Os 7 pecados capitais

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Sabe quais são? São eles: a gula, a luxúria, a inveja, a ira, a preguiça, a avareza e o orgulho. Sabem quando começou a ser elaborada uma lista de pecados? No século IV. Esta lista de 7 pecados foi apresentada no século XIII. E porque foi criada esta lista? Para fazer cumprir os 10 mandamentos que a igreja católica tinha como regras base de moral e conduta apropriada na vivência dos relacionamentos entre as pessoas.

Ainda hoje são vistos como pecados, e atributos ou características que não devemos ter. Cada pecado capital tem uma virtude oposta, a temperança, a castidade, a caridade, a paciência, a diligência, a generosidade e a humildade. Sabendo disto, percebemos claramente que não conseguimos viver só com as qualidades mais elevadas que podemos ter e que existem como possibilidade.

Nem sempre conseguimos ser pacientes, às vezes vamos estar zangados. Por vezes cobiçamos o que é dos outros, queremos igual. Gostamos dos nossos prazeres mundanos, como a comida e a bebida, que nos faz juntar com amigos e família. Por vezes gostamos de estar sem fazer nada, cedendo ao desejo da indulgência e da procrastinação. Muitas vezes ficamos feridos, magoados, e não queremos dar o braço a torcer. Também podemos ficar contentes e satisfeitos com conquistas nossas. Por vezes não queremos partilhar o que é nosso e queremos mais, somos ambiciosos, procuramos conquistar e ganhar mais do que temos actualmente.

Então eu digo, se vivermos sem isso, o que nos resta? O que é feito do nosso mundo emocional e corpo de desejos que herdámos quando chegámos a este mundo? É incompatível sermos o que somos e termos de rejeitar partes naturais ao ser humano. A ideia de pecado é uma ideia religiosa, e a religião foi criada para regular o comportamento humano, muitas vezes considerado como depravação, corrupção ou perversão.

Se não houvessem essas características consideradas como pecados, não haveria evolução tecnológica, médica ou científica. Todos tinham o mesmo, da mesma forma. Não haveria propagação da espécie, reprodução. Não teríamos nada a não ser valores e princípios. Viveríamos sem esperar mais nada, sem tentar mais nada.

Talvez esteja a exagerar, mas eu não sei como seria o mundo sem esses atributos naturais à espécie humana. Talvez fosse um mundo pacífico (só poderia ser), talvez fosse um mundo perfeito, mas nós não somos perfeitos, não podemos ser, não nos é possível. A própria humanidade contém em si a imperfeição, a impermanência, o defeito, a crítica, o julgamento, a dúvida, a insegurança, o medo. E isso faz-nos ter comportamentos ou condutas que nem sempre são as melhores. O medo de perder faz-nos fazer as coisas mais incríveis contra nós e contra outros. As guerras são filhas do medo, a divisão é filha do medo, a culpa e o castigo são filhas do medo.

E de medo em medo nós somos reféns, reféns de vícios que nos disseram que não poderíamos ter, mas procurar esses vícios é natural em nós. Então como resolver este dilema? Eu acho que se aprendêssemos a ser tolerantes, benevolentes e aceitantes de nós e das nossas emoções e necessidades (são elas que nos propulsionam a procurar os tais “vícios da carne” e da mente), poderíamos conseguir muito mais. A rejeição de atributos em nós não nos faz chegar mais longe. A aceitação e o acolhimento sim.

Que possamos fazer as pazes com os nossos vícios, olhar para eles, trabalhá-los, libertar o que está na origem de algumas dependências ou comportamentos que não são bons para nós nem para outros, como fumar, consumir drogas, beber em excesso, refugiar-se em corpos alheios, comer ou comprar compulsivamente, ser arrogantes e prepotentes, por exemplo. Tudo o que está em excesso ou em falta revela uma fragilidade, e é aí que podemos intervir. Não negar o que é nosso ou está em nós, mas aceitar que existe e que pode ser regulado de alguma forma, bem como transformado e até transcendido, se for preciso.

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