Grupo de pertença

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Todos nós sentimos necessidade de pertencer a algo, um grupo, uma família, uma relação. Na verdade todos necessitamos relações, relações com outros que sejam significativos para nós. Desde cedo pertencemos a uma família, a uma comunidade envolvente. A seguir, fazemos parte de uma creche ou escola, e alargamos o leque dos nossos relacionamentos. Mais tarde, fazemos amigos que se tornam o centro da nossa existência, e o próximo passo é a relação íntima.

Hoje não quero falar das relações íntimas, quero falar das relações de amizade. Deduz-se que, com o tempo, vamos fazendo amigos e eles vão mantendo-se, mais ou menos. Há sempre este ou aquele que se afasta por algum motivo, mas a expectativa é que um ou outro se mantenha pela vida fora. E normalmente todos temos pelo menos um amigo ou amiga que temos há alguns ou muitos anos e que se vai mantendo mais ou menos próximo/a.

E até aqui tudo bem. Mas, e quando se muda de cidade, de país ou região? E quando os amigos se afastam e não sabemos porquê? Ou quando nos deixamos de identificar com os amigos que temos? São várias as possibilidades em termos de ruptura das relações de amizade: ou porque eu não quero mantê-la, por algum motivo, ou porque o outro não a quer manter, ou eu estou longe e não consigo investir nas minhas relações de amizade.

Vejo um grande número de pessoas em sofrimento por falta ou carência destas relações afectivas. Seja porque não as têm, seja porque as que têm não lhe trazem satisfação, seja porque não têm tempo ou possibilidade de usufruir delas. E essa falta de possibilidade pode até ter a ver com um companheiro ou companheira ciumentos, que não gostam de socializar, que não quer passar tempo com os seus amigos, etc. Mas o que é certo é que a socialização é um dos pilares da nossa saúde mental – a busca de pertença.

Queremos pertencer onde nos identificamos, onde gostamos de estar ou onde achamos importante estar. E não só, onde somos aceites, reconhecidos, aprovados e acarinhados. Nem sempre temos isso. Por vezes há aquele núcleo de amigos que só nos critica e põe para baixo, ainda que nem sempre perceba que o faça, sob “conselhos” e projecções dos próprios desejos, expectativas, fantasias ou desilusões. Muita das vezes é difícil sair do próprio transe para verdadeiramente estar para o outro.

E quando não se tem este grupo de pertença, o que fazer? Perseverança, espera, paciência e tentativa. Tentativa em fazer actividades que gostamos de fazer, aproximar-se de outros, escutar, participar ou intervir nas conversas de forma simpática e interessada. Em actividades que gostemos podemos mais facilmente ligar-nos a outros de interesses afins, já se começa com algo em comum. Paciência para se ir conhecendo as pessoas e ir criando um grupo, nem que seja de várias pessoas espalhadas em grupos diferentes. Paciência para se criar uma relação, para se criarem e fortalecerem laços.

Paciência também para a espera, para o tempo que isso levar a conseguir e também para as desilusões que por vezes acontecem (as outras pessoas podem não estar interessadas em novas amizades, ou passado um tempo acabarem por se afastar, etc.) Perseverança para tentar sempre, para recomeçar as vezes que forem precisas, e investir aquilo que pode nessas relações recém criadas em termos de tempo e disponibilidade.

Aqui é preciso ter cuidado com as expectativas: nem toda a gente está à procura de integrar novas pessoas nas suas vidas ou pode já ter um grupo consolidado e acabar por fazer planos com esse grupo ou com aquelas pessoas e não a convidar sistematicamente. Vão sempre haver aqueles amigos de conveniência ou das saídas esporádicas, aqueles com quem pode combinar uma corrida ou uma caminhada, e aquele a quem poderá ligar de vez em quando. E poderá também criar uma boa e sólida amizade que ficará para todo o sempre com alguém com quem possa partilhar uma variedade de momentos e situações regulares.

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