ar, água e comida que introduzimos diariamente para manter tudo a funcionar.

Nesse silêncio mental, sentir a tal ordem das coisas vivas, sem mente. Só sensação. Sentir o preenchimento do nosso interior, composto de órgãos e sistemas, que se interconectam e criam harmonia e, com ela, vida, presença, consciência. Quando observamos apenas isso, sentimos o nosso motor, o nosso coração, o nosso calor interior.

Quando nos conectamos por algum tempo nessa presença ou consciência, contemplação ou estado de observação, a mente de facto silencia. Não pensa. Não quer dizer que não haja pensamento. Não há é identificação com ele. As palavras tornam-se como nuvens ao vento. Antes disso, a mente estremece nessa promessa de morte ou adormecimento, emitindo um alerta. Quando não alimentamos o alerta, e deixamos esse processo acontecer, tal computador em modo suspensão, a mente assim fica, sem nada mais importar a não ser o eterno e grandioso agora.

O que fazer para baixar a ansiedade

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Tem ansiedade?

Na verdade, quem não tem? Sabia que a ansiedade faz parte de nós e se não fosse por ela nem nos levantávamos de manhã para fazer o que fosse?

A ansiedade é o nossos sistema de activação, de alerta, aquele que nos desperta e incentiva a fazer (lutar, fugir ou desistir). Um sistema ancestral imbuído nas nossas células e parte do nosso sistema nervoso. Como um programa, ou app, pré-instalado no nosso cérebro. Já nascemos com ele, portanto. A partir daí, as nossas experiências e vivências vão moldado e regulando esse sistema, activando-o mais ou menos.

O problema é que esse sistema está sempre em activação e nem sempre sabemos como “desligá-lo” ou reduzi-lo. Mas é possível! Não desespere. Não leve é muito tempo a procurar ajuda, caso esse sistema lhe esteja a dar cabo dos nervos, a levá-lo a ter ataques de pânico e andar completamente stressado todo o tempo, cheio de medo de alguma coisa que nem sabe o que é e com uma preocupação constante sobre o futuro e as coisas que podem vir a acontecer mas que não estão a acontecer agora.

O que pode fazer:

1. Respiração

Nada funciona melhor do que esta velhinha prática. Gosto particularmente da respiração da coerência cardíaca, ora procure online. A respiração traz-nos, como mais nada neste mundo, ao momento presente. Não se trata só de respirar, mas de tomar consciência da respiração, fazendo uma respiração natural, sem esforço, deixando o ar entrar e sair. Encontre e implemente uma prática de respiração consciente diariamente.

2. Consciência corporal

Pare para reparar como está o seu corpo. Que zonas de tensão tem? Quais aquelas provocadas por más posturas ou tensão abdominal e más práticas de respiração? Andamos constantemente a correr de um lado para o outro, imersos em pensamentos e preocupações, que desprezamos por completo o que isso faz ao nosso corpo em termos de tensão. Ora os músculos têm memória, se anda tenso todo o dia, também anda o seu corpo (e vice versa). Mesmo quando está descontraído, o corpo continua tenso.

3. “Scanner” corporal e relaxamento progressivo

Não é à toa que é uma das principais ferramentas do Mindfulness. É observar como está o seu corpo, sentindo as várias partes corporais e ajustando a sua posição, descendo os ombros, relaxando a zona abdominal, soltando os braços e ombros, bem como os maxilares. Estas são as principais zonas de tensão.

4. Cortar o ciclo de pensamentos

Aos fazermos estas práticas, podemos, por si só, quebrar o ciclo mental em que estávamos envolvidos antes de as fazermos. A mente foi criada para resolver problemas, mas os problemas não estão a acontecer a todo o instante. Quando não há nada em termos práticos a fazer no imediato, pense nas soluções possíveis para cada uma das situações que tem de resolver, e ocupe-se de outra coisa mentalmente, reparando no meio ambiente, focando-se apenas na tarefa que tem em mãos, etc.

5. Práticas de relaxamento regulares

Sejam elas quais forem. Tudo aquilo que o possa relaxar e que goste de fazer. Toma banho ou faz a sua higiene todos os dias? Pois bem, deve fazer a sua gestão emocional diariamente também, senão é como uma tulha de roupa suja sempre a acumular, essas coisas que são os pensamentos e emoções. Devem ser reciclados, limpos e descartados. Pode ser ter um momento para si, para ler, ouvir música, dar uma caminhada ou uma corrida, ir espreitar o mar, ficar em silêncio, escrever, fazer um exercício meditativo ou respiratório, fazer uma massagem, tomar um banho de imersão. Você escolhe.

