Viver no plano espiritual vs plano real

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Muitas pessoas fazem terapias holísticas, meditam, fazem yoga, tem crenças lindas, convicções e intuição apurada. Dizem frases como: “é um processo, temos de aceitar, temos de pedir ao universo, temos de confiar, temos de agradecer” e etc., mas esquecem-se da parte prática da vida. Não basta visualizar figuras de luz e o futuro que gostariam de “atrair”. Não basta acreditar e confiar. Não basta aceitar. Há que agir, há que colocar planos práticos e objectivos em acção.

Tudo isso é maravilhoso e valioso, fazer esse trabalho interior. Mas lá fora o mundo existe, e você vive nele. Não pode ficar só no plano mental ou espiritual, colocar os seus desejos num quadro, escrever um diário, clarificar as coisas e perceber os porquês. A vida acontece lá fora, não é dentro de nós, no mundo emocional e mental. O mundo real precisa de nós, precisa que façamos, que ajamos. Não podemos só ser, precisamos fazer também, agir, intervir. Não basta só contemplar, conceber, registar. Se quer ver mudanças, precisa fazer acontecer.

Existe o mundo interior e o mundo exterior. Para fazermos mudanças nas nossas vidas, precisamos aliar os dois, trabalhar e funcionar com ambos. No mundo prático nós fazemos acontecer. No mundo interior nós planeamos, gerimos, pensamos, acautelamos. Mas para ser ser humano completo, não basta ficar nas teorias, nos teoremas, no deixar acontecer. Temos de tomar medidas práticas. Há o ser e o fazer. Ambos são necessários, senão acabamos por ficar num sonho cor de rosa, no transe do pensamento positivo, que só por si produz resultados. Não é assim.

O transe do pensamento positivo leva-nos a acreditar que basta pensar, mudar o foco e a energia dos nossos pensamentos, que basta pedir e as coisas acontecem. O transe da espiritualidade leva-nos a pensar que na meditação tudo acontece, que podemos co-criar o nosso universo através da interpretação de símbolos e sinais, que emergem nas meditações e que isso é o caminho, mas não percebemos que realmente é um transe muito bonito, que vemos coisas lindas, mas que na verdade não nos levam a lugar nenhum nem nos fazem sair do lugar. Apenas a nossa percepção muda e expande, e já é uma parte do processo, mas não é tudo.

Para onde gostaria de ir? O que gostaria de mudar na sua vida? O que quer fazer acontecer? Que objectivos tem para a sua vida? Estude, leia, medite, faça todas as terapias. Mas não se fique só nas respostas, estudos e interpretações dos porquês e dos como ou quando. Pense de que forma quer mudar a sua vida, fazê-la crescer e prosperar. Pense no caminho e nas acções que o levam lá.

É com a sua intervenção, com  mudança de atitude, de comportamento, e não só de percepção, que a mudança se faz. É com terapia de base psicológica, é com mudar crenças e convicções. É substituir fórmulas antigas e comportamentos obsoletos, que o levam sempre ao mesmo lugar. É mexer directamente em si, é desconfortável e coloca-o a descoberto. É ver tudo o que o limita. Não substitua isso por cenários lindos e paradisíacos. Isso é ofuscação, é ilusão, é evitamento. Podemos levar anos a fazer isso, mas é saindo para o mundo cá fora, com olhos reais, que podemos transformar a nossa vida.

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