Paciência como um acto de fé

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Quantos de nós somos pacientes para connosco e para com o tempo das coisas acontecerem? Queremos tudo para ontem, somos impacientes, intolerantes para connosco e para com os nossos processos. Queremos mudar o outro ou que o outro seja como nós gostaríamos que ele fosse. Queremos mudar e queremos mudar já. Irritamo-nos frequentemente e o facto de não conseguirmos prever o futuro frustra-nos, assusta-nos, angustia-nos.

A paciência é uma palavra ingrata. Ouvimo-la desde sempre, principalmente quando não a queríamos ouvir. Quando só queríamos resolver, fazer, ir, falar, expressar alguma coisa. Mas quando queremos isso tudo e não podemos, vem a frustração. Do que nos diziam, nós ficamos com o “tem paciência” internalizado, e dizemo-lo a nós mesmos, em forma de mantra, que não cola, não nos convence nem alivia.

O “tem paciência” vem da ideia de conformismo: “fica lá assim até poder ser diferente” e esse “ser diferente” nós não sabemos quando vem. Há sempre um princípio de espera que acompanha a palavra paciência e ninguém gosta de esperar. Com a paciência vem também o desejo da revolta, de gritar, de partir, de dizer “já chega, não quero!”, como se a nossa criança interior estivesse farta de ter paciência e simplesmente quisesse partir para a acção, não interessando as consequências.

Mas não, nós não vivemos sozinhos. Os relacionamentos frustram-nos, sejam eles quais forem. Os familiares, os profissionais, os íntimos, os de amizade. Porque os outros são perfeitamente eles próprios. E nós também. Nós também não temos muita paciência para nós. Queremos saber, queremos fazer, queremos mudar as nossas circunstâncias, e já, se possível. E não, não é possível. Há que dar tempo, tempo das coisas mudarem, encaixarem, acalmarem, acontecerem, evoluírem…

Estamos num tempo linear, não há como não esperar, contemplar, aguardar, permitir que as coisas aconteçam ao ritmo que têm de acontecer. Se conseguirmos fazer as pazes com esse tempo, com esse ritmo – porque tudo no mundo é rítmico, vejamos a natureza – conseguimos estar mais em paz. Então sim, a paciência surge como um acto de fé. De nos recostarmos e apreciarmos a vista, o caminho, o processo. Deixe a mente rebentar, explodir de tanta raiva ou frustração por tudo aquilo que não entende. A seguir dê-lhe colo, diga-lhe “pronto, está tudo bem; tudo passa… está tudo certo”. A fé no quem vem é o que resta. É o que deve restar.

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