A linhagem materna

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Existe um útero colectivo de onde todas descendemos. Uma linhagem de mulheres que fomos, que foram as nossas antepassadas, as mulheres da nossa família, incluindo tias, mãe, avós, mães e avós das avós. Existe um registo energético, uma memória de acontecimentos passados, um diário de bordo que herdamos de todas as vivências traumáticas dessas mulheres, ou registo kármico se lhe quiserem chamar assim.

Há tantas coisas que não compreendemos mas o que é certo é que, através da hipnoterapia e exercícios regressivos, conseguimos aceder a memórias, conteúdos, sensações, emoções e histórias que não parecem ser a nossa, mas que acabam por ser. O sangue, a cadeia de ADN, a transmissão genética é um legado, uma carga imensa de informação que ainda nem começámos a entender e conseguir descodificar completamente.

Nós somos esse legado, esse conjunto de informação genética. E essa informação genética não contém apenas características físicas como tom de pele, cor dos olhos e do cabelo, altura, etc. Herdamos também predisposições, gostos, aversões, medos, características de personalidade e temperamento, que são dos nossos pais, tios e avós ou bisavós. E essas características psicológicas ou padrões de funcionamento emocional, são a bagagem inconsciente que recebemos, uma programação implícita celularmente. Não nascemos no vazio nem viemos a este mundo em vazio.

Na nossa caixinha cerebral, genética e celular, borbulham milhões de informações. Umas que se vão fortalecendo com a educação e com a socialização, outras que vão degenerando por não serem estimuladas, aceites ou acolhidas por nós de alguma forma. E esses padrões de funcionamento psicológico ou emocional vêm de aquisições dos nossos antepassados, da nossa família, da nossa árvore genealógica. Esses padrões resultam de experiências de vida, de configurações específicas derivadas de aprendizagens, pensamentos e crenças criadas por alguém antes de nós.

Não é à toa que damos por nós a sermos parecidos com familiares nossos que até nem participam tanto assim nas nossas vidas diárias. Como tal, não é só da educação ou observação de padrões de funcionamento ou comportamento, que nos tornamos quem somos. Podemos chamar a isso transmissão genética ou informação mitocondrial, principalmente de agentes femininos.

O óvulo que é fecundado contém em si informação variada sobre a mãe e todas as mulheres que vieram antes dela. O espermatozóide que fecunda o óvulo contém todas as informações relacionadas com o pai. Penso que a evolução da espécie humana deriva de essas células altamente especializadas, serem uma conjunção de tudo o que houve até ali de informação pertinente para transmitir à próxima geração. E às tantas isto até é demais para a nossa mente processar de tão complexo ou espantoso.

Com tudo isto quero dizer que sim, nós herdamos um legado de dor das nossas mães, nós mulheres. Os homens herdam o legado do masculino antes deles. E tudo isso está cá dentro, dentro de nós, para ser explorado e trabalhado. Conseguimos detectar esses padrões através de pensamentos, comportamentos e atitudes que temos. Através de doenças, desconfortos, dores, vícios e inconsistências. Temos todos trabalho a fazer, nós somos a geração que tem mais informação e terapias disponíveis. Toca-nos a nós reconhecer  aquilo que precisa ser reconhecido para podermos avançar de forma diferente, consciente e inteira. Sem mácula.

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