O que uma pessoa que já partiu quer que você saiba

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Está tudo bem.
Eu perdoo-te.
Não há nada a perdoar, aliás…
Está tudo certo.
Eu amo-te.
Fizeste o melhor que podias.
Estarei sempre aí, em memória e consciência.
Dei-te o melhor que pude.
Fiz o melhor que pude.
Lamento por tudo aquilo que faltou.
Não estou mais aí, sei que a ausência e a saudade deixam uma falta, um espaço vazio.
Mas, por favor, ocupa-o de algo bom, do amor que tinhas por mim, da admiração, ou daquilo que te deixei.
Todos deixamos algo, um legado. Eu dei-te o meu.
Guarda-o e segue para a Vida, para a frente.
Não me trazes de volta à vida por olhares para trás. Não te quero manter presa na morte, no passado.
Pertences à vida, ao aqui e agora, onde não estou fisicamente.
Sei que é doloroso, mas tens de dizer adeus da minha presença física.
A minha presença etérica, energética, continua sempre contigo, em vida.
Como tal, viverei sempre através de ti.
Preciso que continues, por ti, e por mim.
E pela família que continuas a ter.
Eles precisam de ti.
Não és menos por seguires em frente, rumo à vida e à alegria novamente.
És mais, somos mais.
É para isso que existes e continuas a existir.
Eu sigo também, e tu segues.
Em caminhos e patamares distintos, mas todos seguimos.
Essa é a nossa missão.
Mas juntos seguimos, apesar dos véus que nos separam.
Todos fazemos parte de um colectivo, de uma massa.
E nunca estamos separados, na verdade.
É apenas ilusão.
Estou só aqui deste lado, continuando a minha jornada.
A tua te levará aqui também, por isso é apenas uma questão de tempo até todos estarmos reunidos novamente, não desesperes.
Agradeço a tua lealdade por ficares, mas não precisa mais.
Sinto o teu amor por mim, transforma a tua dor nisso mesmo: em amor apenas.
É apenas amor que nos liga.
É apenas amor que nos deve ligar.

 

Porque é que “deixar ir” não funciona?

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No outro dia estava a pensar neste tema cá com os meus botões, embrenhada nos meus próprios processos emocionais, e surgiu-me uma frase: “To let go you must go through” (trought the pain, the skeletons and the fear). Que quer dizer: “para deixar ir, tens de ir através. Através do medo, dos fantasmas e dos medos”. No fundo, atravessar, o que em nós está guardado e que nos faz sofrer.

Não é com um passo de mágica que enumeramos as coisas em nós que queremos ver extintas e “puff” , elas desaparecem. Por isso é que o deixar ir não funciona. Fazemos afirmações diárias, instalamos o pensamento positivo, recitamos mantras, e todas essas coisas continuam lá, confortavelmente instaladas em nós, olhando para todo esse nosso esforço, a mostrar exactamente que esse não é o caminho.

Como tal, sem passar pelo processo, sem ir fundo nas nossas entranhas onde está o medo e a dor, nada vai embora. Então surgiram-me os seguintes decretos, ou afirmações, para ir mais fundo ainda, reconhecendo, aceitando e transformando:

Eu identifico e transmuto
Tudo em mim que é dúvida e medo eu transmuto
Tudo em mim que é crítica e julgamento eu transmuto
Tudo em mim que é rigidez e falta de flexibilidade eu identifico e transmuto

Tudo o que é culpa, tudo o que é magoa e dor, eu identifico e transmuto
Eu sou confiança
Eu sou aceitação
Eu estou em segurança
Eu crio segurança e discernimento
Eu permito-me passar pelos processos emocionais que me libertam da dor
Não permito dor no meu corpo físico, músculos ou ossos
Transformo a dor em aceitação
As minhas células são amor puro
São energia e frequência elevada
Autorizo a consciência a morar em mim e mostrar o que em mim precisa de cuidado, de atenção, de transformação
Eu sou conhecimento de mim, do meu corpo e das minhas emoções

Eu faço o que precisa ser feito para que tudo o que não é energia elevada possa ser transformado

Crio clareza e consciência de todos os meus processos emocionais e mentais que me têm limitado

Trago-os à luz e transmuto, transformo

Crio abundância e prosperidade na minha vida, ao colocar essa energia em movimento

A cada dia estou mais próxima de mim e dos meus processos internos

Cada dia os reconheço mais e melhor

A cada dia exerço uma força amorosa sobre mim e sobre esses processos

Aceito-vos, vejo-vos e reconheço-vos

E transformo-vos naquilo que melhor vos posso transformar a cada momento.

