Quando a mente deprime

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Quando se fala em “depressão crónica” o meu coração dispara. Imagino o que possa ser viver deprimido a maior parte do tempo durante anos. Mas o que percebo é, para além de óbvias e necessárias alterações metabólicas e neuronais, é o pensamento que está deprimido. A forma de pensar está saturada, o comportamento de manutenção de hábitos nocivos leva à perpetuação de um estado de humor cronicamente deprimido. Claro, se habitamos em ambientes tóxicos (trabalho, relações e forma de pensar habitual negativista) não podemos estar senão deprimidos.

Há outra forma de depressão: a causada por ansiedade excessiva por um longo período de tempo. Essa forma de depressão pode levar ao esgotamento, ou burnout, quando a pessoa já quebrou todas as resistências e ultrapassou todos os limites físicos, psicológicos e emocionais. E isto está a acontecer cada vez mais. Estamos a trabalhar demasiado, temos pouco tempo de descanso, as exigências diárias são mais que muitas, esperam muito de nós (e nós de nós mesmos também), precisamos estar sempre bem, o trabalho e as responsabilidades não param e não deixam de existir, independentemente da nossa condição física, mental ou emocional.

Não é à toa que surgiram tantas terapias, centros holísticos e terapeutas alternativos para compensar esta loucura de vida que vivemos diariamente, ano após ano, num registo e ritmo alucinante de tarefas, solicitações e obrigações. Eu não sei quanto a vocês, mas 22 dias de férias por ano parece muito pouco, para quem trabalha 5 ou 6 dias por semana, sem contar com o trabalho doméstico e tomar contra de nós. E é exactamente nesse ponto que quero tocar e elaborar.

Vocês tomam conta de vocês? De si mesmo/a? Sabe o que falo? Tomar conta de si? Desse ser que o/a habita? Sentir as necessidades desse ser, percebê-lo, dar-lhe o que ele precisa? Sem reprimendas, crítica ou julgamento. A forma como fala consigo importa, e importa muito. Mais que isso, determina a sua vida, o seu estado mental, o seu estado de humor, o seu sucesso e a sua felicidade. E esta? Sublinhe bem esta frase. O seu pensamento, como pensa, como fala consigo, DETERMINA, as suas vivências e a sua história de vida.

Voltemos ao pensamento deprimido. Quando uma pessoa só foca no problema, para cada solução apresenta outro problema, vive neste loop ou ciclo de vivenciar perpetuadamente ou continuamente o que está de mal na sua vida, preste atenção: a sua mente e corpo vão quebrar mais cedo ou mais tarde. Aparecem os tais sintomas psicossomáticos que a medicina não é capaz de explicar ou de determinar uma causa orgânica, mas a causa orgânica é você mesmo/a que a está a causar: a frequência do seu pensamento.

Não o faz propositadamente, mas se o seu humor está ou é deprimido, está na altura de uma reavaliação. Tal como se faz a revisão ao carro, tem de parar regularmente para se sentir a si. Perceber em que estado se encontra, o que precisa ajustar. Somos uma receita complexa, temos variadas necessidades. Parar e escutar o seu corpo e emoções são de suma importância e vitalidade. A depressão é um sintoma (ou sinal) em si, e a depressão normalmente espreita para perguntar: Hey, achas que estás a ir por um bom caminho? Se calhar é altura de fazer mudanças ou tomar decisões para o teu bem estar…

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