O início de tudo

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E no princípio tudo era luz. Existia tamanha união entre as células do criador, que tudo era uma massa, uma amálgama. Tudo era bom, aconchegante, feliz. Havia plenitude, vibração e energia. Um grande útero celestial, em um único som, movimento e respiração celular. Mas depois algo aconteceu, a harmonia deu lugar à dúvida, à necessidade de expansão, de experimentação da matéria, do mundo emocional e complexo da dualidade, do bom e do mau. Aquela massa, aquele espaço, aquela energia, já não era suficiente, precisava crescer, expandir-se, explodir e parir-se a ela mesma. Já não dava para conter.

E assim aconteceu o Big Bang. Uma explosão da massa celestial, da energia unificadora, do útero celestial, em formação desde o princípio dos tempos. Não se podia mais conter a si própria, então expandiu-se, multiplicou-se em milhares de milhões de partículas. Aí nasceram planetas, continentes, civilizações, inteligências, animais, plantas, rochedos… A energia materializou-se em inúmeras formas, em vários planos e universos. Levou tempo a organizar-se, a “esfriar” e a manter-se, a estabilizar-se nessas formas, que foram evoluindo ao longo do tempo, até tudo se organizar como hoje conhecemos.

Os seres humanos vieram, relutantes, primários, básicos, a tentar entender o mundo. Levou muito tempo até conseguirem formar leis, conceitos, definições, do que eram, do que era o mundo e o cosmos. Formaram uma massa intelectual de princípios morais e civilizacionais, para que todos pudessem conviver em relativa paz. Uma estruturação social para que houvesse ordem e organização, para que os povos pudessem saber onde pertenciam e o que respeitar. Ainda assim se questionavam, dirigindo-se a sacerdotes, gurus e xamãs. Algo não parecia certo, algo faltava. A dúvida continuava.

A dúvida é o princípio de tudo. É o que nos guia, o que nos motiva, o que nos inventiva. Desde o útero divino, até ao útero materno, ao nascimento, ao aprender a andar, ao encontrar a profissão e lugar no mundo. A dúvida orienta-nos na vida, a procura de algo mais, a procura de algo, alguma coisa que nos faça entender o que somos, quem somos, enquanto indivíduos. O ser desperta, sempre desperta algum dia, eventualmente, e o ser quer saber quem é, quer individuar-se da massa onde participa, seja celestial, seja humana.

O ser humano é uma experiência terrena, com princípios terrenos, onde ainda há muita inconsciência, onde ainda há muita dúvida. Mas o ser humano está a despertar para a sua essência divina, celeste e universal, como uma experiência do cosmos, que no fundo é uma inteligência que está dividida nestes milhares de milhões de partículas que são os seres viventes, sencientes, a participar de uma enorme experiência celestial.

Formamos hipóteses, teorias, mas há algo mais que a mente, uma realidade espiritual, uma realidade interna, uma forma de conexão com algo mais. É aí, aí mesmo que existe a nossa essência, a nossa sabedoria ancestral, antes dos tempos, antes de estarmos cá. É isso que nos liga ao além, a algo mais, à origem.

À origem todos pertencemos, de lá todos viemos. Como eternos viajantes, que rolamos por esse universo fora, sem saber para onde vamos a seguir. Somos como o Indiana Jones, que só leva a sua mala e o seu chapéu, em aventuras sem fim, sem nexo e sem lógica, a não ser aquela que encontramos nas nossas explicações.

O que é certo é que tudo tem uma ordem, um porquê, que todos procuramos. Esse porquê não pode ser respondido mentalmente, intelectualmente, só pode ser respondido dentro, para dentro, numa ligação terra-universo, num alinhamento extra planetário, de conexão com a nossa origem. Parte do sentir, do ouvir, do conectar-se ao som primordial, ligar-se a esse cordão divino que nos leva, que sempre esteve lá, onde, de facto pertencemos: às estrelas.

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