 

Acredito e defendo que, sem ajuda externa, não conseguimos, sozinhos, fazer este processo. Precisamos de um terapeuta que vá lá connosco e nos ajude a fazer este processo, este movimento. Recomendo psicologia, hipnoterapia e constelações familiares. Estas, para mim, são o top 3 das terapias. Ajuda o reiki, a leitura de aura e a terapia multidimensional, a mesa radiónica ou tarot terapêutico, sem dúvida, mas tudo isso são terapias complementares para o que verdadeiramente precisa ser feito: ser você a lá ir, a escavar fundo na sua mente inconsciente e corpo de dor e retirar a aprendizagem que lá está contida. Ninguém mais pode fazer esse processo por si.

 

O centro apaziguador

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As pessoas que atendo inspiram-me muito. São das consultas que surge a maior parte dos meus textos. Basta uma palavra, uma frase, um sentimento, e “boom”, sai-me algo pelas entranhas que precisa ver a luz do dia através de palavras. Costumo usar a metáfora do “olho do furacão”, ser o centro de tudo, mesmo quando tudo está em movimento caótico. Não podemos controlar uma série de circunstâncias, nem emoções que nos vão surgindo perante as várias situações das nossas vidas, mas há algo que deve ser uma constante: você e a sua consciência, esse centro que a habita.

Falo no feminino porque é com mulheres a maior parte do meu trabalho, apesar de começar a surgir cada vez mais homens em busca de significado, de compreensão e consciência nas suas vidas, e é com prazer que assisto a essa tendência, homens a quererem trabalhar neles mesmos. Ora então, costumo falar muito no conceito de “verticalidade”, nem sei se fui eu que inventei isso, li algures ou alguém me falou. O que é certo é que para mim esse conceito é agregador. Traz uma ideia, ou noção, visual e imagética, de uma linha que nos estabiliza. Pelo menos assim gosto de imaginar.

O centro agregador é uma espécie de sensação, de essência ou centro que existe, ou pode existir, dentro de nós. Tal lago calmo, tal estado de tranquilidade. Como melhor defini-lo? É algo que se sente, que conseguimos criar com algumas práticas. Certamente já sentiu esse “centro” ou energia apaziguadora, pode ser que numa tarde de chuva, enrolada numa manta a beber um chá quente e a ler aquele livro que gosta ou a ver aquele filme especial, pode ser após uma tarde com amigas e depois daquelas conversas boas em que sentimos que tudo fica bem dentro de nós, sei lá, uma variedade de momentos.

Aqui entra o conceito de “horizontalidade”, ou o externo, as forças destabilizadoras ou centrifugas (fuga do centro) que existem fora de nós: os outros, o trabalho, o trânsito, o ambiente, etc. Tudo nos desgasta, tudo nos des-energiza. Lá está, tudo lá fora é o tal furacão, que pode ir mais ou menos depressa, fazer mais ou menos estragos, ser maior ou menor em dadas alturas. E nós, como constante máxima, sendo o centro de tudo isso. A única constante somos nós, mesmo dentro das nossas inconstâncias.

Ser o “olho do furacão” ou esse centro apaziguador que falo, é exactamente encontrar o equilíbrio entre essas forças, entre as várias contradições, mutações e variáveis à nossa volta. Ser uma constante, um centro seguro e estável. Um centro emocional de calma e segurança, ainda que a nossa mente grite impropérios, preocupações e cenários de terror. É pacificá-la, acalmá-la, é ser uma força unificadora das nossas várias partes em desalinho. É, do fundo de nós, dizer: calma, está tudo bem. E acreditar.

Para onde foi a felicidade?

