A mulher depois dos 30

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A mulher depois dos 30 já sabe aproveitar o seu tempo livre, fazendo coisas que lhe fazem bem e que gosta de fazer. A mulher depois dos 30 já cuida melhor de si (ou deveria cuidar, em termos de alimentação, exercício físico e cuidados à pele, por exemplo), já sabe o que tem de fazer para se sentir melhor, já aprendeu (ou deveria aprender) a gostar mais dela, a valorizar-se mais e a não fazer fretes. Já sabe bem o que quer e não quer,o que gosta e não gosta, já aprendeu (ou deveria aprender) a fazer as pazes com as coisas que não consegue mudar e com aquilo que é.

A mulher depois dos 30 já aprendeu algumas coisas, através das vivências e relacionamentos que teve, através das várias experiências nos vários contextos de vida, e, com isso, já sabe quais os caminhos que deve percorrer (ou que serão bons para ela), e quais os que deve evitar, evitando cair em esparrelas e ilusões. Ilusão é exactamente algo que cai aos 30, ilusão sobre os outros e sobre nós. Ilusão sobre como as coisas são ou devem ser. Começamos a ver com mais clareza e discernimento.

Aos 30 podem dar-se crises existenciais: será que estou no caminho certo? O que deveria estar a fazer? Qual a profissão ou o trabalho ideal para mim? Como desenvolvo a minha paixão, missão ou propósito? Quais são eles? O que é suposto eu fazer no mundo? Como deixo a minha marca? Como posso ser melhor mãe, companheira ou profissional? Como posso ser melhor pessoa? Sentir-me melhor comigo mesma?

Estas e tantas outras questões. Na casa dos 30 é esperado concretização pessoal, familiar e profissional. Espera-se que, na casa dos 30, se constitua família, se tenha um companheiro e trabalho estáveis, se saiba o que se está a fazer e se tenha tudo all figured out, ou resolvido em termos de convicções, certezas, opiniões e sobre o que se tem de fazer ou não. Mas, por vezes, nada poderia estar mais longe de acontecer.

Estamos envolvidos numa sociedade e cultura dominante, padrões familiares e sociais, expectativas que tais. Para mim, aos 30 é quando se começa a contestar o que é certo e sabido. A contestar quem, na realidade, somos. Se somos uma construção de vários factores, vivências, crenças e padrões, quais são os padrões e crenças que são nossos e fomos nós que criámos, e quais não são nem devem fazer mais parte de nós? Quais os que queremos manter e quais não queremos?

A mulher depois dos 30 já só quer fazer o que lhe faz bem, manter o que é de manter, e quer ser ela mesma, ela própria. E ser ela própria envolve algumas questões, dúvidas, incertezas, inseguranças e questionamentos. E eu acho que é a partir dos 30 que nos tornamos quem somos ou deveríamos ser. Esse questionamento é o que nos leva lá, a descobrir o que é dos outros e o que, de facto, é nosso. O que queremos manter ou não do que aprendemos, acreditámos, esperámos e sonhámos. O que é certo para nós ou não.

A partir dos 30 começa o caminho da maturidade, autodescoberta em termos mais profundos, não de vivências e experiências como a casa dos 20, e autodesenvolvimento direccionado aos sonhos e paixões que queremos seguir. Despimo-nos (ou devemos despir) de uma série de condicionamentos criados por nós ou impostos e recebidos por parte do exterior, que aceitámos, muitas das vezes por não haver outras alternativas ou opções. Aos 30 começa a vida, depois desta filtragem. A partir daí, podemos ser quem realmente somos ou queremos ser, criando o que devemos criar. Bem hajam os 30!

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