No reino das gaivotas

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No reino das gaivotas não há rei nem senhor, não há lei nem democracia, mas há a ordem das coisas vivas, que se regem pelo sol e pelo mar. Nesse reino eu parei, sentei e senti o que era o relaxamento. Primeiro, todos os passos dados, deixando mente para trás. Ser só sensação. Depois, parar e escutar o interior. Perceber como há quente dentro, como tudo funciona por si, sem necessidade de controlo da nossa parte e sem precisar de mais nada a não ser o ar, água e comida que introduzimos diariamente para manter tudo a funcionar.

Nesse silêncio mental, sentir a tal ordem das coisas vivas, sem mente. Só sensação. Sentir o preenchimento do nosso interior, composto de órgãos e sistemas, que se interconectam e criam harmonia e, com ela, vida, presença, consciência. Quando observamos apenas isso, sentimos o nosso motor, o nosso coração, o nosso calor interior.

Quando nos conectamos por algum tempo nessa presença ou consciência, contemplação ou estado de observação, a mente de facto silencia. Não pensa. Não quer dizer que não haja pensamento. Não há é identificação com ele. As palavras tornam-se como nuvens ao vento. Antes disso, a mente estremece nessa promessa de morte ou adormecimento, emitindo um alerta. Quando não alimentamos o alerta, e deixamos esse processo acontecer, tal computador em modo suspensão, a mente assim fica, sem nada mais importar a não ser o eterno e grandioso agora.

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