Os relacionamentos que temos

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São exactamente aqueles que temos (ou podemos) de ter. Sem mais nem menos. Sem tirar nem por.

Se tudo nas nossas vidas obedece a uma ordem inconsciente, se temos padrões de funcionamento que nos instigam em determinada direcção, então estamos a seguir essa ordem. E essa ordem, seja ela qual for, “obriga-nos” a determinadas escolhas, comportamentos e atitudes perante a vida e os relacionamentos. Tudo isso funciona em nós de uma forma muito mas muito inconsciente.

Temos lealdades cegas à família de origem, não nos colocamos nos lugares certos e, por obediência a determinados critérios do nosso legado, vamos cumprindo determinados destinos que nos são dolorosos, custosos, como doenças, dificuldade em permanecer em relacionamentos, ou a sofrer com eles, com agressões, com falta, com carência, com escassez, seja lá o que for.

Andamos por aí, pela vida e pelos relacionamentos, pelos trabalhos, pelo o sucesso ou insucesso dos nossos trabalhos e relacionamentos, só para perceber que essas coisas que nos acontecem de menos boas, são sintomas do grande grupo a que pertencemos. Sintomas esses que representam uma exclusão, uma divisão, uma lealdade ou um amor cego a alguém do nosso clã familiar que precisa ser visto.

Todos os nossos sintomas emocionais, psicológicos e físicos podem ser visto à luz de determinadas terapias como a psicologia, a hipnose e as constelações familiares. Essas terapias estudam as origens dos conflitos psíquicos e dos padrões de pensamento e funcionamento de cada um de nós. Com essa análise podemos perceber muita coisa.

E quando digo que os relacionamentos que temos (ou falta deles) é exactamente o que precisamos para construir e perceber a nossa história, porque é isso mesmo, estamos inscritos numa história muito maior que nós, que nos transcende, e nós somos sempre (mas sempre) o resultado dessa história, quer queiramos quer não. E essa história obriga-nos, restringe-nos, limita-nos e condiciona-nos de diversas maneiras, conscientemente ou não.

Por termos determinada história familiar – e aqui entra a transgeracionalidade, que é tudo o que acontece antes da mãe e do pai – vivemos a vida e os relacionamentos de determinada maneira, com tudo aquilo que é incluído (ou excluído) nessas vivências e relações. Tudo o que fazemos a mais ou a menos, tudo o que não fazemos ou deixamos de fazer, diz respeito àquilo que alguém conseguiu ou não fazer, pôde ou não fazer, pôde ou não expressar. Todas as nossas angústias nos remetem ao passado. E nós só podemos mudar ou construir do presente para o futuro, mas muitas vezes estamos a tentar construir sobre fundações que não estão certas, que não nos representam a nós, no presente.

Então a jornada do peregrino da vida e da cura é essa: olhar para as suas fundações, para o que vem antes, para o que já existiu, para poder ver, para poder reconciliar o passado, fazer as pazes com o que não pôde acontecer, para o que foi excluído, injustiçado, perdido, não visto. Para podermos construir, tem de ser no novo, sem desavenças, sem lealdades a quem veio antes, sem amores cegos, sem coligações.

Devemos seguir sós, sozinhos, perante a vida, desarmados de condicionamentos, para poder viver sem nós nem emaranhamentos. Para podermos viver livres de prisões. Para podermos viver os relacionamentos que realmente queremos, e merecemos. Para podermos viver os relacionamentos que realmente são para nós, e não para representar um sintoma do que está perdido ou quebrado e que veio antes de nós.

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