A linguagem universal

red-631349_960_720

Quando falamos da mente, falamos de um lugar de raciocínio, crítica, julgamento, orgulho, vingança, resolução de problemas e enumeração de dissabores. Quando somos mentais, somos frios, distantes, somos pre-conceito, somos passado, explanação e explicação de porquês. Somos também “adivinhação”, somos pré-determinação, traçamos cenários possíveis e imaginários para o futuro, sem razão de ser. Ou melhor, com a razão de querer perceber, ditar e comandar o que vai acontecer, ainda assim não nos escape algo.

Quando falamos do coração, da emoção, somos tempestade, somos momento, somos sentimento, sentido ferido ou não. Somos também acolhimento, afecto, alegria, impulsividade e espontaneidade. Somos brincadeira, somos amuo, somos leveza ou profundidade. A calma encontra-se, ou pode encontrar-se, tanto na mente como no coração. Há coisas que a mente faz que o coração não pode fazer, e vice versa. Eles são almas gémeas, complementares. Não vivemos sem razão tal como não vivemos sem emoção. Não vivemos sem mente nem sem coração.

O que é certo é que, a maior parte das vezes, somos até mais mente do que emoção, e isso pode ser um problema. Tudo o que recalcamos, tudo o que não nos permitimos sentir, de bom ou de mau, se pode instalar no nosso corpo, nos nossos órgãos e sistemas. Como tal, a mente pode, sim, fazer adoecer o corpo, quando a mente se torna ditadora e toda a alegria e espontaneidade se vão embora, ou ficam aprisionadas. O coração, por outro lado, liberta, diz, manifesta-se. Mas também, se formos só emoção, a mente afoga-se e não pode ser prática e resolver problemas nem concentrar-se nas soluções ou caminhos.

Há que haver um equilíbrio entre estes dois sistemas. Mas o que quero falar aqui hoje é da comunicação. Há aquela que é feita puramente da mente, como algumas conversas que temos, palestras ou cursos que façamos, quando alguém fala do que é relativo a conhecimento, factos e teoria. Há a comunicação directa da emoção, quando estamos alterados, irritados, tristes, angustiados e nos queixamos, reclamamos ou nos chateamos a sério com alguém. Pode também haver uma comunicação integrada, em que as duas partes estão presentes, e essa é a linguagem mais assertiva que podemos ter. Expressamos o que pensamos, mas também o que sentimos, de forma calma, lógica e coerente.

A linguagem do coração, porém, é uma linguagem curativa. Tem a capacidade de apaziguar, perdoar, chegar ao outro, compreendê-lo e devolver o que corresponde a cada qual. Só o coração pode transformar o que foi feito, dito ou acontecido. Na terapia podemos falar, explorar, perceber, analisar, compreender e encaixar informação. O verdadeiro trabalho começa quando se fecham os olhos e entramos no reino da emoção e no reino das memórias e do passado. É lá que está o que o coração pode tratar, trazendo à mente e ensinando a curar, aceitar, integrar e transcender. Uma coisa é perceber, outra coisa é sentir.

A linguagem universal todos conhecem, é a linguagem do coração, da emoção pura. Quando nos compadecemos com a morte da princesa Diana, quando sentimos pelos foragidos das guerras de poder entre impérios, quando vemos animais maltratados, quando olhamos para algo que nos emociona. Essa linguagem não tem palavras, é composta de sentimentos e sensações. É algo que vai directo ao coração.

Quando tocamos no outro através do coração, magia pode acontecer. Essa linguagem todos conhecem, não precisa palavras, basta um olhar, uma compreensão. Sentir o outro e compreendê-lo, aceitá-lo como é. E isso, só o coração pode fazer (porque a mente pode arranjar mil motivos e explicações que atrapalham todo o processo).

Na hipnose, ou nos exercícios realizados com a hipnose, a linguagem do coração guia, acompanhada pela mente, sempre presente e observadora – e muitas vezes temos de a driblar ou pedir-lhe licença para se poder processar um determinado assunto mais doloroso – e quando ela aceita, o coração pode fazer o seu trabalho. Só através do coração podemos fazer as pazes com tudo o que foi, aceitar os outros como são, aceitar tudo o que é, como é, sem resistências. Estando presentes nesse alinhamento mente-coração.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s