O centro apaziguador

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As pessoas que atendo inspiram-me muito. São das consultas que surge a maior parte dos meus textos. Basta uma palavra, uma frase, um sentimento, e “boom”, sai-me algo pelas entranhas que precisa ver a luz do dia através de palavras. Costumo usar a metáfora do “olho do furacão”, ser o centro de tudo, mesmo quando tudo está em movimento caótico. Não podemos controlar uma série de circunstâncias, nem emoções que nos vão surgindo perante as várias situações das nossas vidas, mas há algo que deve ser uma constante: você e a sua consciência, esse centro que a habita.

Falo no feminino porque é com mulheres a maior parte do meu trabalho, apesar de começar a surgir cada vez mais homens em busca de significado, de compreensão e consciência nas suas vidas, e é com prazer que assisto a essa tendência, homens a quererem trabalhar neles mesmos. Ora então, costumo falar muito no conceito de “verticalidade”, nem sei se fui eu que inventei isso, li algures ou alguém me falou. O que é certo é que para mim esse conceito é agregador. Traz uma ideia, ou noção, visual e imagética, de uma linha que nos estabiliza. Pelo menos assim gosto de imaginar.

O centro agregador é uma espécie de sensação, de essência ou centro que existe, ou pode existir, dentro de nós. Tal lago calmo, tal estado de tranquilidade. Como melhor defini-lo? É algo que se sente, que conseguimos criar com algumas práticas. Certamente já sentiu esse “centro” ou energia apaziguadora, pode ser que numa tarde de chuva, enrolada numa manta a beber um chá quente e a ler aquele livro que gosta ou a ver aquele filme especial, pode ser após uma tarde com amigas e depois daquelas conversas boas em que sentimos que tudo fica bem dentro de nós, sei lá, uma variedade de momentos.

Aqui entra o conceito de “horizontalidade”, ou o externo, as forças destabilizadoras ou centrifugas (fuga do centro) que existem fora de nós: os outros, o trabalho, o trânsito, o ambiente, etc. Tudo nos desgasta, tudo nos des-energiza. Lá está, tudo lá fora é o tal furacão, que pode ir mais ou menos depressa, fazer mais ou menos estragos, ser maior ou menor em dadas alturas. E nós, como constante máxima, sendo o centro de tudo isso. A única constante somos nós, mesmo dentro das nossas inconstâncias.

Ser o “olho do furacão” ou esse centro apaziguador que falo, é exactamente encontrar o equilíbrio entre essas forças, entre as várias contradições, mutações e variáveis à nossa volta. Ser uma constante, um centro seguro e estável. Um centro emocional de calma e segurança, ainda que a nossa mente grite impropérios, preocupações e cenários de terror. É pacificá-la, acalmá-la, é ser uma força unificadora das nossas várias partes em desalinho. É, do fundo de nós, dizer: calma, está tudo bem. E acreditar.

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