Os sonhos que não vivemos

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Onde se guardam? Onde existem? Onde ficam? As coisas que sonhámos, que idealizámos, que desejámos? As pessoas que acarinhámos e que viveram entre nós, connosco, que não existem mais? Onde guardar tanta coisa que fica para trás e não existe mais?

Dentro de nós há um espaço infinito onde cabem infinitas coisas. Onde cabemos nós, espremidos ao canto de caixas e caixas de memórias, sacos e sacos de mágoas e desilusões, caixotes e caixotes de recordações de momentos tristes, felizes, assim assim, e tudo o que lá couber dentro.

Dentro de nós também existem espaços vazios, terreiros mórbidos, lacunas, terrenos baldios, terras de ninguém. Terras para onde ostracisamos todos os fantasmas, tudo o que não queremos ver nem sentir. O que é certo é que todas essas figuras diminutas, minguantes, franzinas, continuam a existir, lado a lado com os sonhos que enxotamos para um canto da nossa existência e da nossa memória.

Os sonhos, tal animais abandonados, criam lugares onde habitar, onde continuar a existir, à espera de um dia serem descobertos, ou “desenterrados”. Cobrem-nos as areias do tempo, areias feitas de esquecimento, de “não posso”, “não consigo”, “não é certo”, “não pode ser”, “os outros não querem”, “os outros não deixam”. E vamos soterrando aquele sonho de ser bailarina, veterinário ou bombeiro, abrir aquela loja de fruta no centro da cidade, ou a loja de bijutaria feita por si. O sonho de ser pintor, escultor, carpinteiro. O sonho de ser pianista, astronauta. O sonho de escrever, ser artista de circo.

De quantos sonhos se compõe o mundo? De quantos sonhos perdidos o mundo sente a falta? Os sonhos são os dons ou os talentos que não reconhecemos nem usámos. Podemos até nunca os realizar ou concretizar, mas eles estão lá… Continuam a existir. O que queria ser quando era criança e os adultos lhe disseram que não podia ser? Que era melhor ser doutor ou doutora? Que era melhor estudar, formar-se nalguma coisa, trabalhar e depois logo vivia os sonhos, se restasse tempo?

Levamos a vida, tal Benjamin Button, a viver a vida ao contrário. Primeiro ocupamo-nos muito para sermos alguém nesta vida e neste mundo. Depois trabalhamos muito para poder ser pessoa, para poder ser essa pessoa a viver no mundo, junto dos demais, e, anos depois, apercebemo-nos que devemos dias e horas ao que gostamos de fazer. Devemos anos de vida à nossa paixão, ao que é natural em nós. Para quê? Para quem? Porquê?

Questione-se agora: estou a fazer o que gosto? O que faço apaixona-me? O que faço serve a um bem maior? Enriquece-me? Enriquece o mundo?

Tantas podem ser as questões. Faça-se a si as certas, as que o seu coração teima em martelar na sua cabeça quando está distraído. Permita-se sentir a sua vocação, a sua paixão. Os seus talentos estão debaixo da sua pele, nas suas células, no seu cérebro, naquilo que faz palpitar o seu coração. É aí que está a missão, é aí que está o propósito.

O propósito é, nada mais nada menos, do que ser feliz: com quem está, como está, a fazer o que faz. Alinhe esta verdade ao que faz neste mundo. A missão é evoluir. E só evoluímos se estamos felizes e a fazer o que é suposto estarmos a fazer. Os sonhos (o instinto, a intuição) existem para o guiar. Eles iluminam o caminho, só temos de seguir.

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