Para perdoar

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Já falei aqui do perdão. É um tema que me fascina, pela sua complexidade e dificuldade. O perdão é o apanágio da evolução humana, do amor e da libertação. Acho que só representa coisas boas, evoluídas e superiores.  Pensem bem, ter a capacidade de perdoar, para mim, é um super poder! Fazer as pazes com sentimentos, decepções e desilusões, mágoas, infidelidades, traições, e todas as coisas pelas quais passamos pela vida, que nos ferem tanto.

Hoje lia algures que, para perdoar, temos de reconhecer e validar a dor. Li várias vezes a frase, de claro que estava para mim o significado e veracidade destas palavras. Não podemos perdoar alguém ou a nós mesmos, sem, primeiro, termos reconhecido essa dor que nos feriu e marcou. É um trabalho doloroso esse. Reconhecer a dor… Dizer-lhe: “sei que estás aí, sei que me feres, reconheço-te, mas não te quero mais manter, decido deixar-te ir”.

Deixar ir a dor é algo difícil para nós, porque essa dor, na verdade, ocupou espaço em nós. Espaço mental, físico e emocional. Essa dor patrocinou raiva, ódio, revolta, frustração, impotência, tristeza e angústia. Emoções fortes e duras, que ocupam espaço em nós e que não se desvanecem de um dia para o outro. Não falo de um perdão qualquer, falo de um perdão especial: perdão aquilo que mais nos feriu ou fere… Pensem na coisa que mais vos marcou? Há pessoas que nem conseguem falar de certos assuntos, para não voltar a sentir a dor.

Exactamente. Para deixarmos de sentir a dor, temos de a sentir completamente. Plenamente conscientes dela, em todas as fibras do nosso ser, evocar a dor até nos doer a alma e decidir que é o fim. Pois é, a dor tem de ser exorcizada, como um parto difícil. Não se dá o perdão total sem este processo. Como o último empurrão, já quase sem força, e se expulsa o bebé ao mundo. Um bebé que chora, estremece em toda a sua pujança e com toda a força dos seus pulmões, vibrante de som e de potencial, para depois ser acarinhado, acolhido por uns braços amorosos, já sem dor, só o cansaço que ficou do esforço.

E o que acontece ao bebé (emoção) depois? Adormece, calmamente, e tudo se pacifica à volta desse momento. A dor já passou, é transformada em sentimento, apaziguamento, calma, carinho e a mãe, neste caso, pode descansar enfim, numa emoção de amor, perdão e superação. E desse momento doravante, a dor não existe mais. É apenas uma memória do que se passou (facto sem emoção).

2 thoughts on “Para perdoar

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