A alma e o ego

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A consciência fala connosco suavemente, como uma voz doce, benevolente, gentil e paciente. A paciência é calma, procura apaziguar, harmonizar, levar a entendimento e procura viver no presente. O ego é intempestivo, caprichoso, amuadiço, infantil, birrento e impaciente. O ego quer já, quer agora e quer à sua maneira. O ego não quer sair da zona de conforto e quer ter sempre razão. É crítico, dita julgamentos a torto e a direito, é exigente e puramente mental. A consciência é a energia sábia do sentimento e da emoção, é mente superior. Quando ela fala, tudo se tranquiliza.

A alma e o ego encontraram-se um dia numa conversa. A alma começa a conversar e o ego dispara em acusações, críticas e dita as suas condições. A alma é conciliadora, chama o ego à razão de uma forma compreensiva. Ele choraminga, activado pelos seus medos, pela insegurança e incerteza. O ego tem medo da mudança, esperneia, resiste. A consciência, alimentada pela alma, dá a mão, pode levar o ego na encruzilhada da mente. E quando o ego pode desabafar tudo então, gritar, manifestar-se e expressar-se, a alma pode guiá-lo, levá-lo até ao seu destino, que é a evolução e a integração.

No fundo temos estas duas forças antagónicas em nós, que por vezes estão em conflito. Ego é mente, é resistência à mudança, é medo de perder o controlo, é alerta de tudo o que ameaça a nossa sobrevivência (ainda que emocional). A consciência é Verdade, é cristalina, é momento Presente, é intemporal, a tudo assiste, sabe esperar e sabe respeitar o tempo das coisas acontecerem, bem como os seus processos.

Se queremos funcionar em harmonia, não podemos banir o ego, assassiná-lo, desacreditá-lo a duras penas, sermos castigadores, críticos ou severos com ele. Não, o ego precisa ser aceite, compreendido, ser trazido à luz da consciência, olharmos para ele. Ouvirmos o que ele tem para dizer, deixarmos ele se manifestar integralmente, com toda a sua força e pujança. Este é um exercício da Consciência, permitir que ela assista, que ela contenha o ego, que ela abrace o ego.

Só assim estes dois podem coexistir em pacifica convivência. Um suporta o outro. Neste caso, a consciência concilia os receios do ego, sempre medroso mas disfarçado sob uma capa de arrogância, impertinência, astúcia e autosabotagem. O ego é criador de profecias de autorealização, sabota tudo aquilo que é importante, só pelo medo de poder não dar certo, porque ameaça a sua integridade, a sua independência, e a imutabilidade das coisas, onde ele é rei e senhor.

O seu caminho de evolução, autodescoberta e autodesenvolvimento não se faz sem a resistência do ego. Ele tem medo de perder o lugar, tem medo do desconhecido e da mudança. Como qualquer parte nossa, não quer deixar de existir. Mas a consciência é paciente, leva-o com ela. Amacia, conversa, dialoga, deixa-o Ser, deixa-o existir. Reconhece e sabe que ele faz parte da jornada humana. E só assim pode ser. Só assim conseguimos ser humanos e trabalhar em nós, acolhendo todas as partes envolvidas naquilo que somos e fazer com elas o melhor que sabemos.

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