Como vê, há coisas simples e rápidas que pode fazer para atenuar ou reduzir a ansiedade. A ansiedade não é um bicho papão que se esconde atrás do cortinado ou debaixo da cama, com o único propósito de nos perturbar. É algo que existe e vai continuar a existir em nós, por mais que tome ansiolíticos. É um circuito interno que pode gerir, com estas ou outras práticas que conheça e implemente com sucesso e regularmente. Eu diria até diariamente.

A mulher depois dos 30

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A mulher depois dos 30 já sabe aproveitar o seu tempo livre, fazendo coisas que lhe fazem bem e que gosta de fazer. A mulher depois dos 30 já cuida melhor de si (ou deveria cuidar, em termos de alimentação, exercício físico e cuidados à pele, por exemplo), já sabe o que tem de fazer para se sentir melhor, já aprendeu (ou deveria aprender) a gostar mais dela, a valorizar-se mais e a não fazer fretes. Já sabe bem o que quer e não quer,o que gosta e não gosta, já aprendeu (ou deveria aprender) a fazer as pazes com as coisas que não consegue mudar e com aquilo que é.

A mulher depois dos 30 já aprendeu algumas coisas, através das vivências e relacionamentos que teve, através das várias experiências nos vários contextos de vida, e, com isso, já sabe quais os caminhos que deve percorrer (ou que serão bons para ela), e quais os que deve evitar, evitando cair em esparrelas e ilusões. Ilusão é exactamente algo que cai aos 30, ilusão sobre os outros e sobre nós. Ilusão sobre como as coisas são ou devem ser. Começamos a ver com mais clareza e discernimento.

Aos 30 podem dar-se crises existenciais: será que estou no caminho certo? O que deveria estar a fazer? Qual a profissão ou o trabalho ideal para mim? Como desenvolvo a minha paixão, missão ou propósito? Quais são eles? O que é suposto eu fazer no mundo? Como deixo a minha marca? Como posso ser melhor mãe, companheira ou profissional? Como posso ser melhor pessoa? Sentir-me melhor comigo mesma?

Estas e tantas outras questões. Na casa dos 30 é esperado concretização pessoal, familiar e profissional. Espera-se que, na casa dos 30, se constitua família, se tenha um companheiro e trabalho estáveis, se saiba o que se está a fazer e se tenha tudo all figured out, ou resolvido em termos de convicções, certezas, opiniões e sobre o que se tem de fazer ou não. Mas, por vezes, nada poderia estar mais longe de acontecer.

Estamos envolvidos numa sociedade e cultura dominante, padrões familiares e sociais, expectativas que tais. Para mim, aos 30 é quando se começa a contestar o que é certo e sabido. A contestar quem, na realidade, somos. Se somos uma construção de vários factores, vivências, crenças e padrões, quais são os padrões e crenças que são nossos e fomos nós que criámos, e quais não são nem devem fazer mais parte de nós? Quais os que queremos manter e quais não queremos?

A mulher depois dos 30 já só quer fazer o que lhe faz bem, manter o que é de manter, e quer ser ela mesma, ela própria. E ser ela própria envolve algumas questões, dúvidas, incertezas, inseguranças e questionamentos. E eu acho que é a partir dos 30 que nos tornamos quem somos ou deveríamos ser. Esse questionamento é o que nos leva lá, a descobrir o que é dos outros e o que, de facto, é nosso. O que queremos manter ou não do que aprendemos, acreditámos, esperámos e sonhámos. O que é certo para nós ou não.

A partir dos 30 começa o caminho da maturidade, autodescoberta em termos mais profundos, não de vivências e experiências como a casa dos 20, e autodesenvolvimento direccionado aos sonhos e paixões que queremos seguir. Despimo-nos (ou devemos despir) de uma série de condicionamentos criados por nós ou impostos e recebidos por parte do exterior, que aceitámos, muitas das vezes por não haver outras alternativas ou opções. Aos 30 começa a vida, depois desta filtragem. A partir daí, podemos ser quem realmente somos ou queremos ser, criando o que devemos criar. Bem hajam os 30!