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Falo com imensas pessoas que me dizem: “Mas eu era tão feliz… Tão alegre e espontânea. Dizia tudo o que pensava, brincava e ria… Agora dou por mim a perceber que, a dada altura, comecei a deixar de ser assim, a deixar de me sentir alegre”. O que aconteceu? Para onde foi essa felicidade, essa alegria espontânea, essa pureza? Acho que a palavra é mesmo essa: a pureza, ou falta dela.

Porque digo isto? A pureza relaciona-se com inocência, ingenuidade. Normalmente o que acontece é a vida em si mesma, as relações, os desafios, as responsabilidades, as desilusões. O perceber que há muitas pessoas que são competitivas, invejosas, maldosas, intriguistas, que mentem e enganam. Então generalizamos, por termos tido algumas más experiências, o nosso cérebro regista: “não é seguro confiar”, “as pessoas são más, só querem o nosso mal”, e o nosso sistema de defesa entra em acção, para não mais nos magoarmos.

E é aí que entra a tal quebra, a tal linha que separa o antes e o depois, a alegria e a falta dela. A espontaneidade e a falta dela. A alegria precisa disso mesmo, de espontaneidade. A partir do momento em que não podemos ser naturais, ou espontâneos, cortamos uma parte de nós. Anulamos uma parte de nós, a tal parte pura, natural, inocente. Não quero aqui confundir inocente com ingenuidade. Ser ingénuo pode ser diferente de ser inocente. Podemos ser adultos e, contudo, sermos puros de coração, sentimentos e intenções. Não precisamos ser ingénuos porque temos a experiência, a consciência e a maturidade para percebermos o mundo lá fora, que não tínhamos em crianças.

Agora, o desafio é esse mesmo: em um mundo caótico, onde há injustiça e maldade, mantermo-nos puros e fiéis à nossa essência. “Como se faz isso?”, perguntam vocês. Recuperar das desilusões, erguer os ombros novamente, superar aquilo que foi dito e feito por outros que nos deixou para baixo, dizer “sim” à vida novamente, ir rebuscar a nossa veia marota, brincalhona, respondona se for preciso. Essa parte sua nunca deixou de existir, convide-a para brincar novamente, para fazer parte de quem é actualmente.

Sei que, ou percebo que, os efeitos da vida são cumulativos. As tais desilusões, o peso das várias responsabilidades que carregamos, principalmente quando temos a nossa casa e despesas. Mas é mesmo assim. Primeiro andamos iludidos, que o mundo é lindo e os outros existem para suprir as nossas necessidades, mas não é bem assim. Os outros representam desafios de crescimento. Sem esses desafios não deixaríamos de ser crianças a brincar à existência. Ao crescermos, ferimos e somos feridos. Faz parte. Os outros nem sempre vão agir como gostaríamos. Vamos deixar isso levar o melhor de nós ou vamos fazer com isso o melhor que podemos?

O céu e a terra. O bom e o mau

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E no princípio tudo era luz, tudo era bom, tudo era perfeição. Havia Deus e havia anjos. Até que um anjo se rebelou e se tornou, por oposição, um demónio: o primeiro anjo caído. O que quer dizer que antes de sermos maus, antes somos bons. Ou seja, a base é o bem, a luz, a pureza. O que nos torna maus é, no fundo, o que nos acontece, ou como reagimos ao que nos acontece. Esta é uma história de bom e de mau, de anjos e demónios, e de tudo o que nos quebra e nos faz estar em pólos opostos daquilo que é uma e só coisa: o equilíbrio entre os dois.

Pensando bem nisto, há em todos nós algo de bom e algo de menos bom. O que importa é o que escolhemos fazer a cada momento. Se formos conscientes, e quisermos ser elevados, escolhemos o melhor que podemos fazer em cada momento. Se não formos conscientes nem estamos virados para fazer o bem, não importando a quem, vamos reger-nos por feridas, revolta, ódio, raiva, mágoa ou vingança. E o resultado disso é criar mais feridas, confusão e ódio.

Mas, se todos nascemos puros (“anjos”), o que nos torna “maus”, quebrados? Tudo aquilo que nos fere, que nos magoa. A nossa mente e as suas interpretações, basicamente. Sentimo-nos rejeitados, atraiçoados e abandonados, e em reacção a isso, criamos esquemas mentais, expectativas, formas de pensamento e gatilhos emocionais. Não sei o que aconteceu ao primeiro anjo, e não quero com isto criar uma discussão religiosa ou teológica, mas certamente que estava descontente, não concordava com a forma de fazer as coisas, como tal, “degenerou”. Sentiu-se excluído, incompreendido, não aceite. Os especialistas o dirão.

