As fases do caminho espiritual

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Hoje pensei no tema e resolvi enumerar as várias fases que uma pessoa pode passar no caminho iniciático, ou na aproximação a uma vida mais espiritual. Não estão baseados em nenhum conhecimento concreto, apenas na minha experiência enquanto observadora e processo pessoal. Ora aqui vão:

0. O desconhecimento

A pessoa está completamente alheada dos conceitos de espiritualidade. Porque não quer saber, porque tem medo, porque não tem contacto com essa realidade, por motivos religiosos, ou outros.

1. A curiosidade

A pessoa já começa a ouvir falar do assunto e está curiosa, mas nunca explorou esse campo. Normalmente acontece por se ouvir falar do tema, pessoas próximas começam a contactar com essa realidade e a falar sobre o que leram, ouviram e experimentaram. Há um despertar para essa realidade e querer saber mais.

2. O entusiasmo

Começa a existir uma procura inicial, muito exploratória, com algum receio e suspeita, no campo da espiritualidade. Começa a ler-se sobre o assunto, a pesquisar o que existe em termos de terapias e experimentam-se as primeiras terapias, fazem-se os primeiros cursos e workshops. Começa a contactar-se com ideias e sensações que nos deslumbram inicialmente, e queremos conhecer mais.  Procura-se saber mais, experimentar mais. A querer mais (sede de conhecimento).

3. O aprofundamento

Aprofundam-se os conhecimentos e a busca, começam a ler-se livros de auto desenvolvimento, auto ajuda e espiritualidade. Começam a conhecer-se uma série de práticas e terapias e a introduzi-las na vida diária, e também se começa a sensibilizar outras pessoas sobre o assunto (amigos, família e colegas). Podem surgir alterações de hábitos, como o veganismo, reciclagem ou outros. Começam a testar-se os conhecimentos e a pô-los em prática. Há aqui também a sensação de que, de repente, se fez luz e se descobriu a verdade. Também pode haver a tentativa, ou a tentação, de convencer outros dessa verdade, sentindo que os outros estão “adormecidos”. Pode resultar também em egos espiritualizados ou em arrogância espiritual (“eu sei e tu não, como tal sou superior, tu ainda estás no processo, ou atrás”) e a necessidade de doutrinar outros.

4. A prática

Começa a viver-se uma realidade modificada, em termos de pensamentos, rotinas, hábitos e comportamentos. Há mudança na atitude perante os outros, perante si próprio, a vida humana e assume-se a responsabilidade sobre o seu papel neste mundo, explorando a sua verdade e preocupando-se em ser um exemplo para os outros. É uma prática diária e constante. Em vez de se participar em vários círculos, workshops, terapias, consultas e procura de informação exterior, começa a desenvolver-se a auto mestria, ou a individualidade da prática espiritual. Começa a confiar-se mais na voz interior, ou intuição, ouvindo-a e aprendendo que nos guia sempre no bom sentido.

5. A auto mestria

A verdade interior instala-se. Há um senso de pertença, equilíbrio e auto controlo. Ainda não se dominam toda as técnicas ou todos os princípios aprendidos, estudados ou desejados, mas a pessoa aceita o seu lugar na existência, as suas limitações enquanto ser humano, as limitações próprias da mente e da personalidade. Há um desprendimento da ideia de ter que se ser “perfeito”, porque percebe-se que o ser espiritual engloba a aceitação da própria humanidade, que é imperfeita e limitada.

6. O alinhamento

Há uma disciplina, um ritual diário de algumas práticas aprendidas, no sentido do equilíbrio, da presença e da protecção do campo energético. Há uma vivência diária de um estado de contemplação, um estado meditativo em quase tudo o que se faz e um alinhamento ou conexão interior que se vai tornando constante. O corpo torna-se um veículo da alma. A intuição, ou mente superior, comanda o comportamento e o pensamento. Há um alinhamento de pensamento, emoção e acção. A pessoa já não tem a necessidade de agradar, de aprovação ou obter alguma forma de atenção.

7. A transcendência

Neste estádio é possível que a pessoa se possa vir a tornar um guru, mestre, ou viver uma vida menos sofisticada, mais rudimentar ou simples, mais à margem da sociedade, sem grande participação das solicitações sociais, como festas ou eventos públicos. Dará lugar a um consumismo mínimo, existindo uma desidentificação total com a forma de funcionamento da sociedade, vivendo-se apenas sob as solicitações do espírito, ou alma, segundo o propósito e a missão.

Todos estes estádios ou patamares não são totalmente lineares ou sequenciais. Não são estanques, portanto. Podemos vivê-los de forma alternada, alternando entre um estádio e outro, ou tendo já avançado numa fase, enquanto ainda se trabalham aspectos da fase anterior. Podemos até “pausar” num desses estádios, e ficar por aí.

Estamos a falar em desenvolvimento e crescimento, cada um terá o seu ritmo, as suas necessidades, os seus objectivos e condicionantes. Podemos estar mais ou menos disponíveis para fazer este trabalho. Pode ser para nós, ou não. Não temos de estar todos no mesmo ponto, nem chegar a nenhum ponto em concreto.

Respeite sempre a sua verdade, e a dos outros também. Isso é o mais importante. Não emita críticas ou julgamentos acerca do processo de cada um, nem tenha pressa de chegar a algum lugar. Temos a vida toda para fazer este processo, ou talvez até mais do que isso…

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