Ego ferido, ego orgulho e ego adulto

criancasbirrentasgrande

O ego ferido é infantil. Diz: tu feriste-me, como tal não és meu amigo e eu tenho de me proteger de ti. Vou acusar-te de tudo o que me fizeste, vou ter-te como responsável e tu és o culpado daquilo que sinto. Tu és responsável pela minha felicidade e pelo meu bem-estar. És responsável por cuidares de mim, porque eu preciso que cuides de mim e me faças sentir bem. Precisas fazer-me sentir feliz e amado, aceite e acarinhado.

Este é o ego criança, a parte sua que quer colo, que não cresceu nem se quer responsabilizar pelas próprias emoções. Coloca a responsabilidade fora, nos outros, nas circunstâncias e nos azares da vida. É a parte que reage à rejeição, perda ou abandono, com vitimização, neuroticismo e os porquês: “porque é que me fazem isto, porque é que tenho de sofrer tanto, porque me acontecem tantas coisas más…”, falando ou queixando-se e todos os que quiserem ouvir, sentindo um profundo pesar.

O ego orgulho é arrogante e rancoroso. Diz: “o quê? Fizeste-me isto? Ah então vais ver, vou fazer isto e aquilo, vou vingar-me, nunca mais te falo, o universo vai castigar-te, vais ter o que mereces, vou desprezar-te e mostrar indiferença, vou fazer-te sofrer.” O ego orgulho é radical, corta com todos aqueles que foram contra ele, afasta-se, profere impropérios, sente raiva e ressentimento, deseja a vingança.

O ego adulto ou maduro, por outro lado, procura a negociação, a conciliação. Procura a razão, é democrático. Analisa as partes, afasta-se, se for necessário, para contemplar o que precisa ser feito. Para pesar os pós e contras, para tirar as medidas às circunstâncias, para avaliar quem tem razão ou não. Este ego sabe pedir desculpas, sabe assumir o erro, entende-se como parte do problema, sabe dissociar as partes: o que é seu e o que é do outro.

Não quer dizer que todos estes egos não possam todos fazer parte de uma mesma pessoa, e na verdade até existem, se pensarmos bem. Todos temos a nossa parte criança que quer as coisas do nosso jeito, que quer aprovação e validação. O ego orgulho quando nos enfurecemos com alguma coisa ou alguém que nos tirou a razão ou não nos deixou levar a nossa avante quando íamos determinados a que assim fosse.

Sabedoria é deixar esses egos de parte e convidar o adulto à conversa, para moderar a conversa interior com os nossos pensamentos e emoções, porque a seguir à criança ferida, vem o orgulho ferido. Como tal, há que arbitrar as negociações e as conversações, pôr ordem nas hostes e ouvir as partes lesadas, fazendo-las chegar a acordo amigável. Os dois lados precisam ser ouvidos e reconhecidos. A seguir há que conciliar.

Pensem em dois irmãos chateados um com o outro. É igual.

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