O receber, a abundância e o merecimento

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Nutrição, receber, ser nutrido, merecer nutrição. Tudo relacionado com a mãe: a mãe que dá a vida, a mãe que dá alimento, a mãe que providencia a vida, a sobrevivência e a segurança; a mãe que nutre. Nutrição é tudo isso. Nutrição é a função da mãe: dar, alimentar, acolher, acarinhar, trazer conforto e segurança, trazer calor. Quando isso é negado ao bebé, ou há um “corte” nessa nutrição, uma rejeição, um abandono, um não amamentar, não cuidar, não dar atenção (muitas vezes por falta de tempo), fica uma sensação de não merecimento.

Não poder receber = não merecer receber, é a mensagem escutada no inconsciente da criança. Na vida adulta esta criança pode vir a debater-se com questões de falta de abundância ou prosperidade, não vingar na vida, não achar que merece amor ou felicidade, não conseguir ter estabilidade financeira ou relacional, ou pode ter falta de autoestima. Muitas podem ser as consequências do amor negado à criança. E atenção, o amor negado pode ser meramente imaginado: por falta de tempo, por uma educação mais funcional e menos afectiva, por uma mãe mais prática e menos emocional, uma mãe ocupada profissionalmente ou com outros filhos, pode originar a noção ou sensação de abandono ou rejeição.

Como tal, a criança não se sentiu devidamente nutrida (atenção, carinho, reconhecimento). Falemos do reconhecimento. A criança precisa de muita validação. Precisa sentir, em todos os momentos, apreciação, aceitação e acolhimento. Muitas vezes, os pais, ocupados, não dão a devida atenção a alguns momentos e necessidades das crianças. A mente infantil, voltada apenas para si própria, não pode compreender estes fenómenos complexos das necessidades e dificuldades de um adulto, nem sempre competente na leitura das necessidades emocionais da criança. Como tal, vão-se formando “mal entendidos” na mente da criança.

A mente da criança faz associações directas: “Dá-me atenção, gosta de mim. Alimenta-me, gosta de mim. Brinca comigo, gosta de mim”, e por aí afora. Quando isto não acontece, há uma imediata sensação de rejeição por parte do ego infantil, e isso pode vir a manter-se pela idade adulta. Mas e o que fazer a respeito? Tomar muita consciência destes factores. Que relação teve com a sua mãe, ou com as figuras cuidadoras. Pai, avô, avó, tio, tia… Todos são representações de carinho e afecto. Quando não correspondem às expectativas da criança, esta pode ficar ferida, ressentida.

Na terapia abordamos estas questões, averiguamos, exploramos os padrões educacionais, a gravidez da mãe, o parto, a amamentação, o lidar da mãe com a criança, com as suas necessidades mais básicas de afecto e nutrição. Ao observarmos esses aspectos, podemos perceber de onde vêm muitos dos sentimentos ou crenças de desvalorização de si, da incapacidade de concretizar objectivos, de autosabotagem, etc. É um caminho esse, o da autodescoberta e apreciação destes padrões. Depois disso, é fazer um trabalho de resgate, perdão, contemplação e aceitação da mãe como é, como foi, com o que foi capaz de ser, de estar e de dar.

 

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