O que é certo é que alguém que não se sente aceite, compreendido, amado ou acarinhado, fica ferido e, muitas vezes, na inconsciência, fere outros ou a si mesmo. O que percebo aqui é que todos nós, na nossa inconsciência e ignorância de processos psíquicos mais profundos, muitas vezes nos sabotamos, criamos situações de falta, carência e escassez nas nossas vidas. Falta de carinho, presença de outros, compreensão, amor, etc. Há em nós algo sombrio que precisa ser visto, a nossa sombra. O nosso lado incompreendido, não aceite e rejeitado. O lado em nós que não gostamos, os nossos demónios.

O anjo foi primeiro anjo antes de ser demónio, o que significa que o bom é sempre aquilo que pode ser transformado em mau. Mas se partimos sempre do bom, ao bom podemos sempre voltar. O que é certo é que em nós habitam várias forças, por vezes opostas ou contraditórias. Podemos desejar o melhor a outra pessoa e, ainda assim, sentir inveja dessa pessoa, pelo seu sucesso, pela sua alegria, pela sua forma de ser, etc. Podemos sentirmo-nos na pior fase das nossas vidas e, ainda assim, sentir que o melhor está por vir. Estes e muitos outros exemplos.

Aqui o que há a fazer é aceitar esta nossa natureza dual, com uma história, desde os seus primórdios, caracterizada por forças opostas e contrárias, como simbolizado pela bíblia e a história do anjo caído (Lucifer). Eu interpreto essa história como o princípio da dúvida, da incerteza, da insatisfação. A partir daí, seguimos numa busca, de algo bom novamente, que nos faça sentir inteiros. Essa busca é humana, conseguir conciliar os opostos e as contradições em nós. Esse é o trabalho, esse é o caminho – o da integração, o caminho do meio, da consciência e harmonização de todas as nossas partes feridas. Trazê-las à luz e ao amor próprio.

O que (não) fazer para reconquistar um homem

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As mulheres são, normalmente, cheias de truques para não perder o companheiro ou namorado e fazem de tudo para o manter ou para o reconquistar, caso ele decida afastar-se da relação. Há algo de ancestral nisso. Desde os primórdios do tempo mulheres recorrem a videntes e curandeiras (vulgo “bruxas” ou médiuns) para manter os seus homens ou para conquistar aqueles que poderão estar numa relação com outra mulher.

Utilizar-se a sedução, a culpabilização, a vitimização, as ameaças de suicídio, de manipulação e chantagem através dos filhos, são muitas das tácticas. Outras podem ser o tentar descobrir se há outra mulher e tentar tornar-se amiga desta ou, pelo contrário, ameaçá-la ou ofendê-la, tentando fazê-la sentir-se culpada e afastar-se. A vitimização e culpabilização, são das mais fortes, ou uma das primeiras: “Fiz tudo por ti. Dei-te tudo, sempre te acompanhei nos piores momentos, prometeste-me que ficavas, fizeste-me acreditar que seria para sempre, enganaste-me, eu não merecia, não sou nada sem ti, preciso de ti, sem ti eu morro, sem ti a vida não faz sentido…” etc.

Pode ser também através de ameaças relacionadas com a imagem social: “Vou contar a toda a gente que me queres deixar, que me vais abandonar, que tens outra pessoa, que me traíste, que me vais deixar sozinha com as crianças, toda a gente vai ficar a saber que não prestas como homem” e outras que tais. Quando uma mulher não aceita uma separação, muitas destas coisas podem acontecer. Não quer dizer que o contrário não aconteça, que as mesmas tácticas não possam ser usadas pelos homens, mas hoje quero falar nas mulheres e nas distâncias que são capazes de percorrer para manter os seus homens.