Cura, integração e totalidade

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Antes de nos sentirmos bem, em equilíbrio e paz interior, precisamos de passar por processos de cura. E não falo de cura física, falo de cura interior, cura emocional e mental. O corpo cura-se com medicação, alimentação e exercício físico, bem como através da mente também, com o poder mental que temos de converter a frequência do pensamento – passar do desânimo para a esperança e crença de que é possível melhorar, introduzir mudanças, conseguir o que queremos, etc.

Esse poder mental ou a força da convicção é o que nos leva a todo o lado, o que nos faz ser bem sucedidos, chegarmos mais além e sentirmo-nos melhor connosco, com a vida e com os outros. O poder da crença tem a capacidade de nos condicionar e a capacidade de nos fazer transcender. Quando acreditamos que somos donos e senhores da nossa cura, da nossa vida e podemos fazer dela o que quisermos, não há nada que nos possa demover.

E a cura também é isso, é podermos navegar nas nossas crenças inconscientes, as crenças limitantes e autosabotadoras, resgatá-las à consciência e reestruturá-las. O melhor mesmo é fazê-lo com a ajuda de terapia, para ser mais fácil e rápido esse processo. Na realidade, podemos passar anos a investigar as nossas crenças, a descobri-las e a tentar modificá-las. Normalmente não acreditamos que elas possam ser mudadas porque acreditámos nelas toda a nossa vida, nem sabemos bem a partir de quando.

Com a hipnoterapia tenho assistido a fenómenos incríveis de lembrança do quando tudo começou, quando estabelecemos “leis mentais” que ditam a nossa conduta e forma de estar e viver as coisas da vida. Convicções que criamos afincadamente para nos salvaguardar da dor, sofrimento, desaprovação, etc. A integração é quando podemos fazer as pazes com tudo o que nos limitou, transformando esses limites em algo mais flexível ou abrangente.

Como se faz isso? Quando nos conhecemos tão bem, quais as nossas limitações, crenças e dificuldades, e começamos a usar isso a nosso favor. Sabendo até onde podemos ir, ou não, o que realmente podemos fazer, ou não. E estando bem com isso – não desejando ser quem não somos, porque seria melhor, mais fácil, ou o que seja. Aceitando-nos incondicionalmente. Reconhecendo as nossas falhas e fragilidades, acolhê-las, falar com elas, compensando com todas as outras coisas boas que temos.

Integração de todas as nossas partes, boas ou más, aceites ou não, as rejeitadas, as tristes, as revoltadas, todas aquelas que nos compõem e integram o nosso mundo. Fazendo um trabalho de acolhimento com elas, transformando-as, ouvindo o que têm a dizer, falando com elas no sentido do aconselhamento, apaziguamento. Esse é o trabalho da criança interior, ou jovem, ou adulta… Todas as partes que fazem parte de nós.

Totalidade é quando começamos a movimentar-nos no mundo com a integração pacificada de todas essas partes. Começamos a agir com sabedoria, consciência, aceitação do que não podemos mudar e do que temos a oferecer ao mundo e como. Totalidade é quando nos sentimos livres e libertos de todos os condicionamentos que nos prenderam até então. Reconhecermo-nos, trabalharmos em nós, até não sobrar parte nenhuma nossa ostracizada.

A noite tranquila

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A minha alma tem vazios
Fendas e buracos negros
Tem intempéries
Tem lapsos do tamanho do Tempo
Tem camadas e convés
Não cabe na palma da mão.
A minha alma percorre mundos
Espaços e linhas de tempo
Não tem direcção nem destino
Foge como quem voa certo
Estica e encolhe
Está em parte incerta
Brinca e relampeja.
É tudo o que sou mas também o que não sei
O que não sou e desconheço
Tentar agarrá-la e uma labareda se ergue
Deixar que venha é a solução
Parar, esperar por ela
Volátil
Escarninha
Chama acesa
Intemporal, tudo o que é e há de ser.
Se paro, sorrio e ela confia
Aninha-se em mim tal gato selvagem
Espírito do mar ou do ar
E aí, tal fogo morno
Adormece no meu ventre
E eu sou tudo o que Há e há de Haver
Sou tudo o que sou e sei
Sou a existência em si
E tudo entra numa paz profunda
Como uma noite silenciosa e tranquila.