O bullying na maternidade

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bullying em variados contextos, na escola, no local de trabalho, ou em todos os sítios onde sejamos expostos a violência, ameaça, coerção ou comportamentos cujo objectivo é intimidar ou dominar uma outra pessoa de alguma forma, de forma consistente ou repetitiva. Muitas vezes somos nós quem o faz e nem percebemos, em comentários, críticas, ou julgamentos constantes a alguém que nos é próximo.

Na maternidade tenho assistido a isso de forma recorrente, nomeadamente a temas que estão em discussão pública actualmente, como o caso da amamentação (durante quanto tempo e de que forma), da alimentação (açúcar, veganismo, etc.) e do parto em si (cesariana ou natural). Cada pessoa defende a sua posição de forma acérrima, e muitas vezes, defende-a contra todas as outras posições que são tomadas por outras mulheres.

Não vou falar em fundamentalismo, vou falar em ódio e desaprovação. Não é concebível a crítica destrutiva, ou o julgamento de outras mulheres só porque estas tomam medidas ou opiniões diferentes. Se a mulher está a ser acompanhada por uma equipa de saúde – e sabemos que actualmente o nascimento de uma criança está rodeado de profissionais, médicos e enfermeiros – e, para além do mais, está consciente e informada acerca das escolhas que tem disponíveis, porquê a desaprovação?

Não vivemos já nos tempos de caça às bruxas, mas as mulheres nem sempre são amigas no que toca a respeitar outras nas suas decisões, sentimentos e perspectivas. Fico completamente abismada com comentários que vejo nas redes sociais em grupos relacionados com a maternidade, nos conteúdos e ódio implícito. Há acusações, impropérios e críticas veladas. Cada mulher se sente no direito de opinar sobre as decisões da próxima. E sim, todas temos opinião, todas nos colocamos perante os assuntos e os temas a favor ou desfavor. Todas temos os nossos motivos.

Todas somos diferentes, temos diferentes ambições, diferentes expectativas, crenças e medos distintos umas das outras. Muitos são parecidos e comuns, mas cada pessoa é em si um universo e lida com a maternidade com os recursos, ferramentas e conhecimentos que tem ao seu dispor. Para além de todos os receios e expectativas, suas e dos outros, a futura mãe tem um sem fim de vozes críticas e opiniões sempre a persegui-la e a fazer-se sentir culpada com as suas escolhas. Parece que, independentemente do que escolha fazer, ou como, tem sempre a discórdia de algum lado.

Mulheres, sejamos amigas, compreensivas e tolerantes com a próxima. Exercitemos a paciência, a contenção e a aceitação daquilo que nem sempre compreendemos. Devemos unir-nos e não separar-nos. Devemos amparar-nos, ajudar-nos, e não ferir-nos, excluirmos. Não é a nossa função dar o parecer ou condicionar a outra mulher nas suas decisões, mas apoiar, dialogar, aconselhar profissionais competentes que o possam fazer.

Podemos ler livros, podemos consultar diversos especialistas, ter acompanhamento médico, fazer o curso de preparação para o parto, e só aí ser aconselhada, recolher informação fundamentada e decidir, decidir o que sente ser mais correcto para si e para esse momento que está a viver. Não só, permanecer firme perante as opiniões contraditórias e dizer não à culpa. Está a fazer o melhor que pode, de acordo com o que sabe e o que tem de informação disponível neste momento. E, para além de tudo isso, siga o seu instinto. Acredito que ele está sempre certo.

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