Há uma expectativa social de que a mulher deve saber “prender” o seu homem. Que cabe a ela a responsabilidade de ele ficar ou não na relação. Que a mulher deve ser cheia de artimanhas para manter o companheiro. Deve cuidar dele e das necessidades dele, deve estar sempre presente, compreensiva, afectuosa, arranjada e atraente. Deve querer ter sexo com ele regularmente, ainda assim ele não procure outras. E quem não tem desejo sexual por uma variedades de motivos, sente-se a mais culpada das criaturas.

Pois bem, nesse campo há muito que se lhe diga, mas uma coisa é certa, as mulheres desejam a presença emocional e física dos seus companheiros. Precisam saber que eles estão ali, que têm sentimentos por elas e que os mostram, que as façam sentir-se amadas e desejadas. As mulheres precisam disto para se sentir seguras. Disponibilidade e presença. Que eles possam estar, mais do que ficar. Muitas vezes isto não acontece, elas não se sentem amadas nem desejadas. Muitas vezes sentem-se tomadas por garantidas, e isso limita bastante o seu desejo sexual. Se os homens só procuram as suas mulheres para isso, elas vão sentir-se rejeitadas e usadas, objectificadas. Não esperem uma mulher sempre no auge da sua libido se assim for.

Continuando, se um homem não quiser ficar numa relação consigo, faça-se um favor a si, e a todas as outras que vêm a seguir a si: deixe-o ir. Deixe-o seguir o seu caminho. Uma pessoa só deve ficar numa relação com outra se quiser, se o desejar. Todas as pessoas têm o direito à sua liberdade pessoal. Se um homem quer estar com outra mulher, deixe-o seguir caminho. Se o aceita de volta, caso ele queira voltar, isso fica a seu critério. Mas tudo o que é recriminação, controlo, palavras de ódio e desdém e fazer outro sentir-se culpado, não abona a favor de ninguém: nem de si, nem do seu companheiro nem dos filhos que tiverem em comum.

Quando um casal enfrenta problemas, dúvidas ou dificuldades: procurar um especialista. Terapia de casal, terapia familiar se for preciso, ou terapia individual para cada um dos elementos, em conjunto com terapia de casal. Quando os dois querem ficar juntos, aí sim, explorar todas as possibilidades. Encetar um caminho de autodesenvolvimento e de crescimento pessoal e individual, bem como em conjunto. Os dois comunicarem abertamente as suas questões, os seus sentimentos, as suas emoções, os seus pensamentos. Não há nada mais revelador do que uma conversa franca, sem julgamento, sem crítica, gozo ou desprezo, sem culpabilização. Não procurar culpas nem culpados, procurar analisar friamente comportamentos e atitudes, enumerá-los e dizer como eles a fizeram sentir.

Se a outra parte estiver disponível para fazer esse caminho consigo, para dialogar e comunicar abertamente, se a outra pessoa estiver disponível para mudar, ajustar-se, comprometer-se com a mudança, com o crescimento e com as necessidades do casal, aí sim há caminho para percorrer. Quer isso aconteça depois ou antes de uma separação efectiva, está tudo certo. Se um homem decide não estar numa relação consigo quer seja para ficar sozinho ou comprometer-se com outra pessoa, há que aceitar. Pode não querer, não concordar e até pode ter dificuldade em aceitar, mas respeite a vontade do outro.

Deixá-lo ir para que possa voltar, caso assim decida e você aceitar, ou deixá-lo ir para não mais ser seu companheiro, namorado ou marido, ainda que tenham propriedade ou filhos em comum. Se todos pudéssemos ser livres e respeitar a liberdade do outro, não haveria tantas chatices nem divórcios litigiosos. Mas há que fazer trabalho em si, no perdão, na aceitação da perda e gestão dessas mesmas emoções de raiva, revolta, impotência, fracasso e derrota. Desejar mal a outra mulher ou à nova relação do seu ex-companheiro também não traz nada de bom ao mundo. Tudo é energia, até a força dos nossos pensamentos. Todos sofremos com isso.

Como tal, sem jogos, sem artimanhas, sem “trabalhos” de amarração, feitiços, maus olhados e todas as coisas que criam karma – acção e consequência. O todo é prejudicado com isso, criamos ciclos e ciclos de dor e sofrimento para nós e para o colectivo quando nos envolvemos com energias densas de ódio e vingança. Queremos elevação, crescimento, equilíbrio e felicidade. Como tal, seja a elevação que quer ver no mundo. Trabalhe em si as suas feridas de rejeição, abandono e traição. Cure as mulheres antes de si e as que vêm através de si, sela pelo exemplo, seja pela maternidade. Estará a fazer a si, e a ao mundo, um grande serviço.

