A hipnose faz magia?

Leonardo-Teixeira-1

A meu ver, quase que faz. Não sendo magia, nem produzindo resultados imediatos, por vezes eles acontecem rapidamente. Muitas vezes assisto a processos fantásticos e mudanças abismais em pouco tempo, que até a mim me surpreendem. Mas cuidado, não é sempre. Há pessoas que estão muito preparadas para acessar a si mesmas, prontas para contornar as resistências da mente e do inconsciente, que se permitem ir e se deixam levar até onde precisarem de ir. Aí torna-se tudo muito mais fácil.

Importa aqui dizer que a hipnose não é um exercício de subjugação do terapeuta sobre o paciente, uma luta de poder nem uma dominação por parte do terapeuta sobre a mente e o livre arbítrio do paciente. A pessoa está, em todos os momentos, consciente do que se está a passar, de forma lúcida, presente e focada. É preciso dizer isto.

Podem haver várias formas de trabalhar, mas esta é aquela que é a mais correcta e a mais ética possível: não haver manipulação do terapeuta sobre o que paciente deve imaginar ou não, sentir ou não, fazer ou não, no decorrer dos exercícios (que são semelhantes a uma meditação guiada – só que interactiva, com a participação activa do paciente).

Quando se vem muito preocupado e expectante com resultados, perde-se muito da essência deste trabalho. A pessoa até pode vir com um objectivo específico para essa consulta, mas a mente (ou o inconsciente) sabe sempre onde nos levar em cada sessão e em cada momento, só temos de a seguir. Se quer resultados imediatos e não tem disponibilidade, vontade, ou paciência para deixar o processo desenrolar-se, a hipnose não é para si.

A hipnose é, em si, uma caminhada, uma jornada de autoconhecimento e autodescoberta. Vai apresentar realidades, crenças, memórias, sensações, sentimentos e emoções que poderia até não estar à espera. E é aí que a hipnose opera a sua mágica: quando não esperamos nada em concreto, o caminho manifesta-se (quando estamos receptivos). E receptividade é a palavra do meio da hipnose.

Há pessoas que vêm à procura de um resultado muito específico, e isso, por vezes, é contraproducente. Mesmo assim, também nesses momentos, tem sido possível desvendar aquilo que a pessoa procura. Não é sempre, mas acontece. Lembro-me de alguns casos de primeiras consultas de pessoas que vinham com a queixa de que não se conseguiam lembrar de um determinado episódio de ou de uma determinada altura das suas vida. E sim, conseguimos acessar a partes e memórias que tinham estado ocultas até então.

A estes fenómenos damos o nome de rememoração, revivicação ou hipermnésia. Se é magia? Não é, mas parece! Daí o misticismo da hipnose. Produz um transe leve ou moderado (apesar de eu preferir a expressão “estado meditativo” ou relaxamento), que permite que estes fenómenos ocorram. Num estado de relaxamento físico e atenção focada, consegue aceder-se a memórias, sentimentos, emoções, pensamentos e crenças que, num estado de vigília normal, se tornam demasiado rápidos e inconscientes para tomarmos conta.

A hipnose é uma ferramenta muito valiosa para facilitar processos terapêuticos, das mais variadas ordens. Mas, tal como qualquer ferramenta terapêutica, é uma via para chegar ao sintoma e às causas do sintoma e não uma cura espontânea em si. Há todo um trabalho a acontecer à volta da técnica da hipnose, de elaboração, exploração, ressignificação e simbolização dos conteúdos que aparecem nos exercícios. Importante fazê-lo com um profissional credenciado e treinado para o efeito, com conhecimentos e práticas no campo da psicologia, preferencialmente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s