O parlamento da mente

394144

No parlamento da mente sentam-se várias vozes. As vozes da discórdia, da oposição e do contra, mas também as vozes que incentivam à mudança, que dizem que é possível e que se pode conseguir estas e aquelas coisas. Há as vozes enaltecedoras mas também as vozes críticas. Há o julgamento, o preconceito, a dúvida, a incerteza, a insegurança, mas também pode haver a alegria, o entusiasmo, a esperança, a fé e a calma. Tantas as vozes que é difícil contar. Umas vezes são umas que prevalecem, outras vezes são outras. Demasiadas vozes em nós.

É difícil, por vezes, fazer valer a voz da confiança e da determinação. Temos vários aspectos a coexistir em nós, a nossa mente traz vários argumentos e contra argumentos sobre uma variedade de situações. Muitas vezes não é só a mente e a parte racional a comandar, é também a parte inconsciente e emocional. O medo é uma das principais vozes do inconsciente, uma parte fundamental da nossa mente e que acaba por nos limitar imenso também.

O medo faz parte da nossa programação. É a voz que alerta para os perigos, que nos faz ser cautelosos. Mas ele começou a ocupar demasiado espaço em nós e nós permitimos que isso acontecesse. O nosso medo é a soma dos medos dos nossos antepassados, dos nossos pais, dos nossos amigos, do local onde moramos, da cultura a que pertencemos e das circunstâncias que nos envolvem. De criança nos ensinam a ter medo: “não vás por aí, não faças isso, cuidado com estranhos, não corras que tropeças, vê lá que te vais aleijar” e muitos exemplos destes. Aprendemos, então, a moderação, a contenção e a sensatez.

Há educações tais, de um perfeccionismo e controlo extremo. Os pais podem ser mais ou menos autoritários, mais ou menos controladores, o que é certo é que aprendemos sempre uma boa dose de medo. Mesmo que sejamos destemidos, ficam gravadas aquelas vozes, conselhos ou ameaças de que se andarmos completamente à vontade, algo de ruim pode acontecer. E isto é poderoso, todas as coisas que se armazenam no inconsciente e que se transformam em crenças, convicções ou padrões de funcionamento que nem sempre conseguimos ver de onde descendem.

O que é certo é que todas essas vozes que nos constituem são importantes, todas têm o seu lugar e todas têm o seu direito de existir e serem respeitadas, ouvidas e levadas em consideração. Não vale a pena tentar suprimir uma parte sua de forma agressiva, tentando ignorá-la, recalcando ou castrando. Essa voz, ou essa parte não desaparece. Pode ficar atrofiada, mas fica ignorada. Tudo o que fica ignorado, não desaparece nem deixa de ter um certo efeito em nós. Para sermos completos, inteiros, íntegros, isso não pode acontecer. Não podemos rejeitar partes nossas, é quase indecente.

Então o que podemos fazer? Regular a dominância de certas vozes sobre as outras. Todas se podem expressar livremente. O medo, a incerteza, a insegurança, a arrogância, a crítica, o pessimismo… Porquê? Eles fazem parte e só por fazerem parte já importam – são necessárias, senão não existiam. Mas para além dessas vozes, há as outras, a da determinação, da concretização, da superação, da gentileza, da aceitação… Há uma voz que sim, pode sempre fazer o trabalho de moderação, que é a voz firme da Consciência. Ela sim, central a todas as outras, regulando a participação de cada uma. A consciência trabalha lado a lado com a Presença, e juntas podem levar esse parlamento a bom porto e a um entendimento entre todas as partes.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s