Grupo de pertença

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Todos nós sentimos necessidade de pertencer a algo, um grupo, uma família, uma relação. Na verdade todos necessitamos relações, relações com outros que sejam significativos para nós. Desde cedo pertencemos a uma família, a uma comunidade envolvente. A seguir, fazemos parte de uma creche ou escola, e alargamos o leque dos nossos relacionamentos. Mais tarde, fazemos amigos que se tornam o centro da nossa existência, e o próximo passo é a relação íntima.

Hoje não quero falar das relações íntimas, quero falar das relações de amizade. Deduz-se que, com o tempo, vamos fazendo amigos e eles vão mantendo-se, mais ou menos. Há sempre este ou aquele que se afasta por algum motivo, mas a expectativa é que um ou outro se mantenha pela vida fora. E normalmente todos temos pelo menos um amigo ou amiga que temos há alguns ou muitos anos e que se vai mantendo mais ou menos próximo/a.

E até aqui tudo bem. Mas, e quando se muda de cidade, de país ou região? E quando os amigos se afastam e não sabemos porquê? Ou quando nos deixamos de identificar com os amigos que temos? São várias as possibilidades em termos de ruptura das relações de amizade: ou porque eu não quero mantê-la, por algum motivo, ou porque o outro não a quer manter, ou eu estou longe e não consigo investir nas minhas relações de amizade.

Vejo um grande número de pessoas em sofrimento por falta ou carência destas relações afectivas. Seja porque não as têm, seja porque as que têm não lhe trazem satisfação, seja porque não têm tempo ou possibilidade de usufruir delas. E essa falta de possibilidade pode até ter a ver com um companheiro ou companheira ciumentos, que não gostam de socializar, que não quer passar tempo com os seus amigos, etc. Mas o que é certo é que a socialização é um dos pilares da nossa saúde mental – a busca de pertença.

Queremos pertencer onde nos identificamos, onde gostamos de estar ou onde achamos importante estar. E não só, onde somos aceites, reconhecidos, aprovados e acarinhados. Nem sempre temos isso. Por vezes há aquele núcleo de amigos que só nos critica e põe para baixo, ainda que nem sempre perceba que o faça, sob “conselhos” e projecções dos próprios desejos, expectativas, fantasias ou desilusões. Muita das vezes é difícil sair do próprio transe para verdadeiramente estar para o outro.

E quando não se tem este grupo de pertença, o que fazer? Perseverança, espera, paciência e tentativa. Tentativa em fazer actividades que gostamos de fazer, aproximar-se de outros, escutar, participar ou intervir nas conversas de forma simpática e interessada. Em actividades que gostemos podemos mais facilmente ligar-nos a outros de interesses afins, já se começa com algo em comum. Paciência para se ir conhecendo as pessoas e ir criando um grupo, nem que seja de várias pessoas espalhadas em grupos diferentes. Paciência para se criar uma relação, para se criarem e fortalecerem laços.

Paciência também para a espera, para o tempo que isso levar a conseguir e também para as desilusões que por vezes acontecem (as outras pessoas podem não estar interessadas em novas amizades, ou passado um tempo acabarem por se afastar, etc.) Perseverança para tentar sempre, para recomeçar as vezes que forem precisas, e investir aquilo que pode nessas relações recém criadas em termos de tempo e disponibilidade.

Aqui é preciso ter cuidado com as expectativas: nem toda a gente está à procura de integrar novas pessoas nas suas vidas ou pode já ter um grupo consolidado e acabar por fazer planos com esse grupo ou com aquelas pessoas e não a convidar sistematicamente. Vão sempre haver aqueles amigos de conveniência ou das saídas esporádicas, aqueles com quem pode combinar uma corrida ou uma caminhada, e aquele a quem poderá ligar de vez em quando. E poderá também criar uma boa e sólida amizade que ficará para todo o sempre com alguém com quem possa partilhar uma variedade de momentos e situações regulares.