As mulheres que ficam

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Existem mulheres fantásticas, magníficas, inteligentes, cheias de garra, excelentes mães, excelentes profissionais, não deixam faltar nada a ninguém, mas que, muitas vezes, estão em relações de uma infelicidade estonteante. Ou em relações de vazio, de silêncio, de distância afectiva ou emocional.

Relações vazias de romance, de carinho, de compreensão, afecto, paixão, amor, sentimentos, gestos e atitudes carinhosas. A essas mulheres não as podemos acusar de amar de mais, mas sim, amar de menos… Amar-se de menos.

Há mulheres que não concebem passar a vida sozinhas e ficam em relações porque se não houver essa relação, o que será delas? Há mulheres que ficam porque, de facto, amam uma pessoa, mesmo que essa pessoa não seja merecedora do prato que, diligentemente, apresentam diariamente à hora da refeição, a camisa ou a roupa passada a tempo e horas, e outros exemplos.

Vivemos na era moderna, as mulheres são livres para se relacionarem com quem quiserem, as vezes que quiserem, que ninguém leva a mal. Sim, ainda há críticas e ainda há preconceitos e julgamentos, e ainda há conceitos familiares do patriarcado que se fazem sentir em mentes mais conservadoras. Vivemos numa era em que as mulheres também podem ficar sozinhas, se quiserem. Sem marido, companheiro ou filhos.

Temos todas as escolhas possíveis ao nosso alcance, mas, mesmo assim, há relações forçadas, de obrigação, de subserviência, de culpa, de mágoa, de carência e de dependência (ou “apego”). Mas uma vez, apego à segurança ou conforto de se saber que não se está sozinha, que existe ali alguém, ainda que esse alguém só esteja em corpo presente. Mentes que não comunicam, corações que não se entrelaçam, corpos que não se desejam mais.

E há os casos de tremenda falta de amor… Falta de amor por si, consciente ou inconscientemente. Nesses casos sim, fica-se porque não se pode partir. Aguenta-se ficar, estoicamente, sofrendo-se em silêncio, porque há o quadro, a imagem idealizada de casal ou família perfeita: “eu tenho alguém, eu importo, eu existo e não estou só”.

Mesmo que seja aparência, mesmo que seja porque não se tem a coragem de partir, do como é que vai ser depois, ou “porque assim estou acostumada, e o que é que a minha família irá fazer”, ou até mesmo o medo das consequências, caso o companheiro seja um homem violento…

Tantos os motivos. De qualquer das formas, é uma escolha. É um resolver ficar porque “não quero passar por tudo aquilo que acontecerá, ou sentirei, caso escolha partir, deixar, terminar”. E está certo… O instinto de sobrevivência, ou de protecção aos filhos, é o instinto que temos mais forte em nós.

Esse instinto manda-nos ficar em situações de falta, se for preciso. Falta emocional, falta de carinho. Mas há um lar, uma rotina, um tecto e uma cama onde dormir, comida na mesa e dinheiro ao final do mês, que vai chegando para os gastos.

Há muitas mulheres que ficam por dependência financeira dos maridos, é verdade, ou por escassez de recursos. Mesmo assim há saída, solução. Procura activa de trabalho, pedir ajuda a familiares ou alguém que possa ajudar temporariamente em termos de estadia ou empréstimo de algum dinheiro, procurar ajuda especializada para aconselhamento, orientação…

É possível. E é possível, ainda mais, aprender a amar-se, respeitar-se e julgar-se merecedora de algo bom, algo melhor – sozinha, ou acompanhada. É possível terminar-se esse ciclo ou loop de falta de amor (próprio e do outro). Há que despertar desse transe e fazer por encontrar uma saída. Ainda que custe, vai valer a pena.

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