A noite tranquila

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A minha alma tem vazios
Fendas e buracos negros
Tem intempéries
Tem lapsos do tamanho do Tempo
Tem camadas e convés
Não cabe na palma da mão.
A minha alma percorre mundos
Espaços e linhas de tempo
Não tem direcção nem destino
Foge como quem voa certo
Estica e encolhe
Está em parte incerta
Brinca e relampeja.
É tudo o que sou mas também o que não sei
O que não sou e desconheço
Tentar agarrá-la e uma labareda se ergue
Deixar que venha é a solução
Parar, esperar por ela
Volátil
Escarninha
Chama acesa
Intemporal, tudo o que é e há de ser.
Se paro, sorrio e ela confia
Aninha-se em mim tal gato selvagem
Espírito do mar ou do ar
E aí, tal fogo morno
Adormece no meu ventre
E eu sou tudo o que Há e há de Haver
Sou tudo o que sou e sei
Sou a existência em si
E tudo entra numa paz profunda
Como uma noite silenciosa e tranquila.

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