Os movimentos do inconsciente

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Quando se faz hipnoterapia, os exercícios continuam a exercer o seu efeito para além daquele momento, daquela sala, daquela terapia, nas próximas horas e dias. O que acontece na hipnoterapia é também reprogramação, para além de evocação e simbolização. Evocação, ou regressão, diz respeito a ir buscar memórias, sentimentos, crenças e emoções. Simbolização é representar o que se sente sob a forma de uma imagem metafórica (tristeza = mancha negra, raiva = faca no peito, medo = pedra, por exemplo) ou sensação física/orgânica.

Vários são os exercícios realizados em cada sessão. Normalmente começa-se com uns exercícios de relaxamento, como práticas de respiração consciente, consciência corporal e relaxamento progressivo. Depois passa-se para as tarefas metafóricas, a tal simbolização e evocação de conteúdos a trabalhar, que, normalmente, foram discutidos e falados previamente. Então, a verdadeira (hipno)terapia começa.

É feito o trabalho interior de reconhecimento, questionamento, confrontamento e apaziguamento do que seja necessário. E isto tudo através de movimentos da mente, consciente e inconsciente. Ao trabalharmos neste plano, e a nível de profundidade, muitas peças são mexidas em nós, como os carretos numa engrenagem. Aqueles que estavam parados, calcificados, empoeirados, enferrujados ou empenados, voltam a girar e a trabalhar. A engrenagem ganha vida novamente. Peças são mudadas de lugar, outras desactivadas, substituídas ou eliminadas. É tornado mais eficiente, ou, por outras palavras, actualiza-se o mecanismo.

A mente como um todo é um mecanismo altamente complexo. O inconsciente é como uma engrenagem mais rudimentar, que parou, mais ou menos, no tempo, mantendo as crenças, comportamentos padrão, formas de reagir e pensar. Tudo isso tem de ser, necessariamente, mais estanque e mais profundo também. À superfície, ou parte superior da mente (consciente), tendo toda uma panóplia de mecanismos activos, como uma fábrica, uma zona de instrumentos tecnológicos, cheios de painéis a brilhar, écrans, cabos, ligações e interconexões, e vários operários atarefados de um lado para o outro.

Se vamos mexer neste mecanismo, nestas estruturas, é normal haver movimento e alterações (reprogramação), uma vez que estamos a dar instruções para uma nova forma de funcionamento. É quando os operários param, observam e aprendem a nova forma de fazer e processar a informação. Podemos até dizer que esses operários são, nada mais nada menos, de que os neurónios, a trabalhar nas várias zonas especializadas. Eu imagino os mecanismos todos a inverterem a marcha, os rolamentos a ficarem afinados e alinhados. Tudo mais orquestrado, eficiente e oleado, no fundo.

Mas esta é a minha visão da coisa… Quase Álvaro de Campos. Como tal, o inconsciente vai processar toda a informação trabalhada, de forma a “arrumar” tudo nos sítios certos, considerando que estivemos a “desarrumar” a casa, e a tirar coisas do sítio. Ainda que façamos esse trabalho na sessão, vai continuar a acontecer para além dela, porque essa foi a direcção ou instrução dada. Então, nos próximos dias, a terapia ainda vai continuar a “fazer efeito”, como uma medicação tomada. E esta é a minha melhor forma de explicar o processo que acontece no pós terapia, respondendo à pergunta: “isto fica a trabalhar depois de eu sair daqui?”. Fica pois…

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