Carta ao meu anterior eu

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Se eu pudesse escrever uma carta ao meu anterior eu, diria:

Vive mais. Preocupa-te menos. Aproveita mais, tudo vai chegar, a seu tempo. Vais ter tudo aquilo que sonhaste, mas até lá, por favor, vive e sente. Não te recrimines tanto. Não tentes ser tão perfeita, não tenhas medo de errar ou falhar, isso não existe. Não cries tantas expectativas, não sofras tanto por antecipação. Não vale a pena. O sofrimento não vale a pena. Usufrui do que tens, do que és, do que é possível viver a cada momento. Estás a crescer, és um ser em transformação. Não queiras logo tudo, aproveita cada fase, cada ciclo. Vais ter vários. Todos fazem parte, todos são necessários, todos representam uma faceta tua, uma parte tua. Vais crescer, vais amadurecer, vais viver os teus sonhos. Nunca deixes de tentar. Vão haver períodos de actividade que vais amar, vão haver períodos de pausa, de inactividade, de estagnação e pântano emocional. Também eles passam. Vão haver anos de sofrimento, de solidão, de desespero, de angústia, insegurança e incerteza. Também eles fazem parte, e todos eles vão passar. Todos eles, sem excepção. Só porque estás numa determinada fase, não quer dizer que ela se vai manter no tempo. Achamos que tudo o que vivemos até ali é aquilo que vamos continuar a viver o resto da vida. Não é assim. Vais aprender a sair o sofrimento, da perda, da dor, do não saber, do não ter, e todas as questões que te colocas. Vais sair desses emaranhados mentais e emocionais, esses loops constantes de altos e baixos. Vais aprender a sair de cada um deles. Vais ser forte o suficiente sempre, porque na realidade já o és. Tu és forte. Tu és suficiente. Tu és valiosa. Tu és merecedora. Tu consegues. Tu podes. Tu és tudo o que precisas. Já tens em ti tudo o que faz falta e tudo o que precisas para viver os teus sonhos. Tu vais conseguir. Vais sair dessa, vais chegar onde sempre quiseste chegar. Acredita. Confia em ti. Confia no processo. Só te tenho a agradecer por tudo o que fizeste, por todas as dores, por todas as horas de desespero, porque chegaste aqui, hoje, com tudo, completa, inteira, integrada. Tu fizeste o trabalho que eu precisava. Fizeste-me chegar aqui, chegar onde sempre imaginaste, e eu não te poderia estar mais agradecida por todo o amor que dedicaste no processo de ti, da tua criação, da tua gestação, renovação e crescimento. O trabalho doloroso de parto que nunca mais chegava, que levou anos em processo, grávida de ti, anos a fio. Mas acreditaste sempre. E foi isso que nos trouxe aqui, exactamente onde estamos. Exactamente aqui, onde era suposto chegarmos. E agora? Vamos juntas, eu levo-te pela mão. Não precisas mais fazê-lo sozinha. Eu estou aqui. Eu estou aqui para ti. Vamos a isso? A vida começa agora, sempre.

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