Amor, tempo e morte

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“Amor, Tempo e Morte. São estas as três abstracções que conectam todos os seres humanos na terra. Tudo o que desejamos, tudo o que tememos não conseguir, tudo o que no fim acabamos por comprar, porque no final do dia, nós ansiamos por amor, desejamos ter mais tempo e tememos a morte.”

Filme com Will Smith, Kate Winslet e outros artistas de peso, fala-nos da morte de um ente querido e a revolta que isso traz. No fundo fala sobre a perda, sobre o vazio, sobre a solidão e sobre a desilusão, frustração e impotência relacionada com a impermanência: as coisas que amamos (ou queremos) nem sempre ficam ou permanecem.

No caso do filme, o actor principal passa pelo luto da filha de 6 anos e todo o processo de negação, dor e sofrimento. Escreve cartas para o Amor, para o Tempo e para a Morte. Como quem se revolta com Deus e com o Destino, rejeita o amor, questiona a morte e o tempo.

Todos nós nos podemos relacionar com este tema, com a importância que tem cada um desses conceitos. O amor que todos desejamos sentir e que sintam por nós – a aceitação, carinho e acolhimento que o amor nos traz. O tempo para poder ser, para poder desfrutar, para poder crescer e envelhecer. A morte que tudo leva, como um buraco negro, e que não podemos controlar – todas as pessoas que nos leva, o facto de ser inevitável para todos nós, o não saber o que vem depois, quando vai acontecer…

De facto, todas essas três coisas estão interligadas, conectam-nos, afastam-nos e amedrontam-nos. Nem sempre queremos olhar ao tempo que passa e ao tempo que resta – nunca sabemos quanto. Nem sempre nos conseguimos entregar ao amor, olhar de frente para ele e vivê-lo plenamente como ele merece – temos medo. A morte como libertação, como alívio do sofrimento – não a percebemos nem aceitamos, mas é o desapego máximo da vida.

Todos queremos ser plenos, sentir, ser felizes. Mas a falta de Amor dilacera-nos o coração, a falta de tempo não nos permite viver tudo o que gostaríamos como gostaríamos, e a morte leva-nos o controlo por absoluto. Vivendo em amor pleno, incondicional, vivendo em Aceitação Máxima do que É e pode ser a cada momento, vivendo com o Tempo que temos, morrendo a cada dia para o que pensávamos ser, é o desafio.

Que possamos viver em amor próprio e ao outro (aceitação e respeito ao outro e a nós, nos nossos variados momentos), na plenitude de cada momento (atenção plena no Presente), respirando cada morte de cada dia e de cada ser que decidiu partir (seja por plano de alma, seja por força das circunstâncias mundanas). Só assim podemos encontrar alguma decência na Vida.

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