“A perfeição não existe”

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Pois eu tenho cá para mim que sim, que existe. Existe nos momentos, em objectos, em certos alimentos ou bebidas (há pouco tempo soube de um concurso de barista para o melhor café do mundo, que seria tirado com a maior perfeição possível), em estados emocionais, em certas partes nossas ou qualidades que podemos ter e que nos valem em muitas situações, em relações que conseguimos estabelecer com certas pessoas que vão cruzando no nosso caminho, e, essencialmente, na natureza. E isto é o que me cruza a mente neste momento.

Existe uma cama feita perfeitamente, aquele bolo com a cobertura perfeita, o equilíbrio de sabores e texturas de algumas comidas, aquele chá delicioso, aquele pôr do sol ou saída com os amigos de doer a barriga de rir que nos faz chegar a casa tão mas tão saciados e satisfeitos, aquele dia de praia maravilhoso que nos deixa com uma sensação de paz e plenitude… Como não existe a perfeição no mundo? As flores, já olharam bem para elas? O universo, inteligentemente elaborado? O funcionamento do corpo humano? Ena, tantos os exemplos.

Onde não existe perfeição é em tudo o que podemos fazer ou ser. Não podemos ser sempre perfeitos, fazer sempre tudo bem feito, em todos os momentos. Não vamos encontrar a perfeição em tudo o que vemos, provamos ou sentimos. Não podemos ser constantemente perfeitos e conseguir sempre a perfeição, ter sempre momentos e sentimentos perfeitos, isso é que não é possível. Podemos tentar, mas isso vai desgastar-nos. Se podemos tentar fazer sempre o melhor possível em todos os momentos? Isso sim, para mim é perfeição suficiente. Estar presentes, conscientes, fazer o melhor, trabalharmos em nós, superarmos o que nos limita… Isso é fazer o melhor.

Afinarmos os nossos comportamentos e atitudes, respondermos da melhor forma possível aos outros e a nós, sabermos dividir o que é a esfera pessoal e a profissional, dividindo esses lados nossos de forma e vivermos um e outro plenamente quando é para viver um ou outro. A minha definição de perfeição é a aceitação de tudo o que é, tudo o que foi e tudo o que pode vir a ser.

Quando fazemos as pazes connosco, com os outros que nos magoaram, com o que já vivemos, da forma que vivemos, podemos alcançar uma certa forma de plenitude, e isso, para mim é viver em harmonia. Harmonia, para mim, é perfeição suficiente nesta existência. Isso e poder ver a perfeição das coisas vivas. Ter o prazer da contemplação, poder sentir o êxtase numa caminhada, num mergulho no mar, ou numa outra actividade prazerosa. Ter prazer na leitura, de apreciar uma tarde numa varanda ou terraço algures, aquele filme especial que mexeu connosco…

Tantas as formas de perfeição à nossa volta. Não chegam sempre, nem todos os dias. Não há constância ou permanência da felicidade nem na perfeição. Então eu digo: não tente atingir o inatingível numa correria desenfreada. Tudo o que tentamos agarrar com muita ânsia nos escapa. Tudo o que não procuramos por vezes nos acha. Permita-se viver no presente, usufruir do que tem, conquistar o que é importante para si e sentir o que é para sentir. E é esta a perfeição que nos é possível experimentar enquanto seres humanos nesta terra.

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