A autoestima e a rebeldia de ser quem somos

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Conheço poucas mulheres a considerarem saudável as sua auto-estima. No fundo, o que é uma autoestima saudável? Nutrirmos afecto por quem somos, gostarmos de quem somos, do que vemos em nós (e para isso não temos de gostar de tudo em nós), falarmos gentilmente e pacientemente connosco, automotivarmo-nos constantemente e sermos as nossas próprias “líderes de claque”, as que em primeiro dizem: “Força! Vamos lá! Tu consegues, tu és capaz!”, com toda a convicção do mundo.

É preciso termos convicção, acreditarmos em nós, valorizarmo-nos, encontrarmos beleza em quem somos, até nas nossas fraquezas e vulnerabilidades. Autoestima é aceitação de quem somos a cada momento, mas também quem fomos, o que fizemos ou deixámos de fazer no decurso das nossas vidas. Convicção nas nossas capacidades, no nosso valor enquanto ser humano e ser vivente nesta terra. Encontrarmos o que é melhor em nós, acolher o que não gostamos.

As mulheres têm falta de autoestima porque querem muito ser boas em tudo e ser boas em tudo sempre. Quando não o conseguem, deprimem e sentem-se inseguras, insuficientes. O ser mulher obriga a ter uma boa imagem, ser competente nas várias áreas e estar sempre bem. Quem consegue isso?? É impossível ou sai a um preço muito caro. Há essa exigência nas mulheres, o terem de estar para tudo e para todos, serem elegantes, belas, disponíveis, cuidar dos outros, serem boas mulheres, boas mães, ter um comportamento exemplar-senão-o-que-pode acontecer…

Há sempre uma guilhotina sob a cabeça da mulher: a expectativa dos outros, da sociedade, da família, dos companheiros, sobre o que deve ser uma mulher. Mas também a expectativa da própria mulher sobre si mesma. Fomos ensinadas à humildade, ao obedecer, ao não responder, ao cumprir as regras, a ser subservientes, obedientes, ao não contestar. Como tal, perdeu-se a mulher rebelde, que está a surgir cada vez mais nas mulheres maduras – a não calar, a não consentir, a não fazer porque sim, porque se espera dela, porque é suposto. O que é suposto, afinal?

Então, no fundo, a autoestima é um pouco de rebeldia. Questionar-se sobre os limites autoimpostos. Porque chega a uma altura em que esses limites só existem porque acreditámos neles, seja por convenção, por sobrevivência ou por comodismo (habituação). Sejamos rebeldes, sejamos activistas do nosso bem estar. Questionemos as nossas fraquezas e vulnerabilidades. Dêmos-lhes motivos para crescer, mudar, acreditar. Acreditar em si é o primeiro passo para a autoestima que quer (e merece) ter.

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